Jay Weinberg fala pela primeira vez sobre demissão do Slipknot e revela que “vivia sob ameaça”

Em 2023, os fãs do Slipknot foram pegos de surpresa quando a banda anunciou que Jay Weinberg não seria mais o baterista da banda. O comunicado aconteceu poucos dias após um show da banda no México, o último daquele ano e que parecia que seguiria normalmente.

Por muito tempo, Jay optou por não dar maiores esclarecimentos sobre o ocorrido, mas em uma recente entrevista a Rolling Stone, ele falou pela primeira vez sobre a demissão. Ele começa com um longo depoimento, revelando que vivia sob ameaça constante de ser demitido e que o fato se desenrolou devido a uma cirurgia a qual seria submetido:

Bem, voltando um pouco atrás, desde 2018, eu vinha sentindo uma dor significativa no meu quadril esquerdo enquanto me exercitava. Avisei a gerência: “Estou com um problema no quadril. Não sei o que é, mas vou monitorar”. Isso não me impediu de tocar, mas era algo que eu estava ciente. Fiz uma ressonância magnética no início de 2020, quando não estávamos em turnê. Todo mundo estava em lockdown por causa da Covid.

Ele continua:

Fiz uma ressonância magnética e descobri que tenho o que se chama de impacto femoroacetabular, ou FAI, que basicamente significa que rompi o labrum do quadril devido à corrida e ao kickboxing. Eu não conseguia correr por mais de cinco minutos sem ficar impossibilitado de andar por vários dias. Então contei aos meus colegas de banda e à minha equipe o que meu médico me disse. Na época eu tinha 30 anos, e ele me disse: “Faça isso quando você for mais jovem. Você terá mais chances de se recuperar rapidamente, dê a si mesmo cinco ou seis meses de recuperação.”

Então, eu abordei a banda e disse: “Ei, não estamos fazendo nada agora. Levaria seis meses para eu me recuperar. É algo que eu consigo fazer?” E me pediram para não fazer a cirurgia corretiva porque temos um disco para gravar. Temos que sair em turnê, e tudo mais. Então, não posso adiar essa operação. Ao longo dos anos, fui condicionado com a ameaça constante de: “Você sempre pode ser demitido, você sempre pode ser substituído”. Com isso reforçado no ambiente, fica difícil tomar decisões baseadas na saúde, porque você pensa: “Não vou ultrapassar os limites, pois não quero perturbar a paz e não quero ser substituído”.

Passaram-se alguns anos e, felizmente, a dor não piorou com as turnês e os shows, mas certamente não melhorou. Então, em setembro de 2023, vi em nossa agenda que tínhamos shows até novembro e que o próximo seria em abril do ano seguinte. Elaborei um plano para fazer a cirurgia em novembro de 2023, logo após o último show daquele ano. Eu tinha dito à banda: “Temos essa janela de tempo. Vou conseguir me recuperar antes do próximo show. Se quisermos ser criativos nesse período, trabalhei com uma empresa chamada MixWave, onde criei um instrumento virtual para ter meus próprios sons de bateria à disposição. Se eu estiver de muletas e não puder andar, não poderei tocar bateria, mas ainda poderei programar e manter o espírito criativo”, só para garantir que tudo estivesse em ordem, e eles aprovaram. Disseram: “Sim, tudo certo. Pode fazer a cirurgia.”

Então, acordei na manhã seguinte à nossa última apresentação juntos, depois de voltar de viagem, e recebi um telefonema do empresário da banda, informando que eles haviam decidido não renovar meu contrato no final do ano. Fiquei chocado e cheio de perguntas. Pensei: “Por quê? O que aconteceu?” Para ser sincero, isso aconteceu no final de um ano muito difícil para a banda. Talvez isso tenha relação com algumas tensões pré-existentes, anteriores à minha chegada, e com o meu retorno. Mas não recebi nenhuma explicação, apenas a resposta: “É uma decisão criativa e você não é mais o baterista do Slipknot”. E o que ele disse em seguida foi: “Gostaríamos de divulgar um comunicado conjunto com você amanhã. Pense sobre isso hoje. Estarei à sua disposição pelo resto do dia, caso queira conversar”.

Jay fala como a demissão o abalou completamente:

Meu mundo desabou debaixo dos meus pés. Aquilo a que me dediquei com total foco, empenho, atenção e amor, agarrando-me a um sonho, apesar das dificuldades, apesar de tudo o que acontece ao entrar num ambiente tão volátil e sombrio, só me restou a dúvida. Então, saí para caminhar com a minha esposa para clarear a mente e processar o que tinha acabado de acontecer. E, 20 minutos depois, eles publicaram a sua própria declaração online.

Weinberg então fala como se sente hoje em relação a tudo o que ocorreu:

Quer dizer, como alguém se sentiria? Isso resume perfeitamente a confusão da situação. E como eu disse, aconteceu depois de um ano extremamente tenso para a banda, coisas que eu só conseguia enxergar como um observador externo em relacionamentos de 25 anos. Aconteceu sem explicação, sem motivo. Foi confuso na época. Para ser sincero, continua sendo confuso.

Como recém-chegado, acho que ficar no meio dessas tensões preexistentes faz com que você tente navegar por elas da melhor maneira possível. Um cara tem um jeito de fazer as coisas, outro tem outro jeito, e isso se multiplica por outras oito pessoas, tentando satisfazer a todos. Esse foi meu foco principal por 10 anos. Me dediquei de todas as formas possíveis. Como recém-chegado, e como você mencionou, você fica pensando: “Você faz parte da banda? Você não faz parte da banda?”. Como você define isso depois de 10 anos? Não é pouco tempo. Mas é fácil para um recém-chegado, como eu, ficar no fogo cruzado. Talvez eu tenha me tornado o bode expiatório para certas coisas. 

Ao longo dos últimos dois anos, processando tudo isso, quis aproveitar essa experiência e, obviamente, aprender com ela. Quero vivenciar essas novas experiências que estou assumindo agora, essas diversas colaborações que estou realizando, tocando com o máximo de pessoas possível e encontrando esses relacionamentos em um ambiente onde tudo é tão novo para mim. Estou entrando em ambientes criativos, seja em um estúdio ou tocando ao vivo, onde existe amor e respeito mútuo de maneiras que nunca experimentei antes. 

Existe uma banda incrível que talvez você conheça, King Gizzard & the Lizard Wizard. Fiz amizade com eles no último ano e meio. O baterista deles, Cavs, foi a um show que eu fiz com o Infectious Grooves. Esses caras me mostraram como pode ser um ambiente criativo positivo, baseado no respeito mútuo. É como encontrar água no deserto. Todas essas novas amizades que construí nos últimos dois anos me dão essa sensação, e com certeza a do Suicidal Tendencies se encaixa nessa categoria.

O anúncio de Jay Weinberg aconteceu em outubro em novembro de 2023 e recentemente, ele colocou diversos modelos de bateria que usou no Slipknot a venda. Com a sua saída, a banda recrutou o brasileiro Eloy Casagrande para o posto.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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