Fabio; Lione queria o Angra “mais no agora” e “comemorando menos o passado”

Junto ao Angra, Fabio Lione lançou três discos, sendo eles “Secret Garden” (2015), “Omni” (2018) e “Cycles of Pain” (2023) (leia resenha aqui). Curiosamente, dentro do periodo de lançaento de cada um desses discos, a banda optou por realizar uma comemoração do seu passado, celebrando discos como “Angels Cry“, “Rebirth“, “Temple of Shadows” e “Holy Land“.

Essas celebrações do passado parecem não ter deixado Fabio muito feliz, que disse em entrevista à Rolling Stone Brasil, “que o Angra focasse mais no presente”. Quando perguntado quais ressalvas ele tinha, ele responde:

Talvez eu só não aprove todas as escolhas dos caras. Gostaria mais que a banda estivesse sempre no agora. Preferiria uma banda olhando um pouco mais no futuro. Isso não significa que o Angra não olhou, porque Cycles of Pain foi um trabalho arriscado, tentamos não copiar o passado, finalmente me deixaram… compus oito linhas vocais e ajudei o Rafa em cinco letras. 

Secret Garden foram cinco músicas com a minha contribuição; no Omni, mais ou menos, sete; no Cycles of Pain, nove. Sei que uma parte dos fãs pode não gostar muito porque é progressivo, mas acho que não dá para tocar música do mesmo jeito de 30 anos atrás, com a bateria que parece de computador. Uma ou duas músicas pode até ser, depois vai cansar. E objetivamente, realisticamente, em 2026, com a música moderna, produção moderna, som moderno… não dá. Não pra fazer guitarrinha de videogame.

Quando perguntado o que Fabio espera do futuro do Angra, ele volta a falar que a banda olha muito para trás e pouco para frente:

Sinceramente, não sei o futuro da banda. Espero o melhor. Quando você me falou da entrevista do Rafael, ele fala: “estamos em hiato, vou fazer o Bangers e depois hiato”. Meio complicado se depois fizer uma turnê de 30 anos do Holy Land — meu achismo —, né? Não tenho nada contra o Rafa e contra os caras, mas uma banda precisa olhar para o futuro. Comigo já comemoraram 20 anos do Angels Cry, do Holy Land, do Rebirth, do Temple of Shadows… teremos que comemorar o passado sempre? Caramba.

Por um lado, gosto muito, porque o brasileiro gosta muito de comemoração. Mas a banda tem que fazer algo novo, surpreender, manter viva a atenção dos fãs. Se tem somente como planos um hiato e, não sei, uma possível comemoração de 30 anos do Holy Land, acho o prato um pouco vazio. Mas é meu achismo. Não acho que a banda vá comemorar 30 anos do Fireworks — e também não entendo o porquê, pois gosto do álbum, acho f#da, mas entendo que a recepção não foi tão boa como Holy LandRebirthCycles of Pain ou Temple of Shadows. Entendo isso.

O Angra se despedirá de Fabio Lione com um último show no Bangers Open Air 2026, onde além da despedida, acontece também o show com a reunião da formação “Nova Era”. Mais informações sobre o evento você confere aqui.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

One thought on “Fabio; Lione queria o Angra “mais no agora” e “comemorando menos o passado”

  • janeiro 26, 2026 em 3:48 pm
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    Difícil estar numa banda sem lembrar do passado e de seus clássicos. Qualquer banda e estilo hoje em dia vive de clássicos e lembranças em seus shows. Abraços!

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