James “Munky” Shaffer fala sobre novo disco do Korn e como é compor sem Fieldy

Um novo disco do Korn vem aí e já está em processo de produção. Em conversa com a Rolling Stone Brasil, o guitarrista James “Munky” Shaffer falou sobre o novo registro, o primeiro desde “Requiem” de 2022, e o com maior espaço de tempo entre um lançamento e outro que a banda já teve.

Quando questionado sobre novas músicas, Munky diz, conforme transcrito pelo Confere Rock:

Juro por Deus, nós provavelmente escrevemos quase 40 músicas, revisamos, reescrevemos, descartamos e até destruímos várias delas. Nós desmontamos e reconstruímos tudo. Tem sido um processo bem longo porque somos muito críticos em relação ao que fazemos hoje em dia.

Somos extremamente criteriosos porque não fazemos isso apenas por fazer. Queremos manter o nosso som original, e não dá para fugir disso. Quando começamos a tocar juntos, soa naturalmente como Korn, especialmente com nós cinco. E o Ra (Díaz) tem sido uma adição incrível, trazendo muita energia para a seção rítmica. Ele e o Ray tocam muito bem juntos, e é divertido ver os caras ensaiando as partes porque eles fazem coisas que eu jamais imaginaria. Essa parceria entre os dois tem sido uma parte fundamental do processo de composição, porque eles nunca haviam trabalhado juntos em um disco. Obviamente, já tocaram juntos músicas antigas e tudo mais, mas acho que aprender as partes rítmicas das músicas mais antigas realmente deu a eles uma noção do que existe no catálogo clássico da banda. E eles trouxeram essa mesma vibe para as coisas mais recentes que escrevemos, e isso é empolgante.

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Ele continua:

Estamos tentando mostrar, como artistas — e isso vale para qualquer artista — que você não quer pintar o mesmo quadro repetidamente. Você quer adicionar um pouco de sabor, um pouco de cor, algo novo para manter tudo fresco, para que os ouvintes ainda sintam o som clássico, mas com abordagens inovadoras.

Então é isso. Ainda soa como Korn, com certeza. Não tem eletrônica pesada nem nada muito fora do comum. Ainda é algo muito focado em guitarra, sabe? E com muito baixo também.

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Munky ainda falou sobre o longo hiato entre um disco e outro, fato esse que não era comum anteriormente, pois era convencional o Korn lançando disco de dois em dois anos. Ele diz:

Bem, tivemos uma agenda de turnês muito intensa, especialmente depois da pandemia. Estávamos muito animados para voltar para a estrada. Não lembro exatamente quando foi, mas acho que aconteceu logo depois que lançamos “The Nothing”. Tínhamos algumas turnês planejadas e estávamos muito empolgados porque eu adoro aquele disco, e ele realmente não teve o momento que merecia. Nós praticamente não tivemos a chance de sair em turnê para divulgar o álbum.

E quando estávamos no Colorado, eu estava ficando louco de ficar preso em casa. Então meio que reuni todo mundo para perguntar se poderíamos nos encontrar em segurança em um estúdio. E foi daí que nasceu “Requiem”. Acho que foi muita estrada, muita turnê, e nós decidimos levar o tempo necessário para lançar algo que realmente quiséssemos.

Não queríamos lançar algo medíocre. É por isso que continuamos escrevendo e reescrevendo. E, honestamente, é isso que queremos fazer. Queremos lançar músicas novas. Poderíamos simplesmente continuar fazendo turnês tocando os discos antigos, mas gostamos de manter algo novo acontecendo. Acho que nos inspiramos muito no Metallica nesse aspecto. Você sempre pode continuar escrevendo músicas novas, gravando e lançando material novo. E isso é divertido. Nós amamos o processo de compor e gravar tanto quanto amamos fazer turnês.

Munky ainda falou sobre a separação com Reginald “Fieldy” Arvizu, que anunciou seu desligamento do Korn em 2021:

Houve momentos em que foi difícil imaginar o que poderia acontecer se ele ainda estivesse na banda, tipo pensar no que ele faria ou como abordaria certas partes. Mas, nos últimos dois discos, ele meio que já estava desconectado, sabe? E tentar convencê-lo a participar acabava sendo um pouco difícil, até mesmo para ele simplesmente permanecer na sala enquanto estávamos escrevendo.

Ele sempre saía, ficava alguns minutos ali, mas depois perdia o foco e a motivação, eu acho. Mas tudo bem. Acontece. As coisas são cíclicas. Não estamos bravos com ele nem nada disso. Nós queremos que ele seja feliz, e ele simplesmente não parecia feliz sendo músico profissional naquele momento. Então foi meio que uma decisão mútua. Eu nem gosto de chamar de separação, porque ainda uso a palavra “hiato”. Acho que ele só precisava de uma pausa, porque nós realmente nos matamos de trabalhar. Mesmo quando não estamos em turnê, estamos compondo músicas ou trabalhando em outras coisas. E quando voltamos para casa, descansamos algumas semanas e logo depois já estamos de volta à ativa. Acho que esse tipo de rotina acabou ficando pesado demais para ele depois de 30 anos. Isso exige muita resistência. E acho que naquele momento ele simplesmente não tinha mais isso, ou talvez estivesse lidando com muitos problemas pessoais. Ele não estava feliz. Era evidente que não estava feliz. E, no fim das contas, ele é nosso irmão, e queremos que ele seja feliz. Então foi algo como: faça o que precisar fazer. Apenas cuide de si mesmo. Mantenha-se saudável, cuide da sua saúde mental e vá atrás daquilo que realmente te faz feliz.

O Korn se apresenta em São Paulo no próximo sábado, 16, no Allianz Parque, pela primeira vez como atração principal em um estádio no país. Eles serão acompanhados do Spiritbox, Seven Hour After Violent e o Black Pantera. A realização é da 30e.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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