Edu Falaschi fala sobre o começo da carreira solo e relembra 2012 como “ano terrível”: “vou abrir uma padaria?”
Nesta terça-feira (10), Edu Falaschi finalmente fez a sua aguardada participação no Amplifica, apresentado por Rafael Bittencourt no Youtube. Este foi o primeiro encontro oficial e registrado da dupla após reconciliação entre ambos em preparação para os shows que acontecerão em abril.
Na conversa, Edu relembra o início da carreira solo, logo após deixar o Angra em 2012 e recorda como foi um ano difícil para ele. Ele diz, conforme transcrito pleo Confere Rock:
Quando eu comecei essa coisa da carreira solo, eu estava num limbo. Você lembra? Agora entrando num assunto mais pessoal: eu tinha saído do Angra e 2012 foi um ano horrível para mim. Eu saí do Angra, estava sem voz, sem confiança nenhuma, minha mãe morreu e eu fiquei órfão, porque já não tinha pai. Cara, é estranho quando você perde pai e mãe. A primeira vez que eu percebi como isso era estranho foi quando minha mãe faleceu, em 2012. Então foi um ano muito ruim para mim. Eu fiquei bem no fundo do poço mesmo e, financeiramente, tomando cuidado, porque eu sabia que ia parar de entrar dinheiro, já que tinha saído do Angra. Não tinha show, o Almah era muito novo, ainda patinando.
Foi um ano muito difícil. Eu estava recém-casado, tinha acabado de casar, então estava tudo muito confuso. Mas fui me virando e gastando uma fortuna com médicos para descobrir o que estava acontecendo com a minha voz. Foi uma fase muito horrível. Eu levei uns cinco anos para conseguir ter força para sair daquilo e falar: “Tá, acho que consigo tentar mais alguma coisa”. Foi uma coisa que, sei lá, o cosmo, Deus, não sei explicar.
Em um momento de desespero, Edu fala que chegou a cogitar sair do ramo da múisca, devido ao momento pelo qual passava:
Teve um dia em que eu estava em casa, literalmente deitado na cama, olhando para o teto e pensando: “Cara, o que eu vou fazer? Acho que vou abrir uma padaria”. Não estou brincando, é verdade mesmo. Eu pensei: “Acho que vou abrir uma padaria, porque não tenho mais o que fazer. Tentei para caramba. Fiz bons discos, discos muito bons, excelentes, com músicos bons”. Tendo sido cantor do Angra e tudo mais, e aquela coisa não virava como tinha que virar. Então pensei: “Putz, acho que não está rolando”.
Nesse dia eu falei: “Cara, universo, Deus, me dá uma luz para onde eu vou, porque eu tenho um legado, uma carreira. Fizemos vários discos com o Angra. Será que nada disso vai servir?”. Fiquei pensando: “Acabou? O que eu vou fazer daqui para frente?”. E nesse mesmo dia eu recebi uma ligação de um cara do Peru, totalmente aleatório. Você sabe como funcionam essas coisas quando você vai fazer turnê na América Latina: normalmente você não faz um show só, você faz uma gira, porque os contratantes dividem os custos.
A partir desse ponto, Edu começou a dar os primeiros passos do que viria a se tornar a sua carreira solo:
Esse cara me ligou e falou que queria que eu fosse fazer um show no Peru. Eu perguntei: “Mas você vai levar o Almah?”. E ele respondeu: “Não. Todo mundo quer você. Quer ver você cantando Angra”. Porque eu já não cantava mais Angra. Eu cantava “Heroes of Sand” no show, talvez “Nova Era”, uma ou duas músicas nos shows do Almah. Aí ele falou: “Não, cara. Você tem que vir para cá só para cantar Angra”. Eu respondi: “Cara, mas eu não tenho nem banda. Que banda eu vou montar para tocar Angra?”. E ele disse: “Eu monto uma banda aqui no Peru”. Na hora eu falei: “Não, você está doido. Fazer uma banda no Peru para tocar Angra comigo?”. Falei para ele esquecer a ideia.
Mas ele insistiu e disse: “Cara, tem músicos muito bons aqui”. Então eu falei: “Tá bom, monta aí”. Eu lembro que cobrei um cachê alto justamente para não ir, pensando que ele não aceitaria. Só que ele respondeu: “Vou montar a banda e te mandar um vídeo”. E mandou. Os caras tocando perfeitamente, tirando todas as músicas. Aí ele falou: “Cara, vem para cá”. E eu fui fazer o show. Quando cheguei lá, o show estava lotado. Era tipo um festivalzinho e, no outro dia, tocaria o Joe Lynn Turner. Eu fiz o show e teve uma comoção muito grande, porque eu não tocava Angra havia muitos anos. A gente percebe isso do palco. Era aquela reação da galera: “Pô, é o Edu, o cara do Rebirth, da ‘Nova Era’, da época dos anos 2000”.
Falaschi então contou que um conselho de Joe Lynn Turner o ajudou a se decidir como trilhar o caminho da sua carreira solo:
Eu senti aquilo já no palco. Quando o show acabou, fui jantar com o Joe Lynn Turner. Ele não me conhecia. Chegou e perguntou: “Quem é você? Eu vi teu show lotado, todo mundo cantando as músicas. Eu nunca ouvi essas músicas na minha vida. Conta tua história”. Então eu contei para ele que não cantava mais Angra, que aquele show tinha sido algo atípico, que eu tinha uma banda nova chamada Almah, com músicas novas. Também contei que eu estava triste, pensando até em parar. E ele falou para mim: “Cara, você está indo pelo lado errado”. Ele disse assim: “Você já é um cantor que eu considero veterano. Você tem uma carreira longa, vários discos, vários sucessos. E está montando uma banda nova agora, com músicas novas. Mas o teu fã não quer ouvir suas músicas novas. Ele quer ouvir os clássicos. Quer ouvir ‘Rebirth’, ‘Nova Era’. É isso”. E, resumindo, foi assim que eu comecei a carreira solo.
Edu Falaschi se reunirá com a formação “Nova Era” do Angra no domingo do festival Bangers Open Air deste ano, encerrando o evento como o headliner da noite. Os ingressos estão disponíveis aqui. Posteriormente, a banda fará um show solo no Espaço Unimed e mais detalhes você encontra aqui.
Foto: André Tedim
