Jay Jay French fala sobre o Twisted Sister ter abandonado a maquiagem: “melhor coisa”
O Twisted Sister foi marcado por sua maquiagem, principalmente seu vocalista Dee Snider, mas ao longo dos anos, isso foi deixado de lado. O guitarrista Jay Jay French falou sobre a decisão da banda em abandonar esse visual.
Em entrevista ao Metal Mayhem ROC, confirmou que não há nenhum plano para que eles voltem a usar maquiagem nos próximos shows que a banda irá realizar. Ele diz:
“Não, não usamos a maquiagem há 15 anos. Paramos com isso. E paramos por causa de uma história engraçada, na verdade… É muito engraçada mesmo.
Paramos com toda essa coisa de maquiagem em 2008 completamente por acidente. Estávamos tocando em um festival na Holanda [no Arrow Rock Festival, em Nijmegen, Holanda] — um festival enorme, de um dia só — com Reo Speedwagon, Kansas, Motörhead, Whitesnake, Journey, Twisted Sister, Def Leppard e Kiss. Tudo em um único dia. Imagine só: um dia. Era em um campo gigantesco, e os ingressos custavam 79 euros. Você consegue imaginar? Para todas essas bandas — todas essas bandas incríveis. Todas elas têm muitos hits. Journey, Whitesnake, Twisted Sister, Motörhead, Reo Speedwagon, Kansas… Quer dizer, todo mundo tem hits. Kiss — hits em todo lugar.
E o produtor disse: “É, isso vai ser perfeito”. Todos fariam uma hora de show a partir do meio-dia, com exatamente duas apresentações a cada hora cheia. Então, tínhamos 50 mil crianças em um campo, caminhando de uma ponta à outra para ver a próxima banda, e assim por diante.
Nosso horário de apresentação naquele show era às quatro da tarde. O Kiss tocaria às sete. Eles eram a atração principal. Então, acho que nós realmente nos apresentamos às quatro da tarde. Chegamos lá um dia antes — exceto o vocalista Dee Snider. Dee decidiu pegar o último voo de Nova York para chegar a Amsterdã às oito da manhã e seguir de carro até Nijmegen, que fica a duas horas de distância, para fazer o show.
Dee foi ao aeroporto Kennedy, embarcou no avião, tomou um Ambien [um medicamento usado principalmente para o tratamento de curto prazo de problemas de sono] e dormiu. Ele acordou sete horas depois e disse ao cara ao lado dele: “Nossa, cara, que voo. Nem pareceu que se moveu”. E o cara respondeu: “Porque não aconteceu. Ficamos oito horas em espera por causa do mau tempo”.
O voo não havia decolado. Quando finalmente partiu, chegou às 14h no aeroporto de Schiphol [em Amsterdã], e não havia a menor chance de Dee chegar ao show. O produtor estava lá sentado, e nós estávamos todos sentados de camiseta e jeans. Então o produtor disse: “Vocês sabem que, se não tocarem, perdem o dinheiro”. Nós sabíamos disso.
Ficamos pensando: “Bom, acho que essa foi a única vez que isso aconteceu, mas parece que não vamos conseguir tocar”. Então, meu empresário e agente de turnê, Danny, disse: “E se levarmos o Dee de helicóptero? Podemos conseguir isso”.
O local era um campo enorme. Atrás do palco havia um espaço imenso, e, se conseguíssemos que a polícia concordasse em deixar o helicóptero pousar ali, Dee chegaria a tempo e faríamos o show. Então, eles concordaram.”
Ele continua:
O problema de conseguir um helicóptero na Holanda é que, quando você consegue um helicóptero na Holanda, você consegue o helicóptero que está disponível na Holanda. É um helicóptero só, e custa uma fortuna. Mesmo assim, conseguimos o helicóptero.
Estávamos todos sentados no camarim, de camiseta e jeans. Eram dez para as quatro da tarde. Achávamos que não íamos entrar no palco. Então ele pousou. Dee saiu do helicóptero de camiseta e jeans. O helicóptero era tão pequeno que não cabia uma mala. Ele não tinha roupa de palco, nem maquiagem, nem nada.
Então ele disse: “Bem, rapazes, vamos subir no palco e arrasar”. O Kiss era a atração principal. Era a primeira vez que tocávamos com o Kiss. Como eu conheço aqueles caras há um milhão de anos e já fiz teste para eles, para mim era tipo: “Ah, vamos lá, vamos sacudir todo mundo e ferrar com eles”.
Então subimos ao palco de camiseta e jeans — a primeira vez na vida. Fizemos o show. As pessoas ficaram meio… quer dizer, não sei se ficaram em choque por nos apresentarmos de camiseta e jeans, mas, no dia seguinte, no jornal nacional holandês, havia uma enorme matéria de capa sobre o show, e só tinha uma foto nossa.
A única foto de banda era a nossa. Dizia que o Journey foi ótimo, o Kiss foi ótimo, o Whitesnake foi ótimo, todo mundo foi ótimo, mas que a única banda que proporcionou uma experiência quase religiosa foi o Twisted Sister.
Então pensamos: “Nossa. Por que estamos usando essa porcaria?”. E foi isso. Aí eu pensei: “Ok, estou me preparando para os e-mails. Estou pronto para o ataque”. Só um e-mail chegou, e um fã disse: “Pensei que vocês estivessem maquiados”. Foi só isso.
French continuou dizendo que abandonar a maquiagem foi “a melhor coisa que poderia ter nos acontecido, e vou explicar por quê. Porque havia pessoas que não gostavam de nós por causa da nossa aparência”, explicou. “Elas não conseguiam superar isso. Bem, agora não estamos dando a elas um motivo para não gostarem de nós. Então, nossa popularidade aumentou ainda mais. Nos tornamos mais bem-sucedidos. Os shows ficaram maiores, as propostas maiores, os festivais maiores. E, quando nos afastamos em 2016, a média de público por noite era de 75 mil pessoas, chegando a 110 mil no máximo”.
O Twisted Sister é a atração principal do Bangers Open Air no sábado do festival, e os ingressos estão disponíveis neste link. O evento acontece nos dias 25 e 26 de abril no Memorial da América Latina. French, Snider e o guitarrista de longa data Eddie Ojeda. O baixista Mark “The Animal” Mendoza não participará da celebração. Russell Pzütto, que já fez turnês com os projetos solo de Snider, substituirá Mendoza no baixo. Joe Franco, que tocou brevemente com o grupo em meados da década de 1980, assumirá a bateria, substituindo AJ Pero, que faleceu em 2015 aos 55 anos compõe a atual formação da banda.
