Há 30 anos, o Alice in Chains subia ao palco para gravar o seu “Unplugged” sob clima de melancolia e incertezas

Há 30 anos, em 10 de abril de 1996, o Alice in Chains subia ao palco do programa MTV Unplugged para registrar uma das apresentações mais marcantes da história do rock. Gravado no Majestic Theatre, em Nova York, o concerto acústico marcava o retorno do grupo após mais de dois anos sem shows — período marcado por problemas de saúde, dependência química e incertezas sobre o futuro da banda.

O show também seria uma das últimas grandes aparições do vocalista Layne Staley, cuja luta contra o vício em heroína havia paralisado as atividades do grupo desde 1994. A dependência afetava diretamente a agenda da banda, que chegou a cancelar turnês e entrou em hiato após o lançamento do álbum autointitulado de 1995, incapaz de promovê-lo ao vivo.

Um retorno cercado de problemas

A gravação do Unplugged não marcava somente o reencontro do Alice in Chains, mas era também um momento delicado. Ensaios foram irregulares e prejudicados por atrasos e ausências, refletindo a instabilidade interna que a banda vivia naquele período. Segundo relatos, havia pouca preparação e a sensação era de que o grupo entraria no palco “na raça”, sem a estrutura ideal.

Apesar disso, a apresentação acabou se tornando histórica, com versões acústicas de clássicos e a estreia da inédita “The Killer Is Me”.

Jerry Cantrell doente e o balde ao lado do palco

Um fato curioso da gravação está o estado físico do guitarrista Jerry Cantrell. Ele sofria de intoxicação alimentar após consumir um cachorro-quente antes do show e teve alguns episódios de diarréia antes do show começar, além de sentir nauseas, o que fez com que um balde fosse posto próximo ao palco caso o músico se sentisse mal durante a realização do show. .

Mesmo debilitado, Cantrell seguiu tocando e cantando ao longo da performance, ajudando a sustentar o show em um momento em que o restante da banda também enfrentava dificuldades.

O estado de Layne Staley e o clima tenso

A situação de Staley também preocupava. O vocalista aparentava fragilidade física, reflexo dos anos de dependência química. Durante o período, o músico chegou a admitir que o uso de drogas havia se tornado um “inferno” e causava tensões internas na banda, o que levou ao cancelamento de várias datas de shows, além de um longo atraso na finalização do então último disco de estúdio, o homônimo, ou como ficou conhecido, “Tripod”, por conta do cachorro de três patas em sua capa.

Além disso, relatos indicam que o clima nos bastidores era instável, com membros e equipe lidando com sintomas de abstinência e dificuldades logísticas antes do início da gravação.

Primeiro show em mais de dois anos

O Unplugged marcou o primeiro concerto do grupo desde o início de 1994. A ausência prolongada havia alimentado rumores sobre o fim da banda, e o convite da MTV acabou sendo visto como uma oportunidade de retorno — ainda que em circunstâncias frágeis.

A apresentação seria exibida em maio de 1996 e lançada oficialmente em julho do mesmo ano, estreando em terceiro lugar na Billboard 200, com momentos marcantes como a versão acústica de “Down in A Hole“, realçando ainda mais sua tristeza, a já citada estreia de “The Killer Is Me“, entre outras várias.

Um registro histórico e melancólico

Com iluminação intimista e repertório introspectivo, o show ficou marcado como um retrato honesto do momento vivido pelo Alice in Chains: musicalmente poderoso, mas carregado de tensão emocional. Pouco tempo depois, Staley voltaria a se afastar dos palcos, tornando o Unplugged uma das últimas performances importantes com sua formação clássica.

Três décadas depois, o concerto segue lembrado não apenas pela qualidade musical, mas pelo contexto dramático em que foi gravado — com uma banda fragilizada, mas que acima de tudo, era de uma qualidade musical exacerbada e quando no palco, as coisas pareciam acontecer sozinhas e eles se guiavam, entregando um show que fica na memória de muitos e muitos e marca um dos maiores registros do rock já feitos.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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