Digão explica difícil relação com o pai e relembra única vez que ele viu um show do Raimundos

Digão, vocalista e guitarrista do Raimundos, falou sobre a sua dura relação com o pai durante o documentário “Andar Na Pedra“, que conta a história da banda e estreou no Globoplay.

Ele fala sobre como inicialmente se questionou sobre a sua importância na banda. Ele diz, conforme transcrito pelo Confere Rock:

Eu queria entender qual que era o meu lugar dentro do Raimundos. Se eu era só mesmo um acompanhante ou se eu era uma pessoa que realmente fazia muita falta pro Raimundos, sabe? Eu, em 96, no dia do meu aniversário, tomei um ácido e me deu uma bad trip, onde eu vi tudo derreter. Foi ali que eclodiu, né? O vulcão abriu a cratera e espirrou lava para todo lado.

Na sequência, ele fala sobre o seu pai:

Só que aí, quando tava meu pai e minha mãe do lado, eu ficava um pouco mais calmo. Eu me sentia em casa. Falei:
“Pai, vamos pra fazenda. Eu preciso ir pra fazenda agora. Agora.”

E aí eu entrei no carro do meu pai. Cara, foi a primeira vez na vida que meu pai conversou comigo, sabe? Que ele não brigou comigo, sabe? Foi a primeira vez que ele conversou e tentou ter uma conversa. Foi a primeira vez que ele conversou comigo assim, como pai e filho.

Só que eu tava muito louco, mas eu tava gostando daquilo, sabe? Aquilo tava me fazendo bem. O meu pai só viu um show meu. A gente tocou no Hollywood Rock, e aí eu paguei a passagem pro meu pai, botei meu pai no camarote do lado do Heberti Viana. “Aí, pai, o que você achou?”
E tal. “Ah, legal, filho.” Seco pra caramba, velho.

Eu comecei a viver melhor quando eu parei de querer provar pro meu pai, quando eu falei: “Não, agora não vou mais provar nada para ele. Chega.”

O documentário “Andar na Pedra” está disponível no Globoplay em cinco episódios. O primeiro deles é gratuito para todos, os demais são exclusivos para assinantes do serviço.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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