Bruce Dickinson fala sobre manter preços de ingressos do Iron Maiden: “Não queremos um monte de gente rica em pé na frente do palco”
Foto: André Tedim
Durante a estreia mundial do novo documentário do Iron Maiden, “Burning Ambition“, Bruce Dickinson falou em entrevista sobre as mudanças da indústria da música ao longo dos anos. O vocalista falou principalmente sobre as mudanças no ramo das turnês, e como os shows tiveram significativas reformulações.
Ele fala, sobre as mudanças nas últimas quatro décadas:
“O problema é que os custos continuam subindo e tudo mais. Mas isso não é desculpa para cobrar preços absurdos pelos ingressos. Sempre tentamos manter nossos preços abaixo da média porque, francamente, não queremos um monte de gente rica na frente do palco. Queremos que os fãs de verdade estejam lá, e eles nem sempre têm muito dinheiro. Então, é muito importante para nós, como banda, ter essa possibilidade. Queremos jovens nos shows, e eles não têm muito dinheiro. Eles vão receber dinheiro do pai. Mas, hoje em dia, o dinheiro está curto. Então, é importante tentar manter os preços dos ingressos dentro de limites razoáveis.”
Durante uma entrevista passada a revista mexicana ATMósferas, Bruce já havia abordado o tema, dizendo:
“A indústria musical passou por duas transformações. Por um lado, se você é um artista, houve uma contração, ou seja, houve uma redução na quantia de dinheiro que você recebe pela sua arte — a menos que você seja um fenômeno das redes sociais, ou algo do tipo, ou a menos que você seja um DJ que aparece com um pen drive e recebe cinco vezes mais do que uma banda. E eles têm que dividir o dinheiro entre oito pessoas, enquanto ele simplesmente aparece com o pen drive, finge que está fazendo algo e sai com uma fortuna. Então, o mundo deu uma guinada nesse sentido. E não há muito que um indivíduo possa fazer a respeito. Você só tem que se adaptar à realidade do mundo.”
Bruce disse à rádio brasileira 92.5 Kiss FM que tocar no evento “foi uma experiência um pouco estranha para nós”, porque:
“as pessoas que deveriam estar na frente do palco, já que os ingressos para o festival eram tão caros, estavam lá atrás, e as pessoas que estavam na frente eram só gente rica que queria filmar tudo com o celular. Mas os jovens para quem a gente queria tocar estavam lá atrás. E isso é uma droga, na verdade. Não era o nosso festival; não era a nossa organização. Vamos para os Estados Unidos [em 2024] e faremos nossa própria turnê. E as pessoas que estiverem na frente serão as pessoas que merecem estar na frente. Serão os verdadeiros fãs, o que será ótimo.”
O Iron Maiden retorna ao Brasil este ano para duas datas nos dias 25 e 27 de outubro.
