Especial Bangers Open Air: Killswitch Engage retorna ao Brasil com álbum novo e legado de pilar do Metalcore Melódico
Texto: Tiago Silva
Fotos: André Tedim/Reprodução
A cena do Metalcore será muito bem representada no Bangers Open Air de 2026. Isso porque o Killswitch Engage, banda de Metalcore Melódico de Westfield, Massachusetts (EUA), será um dos headliners do primeiro dia de apresentações da edição deste ano do Festival, no dia 25 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
A apresentação marcará a quinta passagem da banda pelo Brasil desde sua primeira vez no país, em 2009. A última vinda ocorreu em 2024, na segunda edição do Summer Breeze, no mesmo local de onde voltarão a tocar.
Desta vez a banda, capitaneada pelo guitarrista e produtor, Adam Dutkiewicz, é considerada um dos pilares da consolidação do Metalcore Melódico e da sonoridade do estilo nos anos 2000, vem em meio às divulgações de seu mais recente trabalho, o nono álbum de estúdio intitulado “This Consequence”, lançado em fevereiro de 2025.

Sua sonoridade incrementa uma mistura precisa de vozes líricas e guturais marcantes tanto nas fases de Jesse Leach, quanto na passagem de Howard Jones, junto a ritmos poderosos do Metalcore, do Hardcore (mais presente nos primeiros álbuns) e até nuances de Heavy Metal em certas músicas. Tais elementos inspiraram as gerações de bandas futuras dos anos 2000 e 2010, assim como transformaram o Killswitch Engage em uma das melhores bandas do século XXI. Diversas faixas são consideradas “hinos musicais” por sua base de fãs, a destacar “My Last Serenade”, “My Curse”, “This Fire”, “The End of Heartache”, que são praticamente insubstituíveis nos setlists da banda estadunidense.
Abaixo você terá uma contextualização da história do Killswitch Engage, desde sua formação até os dias atuais. Confira!
Duas dissoluções e uma nova banda
Em 1998, o Overcast teve sua dissolução, enquanto em 1999 foi a vez do Aftershock. Ambas as bandas são reconhecidas por serem pioneiras do Metalcore e embriões do Metalcore Melódico.
E foram dessas bandas que saíram os membros fundadores e que compuseram a primeira formação do Killswitch Engage, em 1999. Ela continha Mike D’Antonio no baixo, Adam Dutkiewicz na bateria, Joel Stroetzel na guitarra e Jesse Leach, à época na banda Nothing Stays Gold, que foi recrutado para o vocal.
Os primeiros trabalhos
A primeira formação do Killswitch Engage foi responsável pelo EP homônimo, lançado em 1999 com quatro faixas: “Prelude”, “Soilborn”, “Vide Infra” e “In the Unblind”. Elas também foram incluídas no primeiro álbum da banda, de mesmo nome, cujo lançamento ocorreu em 04 de julho de 2000 pela Ferret Music, gravadora independente na qual Mike D’Antonio ajudava a desenhar capas de trabalhos lançados por ela.
Mesmo com a baixa venda de cópias e a ausência de singles, o álbum de estreia teve seus pontos de total importância para a banda, que chamou a atenção de Carl Severson, que trabalhava na Roadrunner Records na época e que apresentou a banda para representantes da produtora.
Contrato com a Roadrunner, mudanças na formação e segundo álbum
O Killswitch Engage assinou com a Roadrunner Records na virada do milênio, além de incluir Pete Cortese em sua formação. O guitarrista, que foi membro do Overcast, saiu em 2001 ao virar pai.
A banda, novamente como um quarteto, lançou seu segundo álbum, “Alive or Just Breathing”, em maio de 2002, que contribuiu para os moldes da sonoridade do Metalcore Melódico para os anos 2000 e que, anos depois, esteve entre citações e rankings dos melhores álbuns de Metal dos anos 2000 e do Metalcore em geral. O disco, produzido por Adam, conta com 12 faixas, dentre elas a clássica “My Last Serenade”, que contou com um videoclipe de divulgação; além de músicas como “Numbered Days”, “Self Revolution”, e as regravações de “Temple from the Within” e “Vide Infra”. Houve, também, as participações da irmã de Adam, Becka, e Philip Labonte vocalista do All That Remains e ex-Shadows Fall, em algumas das faixas.

