O disco perdido (e mais gótico) do Evanescence

Não é nenhum segredo para os fãs de longa data do Evanescence, que “Fallen” não é exatamente o primeiro disco da banda. Antes do sucesso estrondoso do álbum, o grupo havia trabalhado um material que soava mais “cru” e ao mesmo tempo, com muito mais ares do gótico do que a “estreia barulhenta”.

Estamos falando de “Origin”, disco lançado em 4 de novembro de 2000. Bom, não exatamente um disco, ou pelo menos é assim que a vocalista Amy Lee o vê, ou não vê, pois ela apelidou o trabalho de uma “demo polida”, e ela própria encoraja seus fãs a somente baixar o registro, ao invés de comprá-lo aos exorbitantes preços achados pela internet.

Disco ou demo, o fato é que independe de se gostar ou não do Evanescence, o material merece uma atenção pelo seu conteúdo. Aqui, nós temos a oportunidade de ver a dupla Amy e Ben Moody trabalhando em êxtase, trazendo diversas influências e criando um sonoridade bastante particular.

O registro tem seu tom mais “cru” por ter sido gravado em um estúdio caseiro, do guitarrista Moody e partes gravadas no porão dos pais de Amy, porém, a mixagem ficou a cargo de profissionais da música em um estúdio de Memphis. Foram registrada originalmente somente 2500 cópias, posteriormente sendo pirateadas e vendidas como se fosse a peça verdadeira.

Além da dupla, o único membro fixo naquele ponto era o tecladista David Hodges, mas há diversas participações especiais, incluindo a de um coral completo que dá reforço em algumas faixas da gravação.

Riff Virtual: Evanescence: Origin (2000)

Podemos ver ali alguns momentos que se repetiriam em “Fallen”, mas outros, que soam com uma certa “saudade”, como a gótica “Where Will You Go“, que mistura teclados, passagens eletrônicas e riffs de afinações baixas, além de uma clima que nos transporta para dentro de uma igreja em uma missa negra. Segue também essa linha, “Away From Me“, um pouco mais agitada e ótima marcação. A semibalada “Field of Innocence” carregada de melancolia e também “Anywhere” trazem um Amy meiga e soturna ao mesmo tempo. Há ainda a pesada “Lies”, com direito a guturais como o Evanescence nunca mais trabalhou em sua carreira.

Na verdade, a banda nunca mais se aproximou do que foi trabalhado por aqui, tendo se aproximado em alguns momentos em seu disco homônimo principalmente, e no mais recente “The Bitter Truth“, mas ainda assim, “Origin” se torna um disco, ou demo, seja lá como você prefira chamar, único na história do grupo e não dever ser em momento algum esquecido, pois se realmente o Evanescence se propôs a ser uma banda gótica, eis aqui a sua maior prova disso.

1. “Origin” 0:35
2. “Whisper” 3:56
3. “Imaginary” 3:31
4. “My Immortal” 4:26
5. “Where Will You Go” 3:47
6. “Field of Innocence” 5:13
7. “Even in Death” 4:09
8. “Anywhere” 6:03
9. “Lies” (part. Bruce Fitzhugh) 3:49
10. “Away from Me” 3:30
11. “Eternal”

Créditos
Os créditos foram adaptados a partir do encarte de Origin:

Banda
Amy Lee – vocais, piano
Ben Moody – guitarra, programação, engenharia, mixagem, fotos da banda
David Hodges – teclado, piano, vocais

Músicos adicionais
Bruce Fitzhugh – vocais (9)
Catherine Harris – coro (6)
Samantha Strong – coro (6)
Sara Moore – coro (6)
Stephanie Pierce – coro (9)
Suvi Petrajajrvi – coro (6)
Will Boyd – baixo (10)

Equipe técnica
Adrian James – layout
Amy Bennett – fotos do website
Brad Caviness – produção executiva
Rocky Gray – arte da capa
Sound Forge – tecnologia de gravação

 

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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