Resenha: Angra – “Cycles of Pain” (2023)

Em mais de trinta anos de estrada, o Angra acaba de chegar “apenas” ao seu décimo álbum de estúdio. “Cycles of Pain” é o primeiro álbum lançado pela banda em cinco anos (o maior hiato entre álbuns da história do Angra) e o segundo com a atual formação.

Lançado via Atomic Fire Records em 03 de novembro, mesma data que o álbum de estreia “Angels Cry” também foi lançado, porém, 30 anos antes, “Cycles of Pain” marca o retorno do produtor Dennis Ward, cujo último trabalho com os brasileiros foi o excelente álbum “Temple of Shadows“, há dezenove longos anos.

Como de costume, o Angra também trouxe diversos convidados para participar de “Cycles of Pain“. A lista é longa e vai de Fernanda Lira à Lenine, passando por Angel Sberse, Amanda Somerville, Marcello Pompeu, Nando Fernandes, entre tantos outros. Com exceção de Lenine, que canta na primeira parte da música “Vida Seca“, todos os outros fizeram backing vocal.

A capa, belíssima, por sinal, é assinada por Erick Pasqua e sem dúvidas é uma das ilustrações mais bonitas lançadas por uma banda no corrente ano. Aliás, à exceção do álbum “Aurora Consurgens“, todas as capas de discos do Angra trazem imagens bonitas, então, já era de se esperar que no quesito capa, a banda iria arrebentar, como de costume. Não devemos julgar os livros pela capa, mas os álbuns do Angra sempre chamaram atenção pela beleza de suas capas.

Com a bolacha rolando, temos uma grata surpresa, pois o Angra apresenta, enfim, um disco à altura da sua importância no Heavy Metal nacional. Eles deviam um bom disco desde o já citado “Temple of Shadows“, que curiosamente tem o mesmo Dennis Ward na produção, que novamente caprichou na sonoridade. Tudo aqui soa perfeitamente audível e os músicos também ajudam. Entretanto, quem espera por Heavy Metal misturado com elementos de música brasileira, esqueça. Isso ficou lá no passado. O máximo de música brasileira que a gente tem por aqui é na parte que Lenine canta “Vida Seca“, que o ouvinte desavisado pode nem se dar conta que é o Angra tocando. A música fica boa para valer do meio para o final, quando ganha mais peso. Em “Cycles of Pain“, a banda navega pelo Prog/Power Metal, sendo que o primeiro estilo é o que predomina. As músicas são em geral, extensas, à exceção dos dois interlúdios, as demais têm duração média de 5 minutos. No total, temos 12 faixas em 56 minutos de duração.

As composições são bastante complexas e bem elaboradas. Podemos destacar “Ride Into the Storm“, “Dead Man on Display“, “Gods of World“, e a faixa-titulo. As guitarras estão com um timbre muito bom e aqui vale dizer que Felipe Andreoli além de ter gravado seu baixo de forma sensacional, também tocou guitarra base, junto com Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa. Fabio Lione também esbanja talento com sua voz inconfundível.

Se “Cycles of Pain” será um dia colocado na mesma prateleira de clássicos como “Angels Cry“, “Holy Land“, “Rebirth” e “Temple of Shadows“, nós não sabemos, mas, o novo lançamento do Angra está muito longe de ser um álbum ruim e representa um bom retorno após discos de baixíssima inspiração. Valeram a pena os cinco anos de espera por um novo play. Só nos resta saber se em um eventual novo play, teremos de volta Kiko Loureiro, que recentemente anunciou que seguirá de fora do Megadeth. O tempo dirá.

NOTA: 8.0

One thought on “Resenha: Angra – “Cycles of Pain” (2023)

  • novembro 29, 2023 em 6:05 am
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    Muito boa a resenha. Descreve perfeitamente o quão bom ficou esse disco. Só um apontamento. Não somente Vida Seca, mas a música Faithless Sanctuary também tem muitos elementos de música brasileira. Ela basicamente começa com um baião.

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