Randy Blythe diz “ter culpa” em morte de fã e relata dias na prisão

Durante um show do Lamb of God em 2010, um fã subiu no palco e acabou sendo empurrado pelo vocalista Randy Blythe, que causou a sua morte após ele cair e bater com a cabeça no chão. O fato acabou gerando a prisão de Blythe em Praga, na República Tcheca.

Durante entrevista ao podcast Hardlore, Randy relembrou o acontecido e mesmo que inocentado pela justiça, ele se diz “moralmente culpado”:

“Fui considerado inocente. Fui acusado do equivalente a homicídio culposo por ter jogado intencionalmente esse jovem do palco e o machucado, algo que eu certamente nunca tive a intenção de fazer. Mas ainda assim tenho que assumir a responsabilidade moral, porque o que eu deveria ter feito era interromper o show.

Estava completamente fora de controle desde o início. Tinha gente correndo no palco e tudo mais, era pequeno e nosso equipamento estava por toda parte. Deveríamos ter parado o show. Temos um acordo. Nosso gerente de turnê adianta o show. É tipo: ‘Precisamos de uma barricada. Ela precisa ser dessa altura, desse tipo, a essa distância do palco. Precisamos de tantos seguranças.’ Blá blá blá. Nada disso estava lá. Então, foi uma loucura total. E não é como se eu não tivesse avisado a plateia para parar. E continuou acontecendo. Então eu deveria ter dito naquele momento: ‘Ok, acabou’. Mas eu não disse.”

Blythe refletiu sobre a difícil decisão que enfrentou e o peso da responsabilidade que carrega.

“Mas eu preferia irritar todas aquelas pessoas ou, sabe, talvez elas começassem a se voltar contra nós. Quem sabe? Mas eu já vi isso acontecer, sabe, então tudo isso poderia ter tido repercussões e certamente seríamos chamados de babacas roqueiros ou algo do tipo, mas eu preferiria muito mais isso do que ter um fã da minha banda morto. Então, assumo a responsabilidade por isso e levo isso comigo até o dia da minha morte.

Não é algo em que eu fique remoendo e chorando todas as manhãs, mas faz parte da minha vida. E é algo sério, e levo isso a sério até hoje.”

Blythe também falou sobre os dias na prisão. Ele comenta:

Primeiro dia na prisão. Assustador.

Na primeira semana ou duas, eles te colocam em algum lugar para monitorar sinais de depressão. Então, onde você colocaria alguém para monitorá-lo por depressão? Na parte mais deprimente da prisão, que fica no subsolo, isolada.

Houve um guarda prisional que foi até a minha cela depois de dois ou três dias e disse: “Randy, você precisa sair daqui, Randy.” E eu respondi: “Estou tentando, cara. Estou tentando.” Ele disse: “Você precisa sair.” E completou: “Eu nem deveria estar aqui.” Ele trabalhava em outra parte da prisão.

Ele me entregou alguns cigarros. Me tratou como um ser humano. E eu fiquei: “Obrigado. Obrigado. Obrigado.” E eu escrevi naquele livro, Dark Days, algo como: “Seja lá qual for o seu nome, cara, se eu te encontrar de novo, vou te pagar uma cerveja.”

Blythe disse que acabou se reencontrando com o guarda durante um cruzeiro:

Estávamos fazendo um cruzeiro e esse cara se apresentou: “Você se lembra de mim?” “Sem chance.” “Eu sou o guarda da prisão que levou cigarros para você.” E eu pensei: “Ah, é ele.”

Então ele foi ao cruzeiro. Fizemos uma sessão de perguntas e respostas com a banda, e eu pedi para o cara ficar de pé. Contei para todo mundo que tinha prometido pagar uma cerveja para ele. Virei para minha equipe e disse: “Vão lá e tragam uma cerveja para ele.” Depois falei para todo mundo no navio: “Cuidem bem desse cara.”

Foi a última vez que o vi. Ouvi dizer que ele ficou completamente bêbado o tempo todo. Todo mundo cuidou dele, porque ele cuidou de mim quando eu precisei. E isso é algo lindo.

O Lamb of God se prepara para lançar o seu novo disco “Into the Oblivion” e o primeiro single com a faixa título já esta disponível.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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