Death: 34 anos do álbum “Spiritual Healing”

Há exatos 34 anos, em 16 de fevereiro de 1990, o Death lançava “Spiritual Healing”, o traz algumas mudanças significativas para a banda do lendário e saudoso Chuck Schuldiner, o cara que é considerado como o pai do Death Metal e nós vamos lhes contar um pouco da história desse play no nosso bate papo por aqui hoje.

As mudanças começam na parte lírica, onde Chuck troca o sangue e terror por temáticas relativas à sociedade, como aborto, genética e evangelismo, por exemplo. A capa é um retrato deste último tema, mostrando um pastor com a mão sobre a cabeça de um paraplégico, com alguns fanáticos ao redor. E 30 anos depois, nada mudou, não é mesmo?Principalmente se olharmos para esse Brasil atual, dominado por neopetencostais, carregados de preconceitos e que tenta impôr na base da força suas ideias estúpidas e ultrapassadas. O pior é que tem headbanger brasileiro comprando tais ideias, lamentável, não é, caro leitor? Ainda sobre a capa, foi a última obra do artista Edward Repka a serviço do Death.

Outra mudança foi na parte instrumental, em que pese a entrada do guitarrista James Murphy, que gravou apenas este álbum com a banda, mas acrescentou mais melodia, que marcava o começo da evolução na sonoridade da banda, que teria o seu ápice no último disco, “The Sound of Perseverance”, de 1998 , o qual contaremos a sua história em um momento oportuno.

Spiritual Healing” foi o segundo e último disco gravado pelo baterista Bill Andrews e pelo baixista Terry Butler. Eles gravariam ainda a demo do álbum posterior, porém, ambos foram demitidos por um ato, no mínimo, absurdo: ambos recrutaram músicos e saíram em turnê usando o nome Death, porém, sem o membro fundador e mente pensante. Sim, os caras excluíram Chuck Schuldiner desta louca empreitada, que obviamente, não deu certo. E eu fico pensando onde pode parar a cara de pau do ser humano.

Pois bem, a banda se reuniu no “Morrisound Studios” durante o ano de 1989 para a gravação deste play, que foi produzido por Chuck Schuldiner em parceria com o então empresário da banda, Eric Greuf. Scott Burns atuou também, dando total assistência nas sessões de gravação. Vamos destrinchar cada uma das oito faixas do homenageado de hoje:

Living Monstrosity” abre a bolacha e aqui temos uma música que viaja por várias atmosferas, como foi a carreira do Death. Temos a parte mais rápida, que fazem o ouvinte banguear, a parte mais arrastada, com bons riffs e os solos com muita melodia, sendo esses últimos, os pontos altos da música. “Altering the Future” começa devagar, depois descamba para um Thrash Metal bem interessante, com solos muito bons, lembrando bandas da NWOBHM, com muitas mudanças bruscas de andamento em sua extensão.

Defensive Personalities” é rápida em quase toda sua duração, um convite para que o headbanger entre em um mosh alucinante. Ótimos riffs de guitarras prendem a atenção do ouvinte aqui nesta música, que tem breves mudanças de andamento, sem, no entanto, prejudicar o resultado final. “Within the Mind” tem um belo solo melódico em sua intro, seguida de riffs bem arrastados, que flertam com o Doom Metal. À medida em que esta se desenvolve, ela vai ganhando em atmosfera, com um grande solo e breves flertes com a velocidade.

A faixa título chega e do alto de seus 7 minutos de extensão, temos ótimos riffs, que começam bem cadenciados, porém, a música ganha velocidade e fica ainda melhor. Alguns dos riffs desta música foram extraídos de uma música contida na fita demo do primeiro disco da banda, “Scream Bloody Gore“, de 1987. A música em questão se chama “Legion of Doom“. “Low Life” se destaca por grandes mudanças em seu andamento, começando pela sua intro que passa longe do Thrash/Death que a banda praticava, inclusão de duetos de guitarra, riffs sombrios e, claro, partes rápidas e bastante técnicas.

Genetic Construction” tem talvez os melhores riffs de guitarra deste play, simplesmente sensacionais e uma levada bem Thrash Metal, com pequenas intervenções mais arrastadas e mais melodia no solo. “Killing Spree” encerra o disco no mesmo clima da faixa anterior: riffs rápidos e precisos, com pequenas mudanças de andamento e acrescidas dos melhores solos do play. Aqui eles são mais nítidos do que nas outras músicas.

Em 43 minutos de audição, temos um disco excelente, em que qualquer pessoa que curta um som extremo e ao mesmo tempo virtuoso, tem a obrigação de escutar e de tê-lo na sua galeria. Minha única ressalva quanto a este disco é no que diz respeito ao som da bateria, que ficou estranho. No mais, ele é lindo do jeito que foi concebido e merece toda a nossa reverência. Enfim, o legado do grande Chuck Schuldiner está ai para quem quiser se aproveitar. Eu escuto gente morta! E hoje é dia de escutar esse play no talo!

Spiritual Healing – Death

Data de lançamento: 16/02/1990

Gravadora: Combat Records/ Relapse Records

Faixas:

01 – Living Monstrosity

02 – Altering the Future

03 – Defensive Personalities

04 – Within the Mind

05 – Spiritual Healing

06 – Low Life

07 – Genetic Reconstruction

08 – Killing Spree

Formação:

Chuck Schuldiner – Vocal/ Guitarra

James Murphy – Guitarra

Terry Butler – Baixo

Bill Andrews – Bateria

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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