Em 13 de dezembro, separados por 16 anos, perdíamos Chuck Schuldiner e Warrel Dane

O que tinham em comum Chuck Schuldiner e Warrel Dane? Além de grandes amigos que foram, ambos se destacaram em suas respectivas funções, e morreram no mesmo dia 13 de dezembro, separados por 16 anos.

 

Chuck Schuldiner – o pai do Death Metal 

Chuck Schuldiner nasceu em 13 de maio de 1967, em Long Island. Um ano depois de seu nascimento, sua família mudou-se para a Flórida, onde ele cresceu e foi um dos responsáveis pelo nascimento da cena Death Metal naquele estado. Com 9 anos de idade, ele ganhou um violão e passou a estudar violão clássico, mas não gostou muito. Depois ganhou uma guitarra e ele se tornou uma figura notável no seu instrumento.

Em 1983 ele formou o Death, e com sua técnica extrema, se qualificou como um dos grandes músicos de seu tempo. É constantemente apontado como o pai do Death Metal. Diversos clássicos do estilo foram eternizados por ele, como “Crystal Mountain“, “Symbolic“, “Lack of Comprehension“, “The Philosopher“, “Scavenger of Human Sorrow“, entre outros. Lançou 7 álbuns com o Death e mais um com o Control Denied, um projeto que fez depois que deu uma pausa em sua banda principal.

Ele morreu muito jovem, em 2001, quando tinha apenas 34 anos. Dois anos antes, foi diagnosticado com câncer, e recebeu ajuda financeira de fãs do mundo inteiro. Passou por uma cirurgia, aparentemente bem sucedida, mas uma pneumonia acabou levando para sempre o guitarrista/ vocalista. Deixou um riquíssimo legado.

Warrel Dane – muito além de uma voz poderosa 

Warrel Dane, por sua vez, nasceu em 7 de março de 1961, em Seattle. Dono de uma voz potente, que se destacava por alcançar notas muito altas, e era também dotado de um carisma sem tamanho em cima do palco, com postura progressista e letras inteligentes, também se destacou na cena.

Warrel era formado em filosofia, teologia e sociologia, treinou por cinco anos como cantor de ópera, além de ter sido um excelente chef de cozinha. Teve um badalado restaurante de comida italiana, junto com Jim Sheppard, em Seattle, que ele estava sempre acompanhando de perto quando não estava em turnê.

Apesar de ter se destacado no Nevermore, sua carreira começou no mesmo ano que Chuck Schuldiner, em 1983, com o Serpent’s Kinght, onde lançou algumas demos. Em 1985 foi para o Sanctuary e lá permaneceu até a banda terminar, em 1992, em uma briga entre os músicos. O primeiro álbum do Sanctuary foi produzido por Dave Mustaine.

Com o Nevermore veio o reconhecimento mundial. A banda durou 19 anos e se separou em 2011 após desentendimentos entre os membros. Mas deixou um excelente trabalho. Como seu amigo Chuck, também lançou 7 álbuns e  sua voz ficou eternizada em clássicos como “Narcosynthesis“, “Enemies of Reality“, “Born”, “Next in Line“, “I, Voyager”, “Beyond Within“, “Believe in Nothing“, entre tantas outras.

Warrel morreu em 2017, na cidade de São Paulo, aos 56 anos, enquanto gravava seu segundo álbum solo, “Shadow Work“. Era diabético, e não cuidava do seu nível glicêmico, além de ter problemas com bebidas alcoólicas. O guitarrista Johnny Moraes foi testemunha de sua passagem. Disse que ele comeu um pedaço de pão, deitou e não acordou mais. Os músicos brasileiros que o acompanharam nos anos finais, optaram por concluir as gravações do álbum, que foi lançado postumamente, aproveitando os vocais gravados das demos. 

Os amigos quase foram parceiros de banda

Além de diversas coisas em comum, ambos desenvolveram uma amizade quando Death e Nevermore fizeram uma turnê em conjunto, no ano de 1997. O Death estava divulgando o álbum “Symbolic“, enquanto que o Nevermore havia lançado “The Politics of Ecstasy“. Quando Chuck montou o Control Denied, ele convidou Warrel para gravar os vocais, mas os compromissos com o Nevermore o impediram de realizar a tarefa. Uma pena.

Eles marcaram uma geração. Chuck, com seu enorme talento, compondo alguns dos riffs mais bem trabalhados de toda a história do Death Metal, e Warrel, sendo talvez a principal voz do Heavy Metal entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000. Poderiam ter vivido mais. Chuck, foi vítima de uma fatalidade, e Warrel, não se cuidou como deveria. E quis o destino que os amigos se despedissem do mundo no mesmo dia 13 de dezembro, deixando os fãs órfãos. Lendas não morrem.

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

One thought on “Em 13 de dezembro, separados por 16 anos, perdíamos Chuck Schuldiner e Warrel Dane

  • 13/12/2025 em 9:02 pm
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    Saudade desses caras!!!!! Deixaram um grande legado e lição, valeu!!!!

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