Resenha: Beyond the Black – “Break The Silence”(2026)

Após mais de uma década consolidando sua identidade dentro do metal sinfônico moderno, Beyond The Black chega a “Break The Silence” com a segurança de quem deixou para trás o rótulo de promessa. Desde o impacto de “Songs Of Love And Death” em 2015, a banda liderada por Jennifer Haben construiu uma trajetória consistente, e o novo trabalho funciona como uma reafirmação dessa evolução — sem reinventar a fórmula, mas refinando cada elemento que a colocou entre os nomes mais relevantes do estilo.

Logo na abertura, “Rising High” estabelece o tom com arranjos orquestrais amplos e um refrão pensado para grandes palcos. A energia segue sem pausas com “Break The Silence”, faixa-título que soa como uma declaração de intenções, equilibrando peso e melodias acessíveis com naturalidade. A experiência acumulada pela banda em turnês e festivais aparece na confiança com que as músicas se desenvolvem.

O álbum também mostra disposição para explorar nuances emocionais. “The Art Of Being Alone”, com participação de Lord Of The Lost, aposta em uma abordagem mais introspectiva, enquanto “Let There Be Rain”, gravada com The Mystery Of The Bulgarian Voices, destaca o lado mais cinematográfico do grupo, ampliando a atmosfera sinfônica sem perder a força das guitarras.

Na parte central do disco, “Ravens” e “The Flood” trazem texturas mais densas e riffs marcantes, lembrando que o som do Beyond The Black não se limita ao polimento orquestral. Já “Can You Hear Me”, com Asami do Lovebites, adiciona uma colaboração internacional que funciona organicamente, guiada mais pela emoção do que pela simples novidade.

A reta final mantém o nível elevado. “(La vie est un) Cinéma” aposta em uma abordagem grandiosa, enquanto “Hologram” apresenta uma melancolia moderna que amplia a diversidade do repertório. O encerramento com “Weltschmerz” é particularmente inspirado, oferecendo um desfecho dramático e reflexivo, mais focado na atmosfera do que no impacto imediato.

O disco é lançado pela parceria Nuclear Blast e Shinigami Records, reforçando o alcance internacional que a banda conquistou ao longo dos anos. Mais do que um passo adiante, “Break The Silence” evidencia um grupo totalmente confortável em sua posição. Sem seguir tendências passageiras, o Beyond The Black entrega um trabalho ambicioso, emocional e tecnicamente bem realizado, consolidando seu papel como um dos principais nomes do metal sinfônico contemporâneo.

NOTA: 7

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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