Pouco após o álbum em questão, mudanças importantes foram realizadas na formação da banda: Adam Dutkiewicz voltou a ser um guitarrista e, na bateria, a banda recrutou Tom Gomes, ex-Aftershock, que ficou entre 2002 e 2003.
No entanto, a mudança mais impactante aconteceu com a saída de Jesse Leach, por meio de um e-mail à banda ainda em 2002 e perto de shows de uma turnê nacional para a divulgação do segundo álbum. Isso ocorreu em um contexto de problemas em sua voz e uma fase de problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, em meio à pressão com a vida na estrada e shows. Com isso, os membros do Killswitch Engage buscaram por outro vocalista, mas nunca perderam contato ou quebraram as relações com Jesse.
A era Howard Jones e a grande virada do KSE
Testes para um novo vocalista foram realizados e a banda optou por Howard Jones, na época vocalista da banda Blood Has Been Shed. Uma vez selecionado, ele ajudou o Killswitch Engage a concluir a turnê nacional e seguir com a turnê europeia em 2002, além de ter ficado na banda em definitivo.
Em 2003, Tom Gomes saiu da banda e deu lugar para Justin Foley, que também veio do Blood Has Been Shed e que permanece na banda até hoje. Assim, a formação com Adam Dutkiewicz, Howard Jones, Justin Foley, Joel Stroetzel e Mike D’Antonio concluiu as turnês do ano em questão e partiram para o estúdio para o terceiro álbum.

Foi dessa produção que saiu “The End of Heartache”, lançado em 11 de maio de 2004 com 12 faixas e que, no ano seguinte, teve uma versão especial com mais seis, sendo três delas ao vivo. Nele, a banda mergulhou ainda mais nas características do Metalcore Melódico, aproveitando e muito da versatilidade lírica e estridente de Howard Jones, além de uma condução melhor arranjada e trabalhada nas guitarras e demais instrumentos. O resultado foi de uma aceitação amplamente positiva da crítica, aparição nas paradas musicais mundiais e a consagração de mais um álbum dentre os melhores da história do Metalcore, assim como da banda em si.
Foi de “The End of Heartache” que saiu o single de mesmo nome, indicada para o Grammy de “Melhor Performance de Metal” e também presente na trilha sonora do filme “Resident Evil: Apocalypse.” (2004) e em jogos como “Guitar Hero: 3” e “Rock Band 3”. Além disso, faixas “When Darkness Falls”, primeira música com Howard Jones no vocal principal do KSE e que foi presença marcada na trilha sonora do filme “Freddy vs. Jason” (2003), “Take This Oath” (com participação de Jesse Leach), “Rose of Sharyn”, “World Ablaze” e “Hope Is…” (com mais uma participação de Phil Labonte) são outras das faixas marcantes do álbum.

Após as turnês pelos Estados Unidos afora, o Killswitch Engage voltou a lançar um álbum em novembro de 2006. “As Daylight Dies”, com produção de Adam e de Joel Stroetzel, se tornou outro marco dentro do Metalcore Melódico, com uma proposição da banda diferente do álbum anterior: ao invés da busca pela perfeição sonora, o foco foi maior na atitude da banda. O resultado veio em faixas como “Daylight Dies”, “The Arms of Sorrow”, “Unbroken”, “Break The Silence” e, principalmente, com “My Curse”, música que se tornou um clássico instantâneo dos anos 2000 e do Metalcore por um todo. Ainda por cima, a edição especial deste álbum trouxe mais quatro faixas, sendo que duas delas também viraram grandes marcos para a carreira da banda: “This Fire Burns”, que virou parte da trilha sonora da WWE na compilação “Reckless Intent” (2006) e, futuramente, a música-tema para a entrada do wrestler CM Punk; e “Holy Diver”, um cover de Dio que causou grande impacto pela forma como a banda adaptou ao seu estilo e usou muito bem da voz de Howard Jones.
Três anos depois, veio o lançamento do segundo disco autointitulado, lançado em 30 de junho de 2009. Além de ter sido o último com Howard Jones nos vocais, o primeiro álbum que a produção não partiu somente de membros do Killswitch Engage, tendo a participação do produtor musical e engenheiro de som Brendan O’Brien. Foi um dos álbuns mais vendidos da banda mesmo com as críticas mistas, cujos pontos negativos partiram da mixagem. Ainda assim, foi um álbum que gerou mais faixas de grande impacto, como “Starting Over”, “Reckoning”, “Never Again” e “A Light in a Darkened World”.
A saída de Howard Jones e o retorno de Jesse Leach
2012 começou com uma notícia de alto impacto para os fãs do Killswitch Engage: a banda anunciou, em 4 de janeiro daquele ano, a saída de Howard Jones. Os motivos, não esclarecidos de imediato, vieram a partir do vocalista tempos depois e eram relacionados aos problemas de saúde, incluindo sua diabetes tipo 2, agravada pela rotina de turnês com a banda, além de depressão maníaca e bipolaridade.

