João Gordo ironiza, “pior que comunista de Iphone, é o bolsominion sem helicóptero”
A clássica frase, “comunista de Iphone”, deve ser uma das mais digitas pela internet sendo para alguns, um argumento inváriavel e que “fecha a tampa” do caixão de qualquer conversa e debates de temas políticos.
João Gordo, um dos alvos mais atacados pela ala direita dos fãs de metal e rock do Brasil, debateu sobre a frase em participação ao podcast Desprogramados. O vocalista do Ratos de Porão foi perguntado sobre, se em algum momento de sua vida de repórter em tempos da MTV, ele teve que falar com alguém que ele não era muito “chegado”. Ele então responde, conforme transcrito pelo Confere Rock:
Cara, uma grande maioria. Você não pode julgar o cara só pela música que ele canta, tá ligado? Às vezes você pensa: “Mas esse cara é um filha da p***”. Não, cara. Sabe aquele artista cuja música você acha uma bosta? Eu conheci várias pessoas cujo som eu não curto e, mesmo assim, sou apaixonado por elas. São gente boa. Eu trabalhei na MTV por 12 anos, então tô baseado nisso, entendeu? Eu conheço todo mundo.
Gordo então relembra um momento que cometeu uma gafe com o cantor Ney Matogrosso:
Um exemplo que eu uso sempre: uma vez eu trombei o Ney Matogrosso no Rock in Rio (acho que ele tava tocando com a Nação Zumbi). Eu tava doidão, cara, e no nosso camarim tinha acabado a cerveja. O camarim dele tava aberto, ele tava lá. Aí eu falei: “Ô, Ney, posso pegar uma cerveja aí?”. Ele falou: “Pode”. Peguei uma, coloquei outra no bolso e abri mais uma. Aí virei pra ele e falei: “Porra, Ney, meu sonho é te entrevistar, cara”. Ele respondeu: “Você já me entrevistou duas vezes”. [risadas]
Na sequência, João é questionado sobre o ódio mútuo, tanto da parte dele com o sistema quanto o que você recebia de volta, te alimentava de alguma maneira?
Cara, teve uma época em que eu “chutei o balde”, porque fui absorvido pelo sistema, praticamente. “Ah, o Gordo vendido.” Vai tomar no c*, mano. Você tá ali, ralando pra caramba, e ainda te chamam de desgraçado. Aí os caras te oferecem um cachê, um salário. “Você vai ser repórter aqui e vai ganhar R$ 30 mil por mês.” Você aceita? Ou vai falar: “Não, eu sou punk, não vou”?
Perguntado se ele se incomoda por ser chamado de “vendido” e de “comunista de iPhone”, João Gordo então responde:
Mas o pior é o “bolsonarista sem helicóptero”. O básico, né? O cara não tem um helicóptero, não tem um jatinho. E eu nem uso iPhone, uso um Samsung velho. [risadas]
Te oferecem R$ 30 mil pra fazer um trampo bacana. E olha que naquela época nem tinha rede social. Eu era cobrado pra caramba pelo meu público. Imagina hoje.
Aí eu pensei: lógica. Se eu fizer ou se eu não fizer, os caras vão me xingar do mesmo jeito. Então é melhor ser xingado ganhando bem do que ser xingado duro. Com certeza. “Famoso pra c* e durão”
Durante a conversa, ainda foi falado como Racionais, um dos principais grupos de rap do Brasil, é taxado de “playboys”, principalmente seu vocalista Mano Brown, por simplesmente irem de avião para outro país fazerem show.
Mas, para um cara radical, se você já andar de avião, você já é “boy”. Então, pra fazer uma turnê, se eu fosse raiz mesmo, pra vir pra Floripa eu teria que vir de skate, mano. Ou rolando igual aqueles caras na Índia lá.
A entrevista completa pode ser vista abaixo
