Dimmu Borgir retorna em “Grand Serpent Rising” e entrega o que fãs esperavam

Ser fã do Dimmu Borgir tem exigido paciência de seus fãs nos últimos anos. A banda adotou um intervalo curioso, e longo, de oito anos entre lançamentos. Talvez não tenha sido intencional, mas entre “Abrahadabra“, “Eonian” e agora “Grand Serpent Rising“, esse foi exatamente o hiato. O novo álbum, que chega em 22 de maio pela Nuclear Blast, já passou pela nossa audição e traz mudanças perceptíveis em relação a seus antecessores.

Se os dois trabalhos anteriores dividiram opiniões com apostas fora do jogo ganho da trajetória da banda, desta vez o cenário é diferente. Logo de início, fica claro: este é o disco mais coeso e bem estruturado do Dimmu Borgir desde as reformulações no line-up e eles apostam em fazer o que sabem de melhor. É também o primeiro registro sem o guitarrista Galder, figura importante na fase mais recente do grupo.

Mais alinhado, a dupla central, Shagrath e Silenoz, entrega exatamente o que os fãs esperam, peso, agressividade e um nível técnico impressionante, remetendo aos momentos mais inspirados da carreira. Isso fica evidente em “Ascent”, single recente que acerta em cheio ao resgatar elementos clássicos da banda: velocidade, melodias sombrias e densas, além de um Shagrath em ótima forma, com vocais que soam ainda mais encorpados com o tempo. O solo de Silenoz, ainda que breve, funciona com precisão cirúrgica dentro da estrutura da faixa.

Quem acompanha o Dimmu Borgir há anos sabe que a banda sempre foi além do rótulo de “apenas” black metal. Em “As Seen in the Unseen”, essa versatilidade aparece logo na introdução, que flerta com atmosferas que poderiam facilmente remeter ao Opeth. Em seguida, a música explode em intensidade, com Daray conduzindo blast beats ferozes, enquanto os teclados de Gerlioz adicionam camadas melódicas densas ao refrão.

The Qryptfarer” surge caótica e imprevisível, exatamente como se espera das faixas mais experimentais da banda, criando uma verdadeira montanha-russa sonora. Já “Ulvgjeld & Blodsødel”, escolhida como cartão de visitas do álbum, aposta em uma abordagem mais acessível e cinematográfica, com uma introdução longa e atmosférica que prepara o terreno com eficiência. A faixa evoca diretamente a era de “Spiritual Black Dimensions”, um dos pontos altos da discografia do grupo.

Na metade do disco, “Repository of Divine Transmutation” se destaca como uma jornada extensa e multifacetada, alternando momentos de agressividade extrema com passagens atmosféricas, resultando em uma das composições mais completas do álbum.

A segunda metade, no entanto, apresenta algumas oscilações. “Slik minnes en alkymist” traz uma introdução que não conversa bem com o restante da faixa e mesmo do disco, enquanto “Shadows of a Thousand Perceptions” carece de direção mais clara, soando dispersa e menos memorável.

Ainda assim, o álbum se recupera com momentos fortes. “Phantom of the Nemesis” é sombria e imponente, avançando de forma arrastada e ameaçadora, como uma entidade que se move lentamente pelas sombras. Já “At The Precipice of Convergence” entrega o que poderia ser um fechamento grandioso, alternando entre trechos mais densos e outros mais luminosos. A longa duração total do disco — que ultrapassa uma hora — dilui um pouco do impacto final.

O Dimmu Borgir entrega exatamente o que prometeu ao longo desses anos de espera: um trabalho que resgata sua essência sem soar datado. Após quase uma década de hiato, “Grand Serpent Rising” reafirma a identidade da banda e oferece aos fãs um retorno sólido, ainda que não isento de imperfeições.

NOTA: 8

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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