Com isso, a busca por vocalistas voltou à tona, gerando a decisão da volta de Jesse Leach por conta do domínio tanto do material que ele criou no início do KSE, quanto com o material dos álbuns com Howard Jones. Assim, seu retorno foi oficializado em fevereiro daquele ano, com sua reestreia em abril.
Leach participou da produção do sexto álbum de estúdio da banda, “Disarm the Descent”, que foi lançado em abril de 2013 com produção somente de Adam, alta receptividade dos fãs e críticas positivas da Imprensa musical por conta da velocidade e agressividade vocal das músicas, gerando outra música de grande destaque do repertório geral da banda, a faixa “In Due Time”, que chegou a ser indicada na categoria de “Melhor Performance de Metal” do Grammy de 2014.

Após a série de turnês para a divulgação do álbum nos anos seguintes, os membros do Killswitch Engage compuseram o sétimo álbum de estúdio da carreira, “Incarnate”, entre agosto e dezembro de 2015, com lançamento em 11 de março de 2016. Segundo membros da banda, foi um álbum caótico por conta dos bloqueios criativos de Jesse Leach ao longo da composição. Ainda assim, teve grande sucesso de vendas e participação nas paradas musicais, tendo singles como “Strength of the Mind”, “Hate by Design” e “Cut Me Loose”, além de outras faixas de destaque como “Alone I Stand” e “We Carry On”.
Tais problemas com o bloqueio criativo também foram presentes em Jesse Leach em meados de 2017 e 18, no início do período de composição para “Atonement”, álbum publicado em agosto de 2019 e que foi o primeiro pela Metal Blade Records. O vocalista vinha de uma cirurgia nas cordas vocais e conseguiu superar as dificuldades em compor letras por meio da motivação de Adam Dutkiewicz. O resultado foi um álbum poderoso e com diversas críticas positivas, além de participações de Chuck Billy do Testament na música “The Crownless King” e, principalmente, de Howard Jones, à época na banda Light The Torch, no dueto realizado em “The Signal Fire”, um demonstrativo de que Howard ainda era bem próximo dos ex-companheiros de banda. Outras músicas, como “Unleashed” e “Know Your Enemy”, também foram de destaque dentre as 11 faixas. Outras seis vieram em um EP de B-sides lançado em abril de 2020.
A banda após 2020
Depois dos lançamentos e toda a divulgação e shows envolvendo “Atonement”, a banda de Westfield voltou a se apresentar com regularidade a partir de 2022, com a volta progressiva de eventos pós-pandemia e vacinações e com o repertório de carreira da banda variado.

Um dos marcos veio em 2024, ano em que o Killswitch Engage comemorou seus 25 anos de existência e, em abril daquele ano, Howard Jones participou da execução de “The Signal Fire” em um show da banda, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos. Já em setembro, em uma edição do New England Metal & Hardcore Fest, Jones participou do show de reunião com a banda. Houve, também, uma parceria da banda com a revista Revolver!, lançando uma edição de colecionador da revista para o aniversário da fundação do grupo.
Já em fevereiro de 2025, os membros do Killswitch Engage lançaram “This Consequence”, nono álbum e trabalho mais recente da banda até então, com dez faixas e receptividade positiva. O disco é encabeçado pelos singles “Forever Aligned”, “I Believe”, “Collusion” e a poderosa “Aftermath”, que traduz muito bem o contexto raivoso e reflexivo à realidade do mundo nos últimos anos, assim como um chamado para o recomeço.
A banda ao vivo
A dedicação que o Killswitch Engage entrega em seus álbuns também é convertida nas apresentações ao vivo, com toda a técnica e poderio sonoro somadas à energia apresentada e cativada com os fãs. Há momentos de divertimento que também ocorrem, seja por parte de Jesse em certos discursos, seja pela forma que Adam Dutkiewicz se comporta no palco, fazendo brincadeiras no meio das músicas e discursos provocadores para os fãs.
Sobre o Bangers Open Air
O Bangers Open Air 2026 acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina em São Paulo. Os ingressos podem ser adquiridos aqui, lembrando que 70% deles já foram vendidos.
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