Oli Sykes revela por que Bring Me The Horizon sempre odiou o som de “Count Your Blessings”
Em entrevista ao YouTuber Nik Nocturnal, o vocalista Oli Sykes falou sobre a decisão do Bring Me the Horizon de lançar uma nova versão de seu álbum de estreia, “Count Your Blessings”.
Intitulado “Count Your Blessings | Repented”, o trabalho chega em 10 de julho e foi descrito pela banda como uma “reativação” e “recontextualização” do disco original lançado em 2006.
Segundo Oli, muitos fãs acreditam que o grupo sente vergonha do álbum por raramente tocar músicas dele ao vivo, mas a realidade seria outra. Ele comenta:
“As pessoas acham que odiamos o disco ou sentimos vergonha dele porque nunca tocamos as músicas. Mas a verdade é que sempre ficamos decepcionados com a forma como ele soava.”
O músico explicou que a banda ainda era muito inexperiente na época das gravações e acabou trabalhando com um produtor que vinha de uma realidade completamente diferente do metal extremo, quando queriam alguém como Adam D que é conhecido por seu trabalho com o Killswitch Engage..
Não tínhamos muito orçamento. Queríamos contratar alguém como o Adam D ou alguém que pudesse nos ajudar a fazer um disco legal. Acabamos contratando um cara. A única coisa que ele tinha feito era — sem querer desrespeitá-lo; tenho certeza de que ele é um bom produtor na sua área, mas ele tinha trabalhado com o Simply Red. Esse era o trabalho anterior dele. Então, de Simply Red para um álbum de deathcore do Bring, foi tipo, ‘Ok’.” E nós não tínhamos a mínima ideia do que estávamos fazendo.
Oli relembrou que os integrantes não entendiam praticamente nada de produção musical naquele período.
Não sabíamos nada sobre metrônomo, sobre panorâmica de guitarras para a esquerda e para a direita. Não sabíamos de nada. Era a nossa primeira vez. E ele também não, em termos de banda de metal. Acho que passei mal na metade da gravação, então lá pela quinta faixa, começa a soar como se eu estivesse cantando através de uma meia. Estávamos bebendo o tempo todo. Ninguém sequer tocava junto com os outros durante a gravação. Então, cada um entrava e gravava sua parte. Ninguém dizia: “Espera aí, Matt, isso está um pouco fora do tempo”. E dá para perceber isso.
O vocalista ainda contou que ficou doente durante as sessões, o que afetou diretamente suas performances vocais:
“Depois da quinta faixa parece que estou cantando através de uma meia.”
Segundo ele, a frustração aumentou quando ouviu o disco finalizado no carro após compará-lo ao som de bandas como All Shall Perish.
“Eu coloquei o CD no carro e pensei: ‘isso não soa bem’. E acho que nunca mais ouvi esse álbum, porque fiquei muito insatisfeito. E acho que, com o passar dos anos, acabei nunca mais o revisitando.”
Para a nova versão, o Bring Me The Horizon trabalhou ao lado do produtor sueco Buster Odeholm, conhecido por projetos modernos dentro do metal extremo.
No entanto, Oli explicou que a missão não era simplesmente modernizar o disco.
“Não queríamos que soasse como as bandas de hoje. Precisava ser a melhor versão possível do que aquele álbum deveria soar em 2006.”
Segundo ele, encontrar referências para atualizar o deathcore clássico foi um desafio inesperado.
“Nós só queríamos contratar quem está fazendo esse tipo de música hoje em dia. Mas, na verdade, também percebemos que ninguém está fazendo esse tipo de música hoje. Então, mesmo o próprio Buster, eu não diria que ele teve dificuldades, mas a primeira mixagem era, tipo, a mixagem clássica dele. E a caixa enorme, o bumbo enorme. Os riffs com tanto ganho que mal dava para ouvi-los. E soava incrível. Não me entendam mal, soava legal. Mas pensamos: ‘Não podemos deixar esse disco soar como as bandas soam hoje em dia. Precisa ser a melhor versão de como soava em 2006.'” Então o bumbo tem que ser mais estalado, mais disparado. A caixa precisa ser bem vibrante. Pode ter mais presença nas quebras. Os riffs precisam ser claros. Porque o álbum inteiro é só riffs. Tem mais riffs do que vocais. Então você precisa ouvir esses riffs, porque se você não os ouve, não faz sentido.
A nova edição foi produzida por Oli Sykes, o guitarrista Lee Malia e Buster Odeholm. O trabalho promete trazer o álbum “renascido, mais pesado e mais vital do que nunca”, segundo a própria banda. Além disso, a música “Liquor & Lost Love” aparecerá utilizando seu título original de trabalho: “Dragon Slaying”.
O Bring Me the Horizon tocará “Count Your Blessings” na íntegra em 10 de julho durante o Outbreak Festival, realizado na B.E.C. Arena, em Manchester, Inglaterra.
