Lynyrd Skynyrd emociona em primeiro encontro com o Rio de Janeiro
Texto: Carlos Monteiro
Fotos: Ian Dias
O primeiro show do Lynyrd Skynyrd no Rio de Janeiro demorou tanto para acontecer que não há mais nenhum integrante da formação original, de 1964. A banda que levou bastante gente ao Qualistage neste domingo de Páscoa (05/04) é hoje um tributo aos áureos tempos, como bem admitiu recentemente o vocalista Johnny Van Zandt, desde 1987 no posto e irmão mais novo do falecido cantor original Ronnie Van Zant.
Além de Ronnie, outras quatro pessoas também morreram no fatídico acidente aéreo de 1977: os dois pilotos e os irmãos Steve (guitarra) e Cassie Gaines (backing vocal).


E não há nada de errado em ser um tributo, pois o público em geral já se acostumou a ver o repertório do Lynyrd Skynyrd bem executado há décadas. É certo que o futuro ficou ameaçado desde a morte do último integrante original em 2023, o guitarrista Gary Rossington. Porém, as famílias dos falecidos músicos decidiram dar seu aval para a continuidade dos shows.
O restante da banda é composta hoje pelo longevo Rickey Medlocke (guitarra), Mark Matejka (guitarra), Damon Johnson (guitarra), Peter Keys (teclado), Robbie Harrington (baixo), Michael Cartellone (bateria), Carol Chase e Stacy Michelle (backing vocals).

Foi essa trupe de calejados roqueiros que transformou a casa da Barra da Tijuca numa celebração do southern rock, o clássico rock sulista dos Estados Unidos. Antes do Lynyrd, estiveram no mesmo set a nova geração de Jayler e Dirty Honey, num mini-festival derivado do Monsters of Rock, realizado dia 4 de abril em São Paulo.
Embora o público tenha reagido mais animadamente nos grandes hits, o show é uma aula de southern rock. Exatamente cinco minutos antes do horário marcado, 21h30, entrou no sistema de som da casa o clássico “Panama”, do Van Halen, seguido de um vídeo resgatando a história da banda. Daí em diante, os nove integrantes atacam com “Workin´ For MCA”, seguida de “What´s Your Name” e “That Smell”, aquela que faz referência a um certo cigarro cheiroso e outras drogas ilícitas.


As três primeiras músicas dão o tom dos três álbuns mais bem representados no setlist: Pronounced ‘Lĕh-‘nérd ‘Skin-‘nérd” (1973), “Second Helping” (1974) e “Street Survivors” (1977), lançado a poucos dias antes do acidente aéreo e cuja capa trazia os integrantes à frente de um fogaréu. Devido à triste coincidência, precisou ser trocada.
Chega então a balada “I Need You”, também de Second Helping, dedicada às moças na plateia. Mais à frente, “Still Unbroken” resgata o álbum “God and Guns”, mais “recente”, de 2009, para provar que a banda segue inquebrável.

Na sequência que leva ao fim do show, tome hits: a ótima “The Needle and The Spoon”, com referência a heroína, e “Tuesday ‘s Gone”, acrescida de homenagem no telão com várias imagens de Gary Rossington. A belíssima e emblemática “Simple Man” vem então para elevar a emoção ao auge.
“Gimme Three Steps” e “Call Me the Breeze”, essa uma cover de J. J. Cale, prepararam o terreno para a super identificável “Sweet Home Alabama”, iniciada por uma breve parte de “Red White & Blue”, que, apesar de falar das cores da bandeira norte-americana, aparece no telão ao lado da brasileira.

Após um breve intervalo para o bis, a volta dá o tom espalhafatoso do sul dos Estados Unidos com um enorme pássaro dourado colocado em cima do piano de Peter Keys, ele mesmo todo paramentado com cartola e fraque coloridos, um ”figuraça”.
Já sabemos que é a vez da derradeira “Free Bird”, agora com homenagem no telão a Ronnie Van Zandt, que até faz um dueto com seu irmão Johnny, cantando do meio para o final.
A letra fala de partidas, lembranças e voar livre como um pássaro, num belo encerramento dessa viagem nostálgica e vigorosa por um tipo de música essencialmente norte-americano. E que está há muitas décadas no gosto dos roqueiros brasileiros, finalmente vivenciada ao vivo pelos cariocas.

