Resenha: Lorna Shore – “I Feel The Everblack Festering Within Me” (2025)
O Lorna Shore continua a sua busca implacável por querer estar no topo de bandas mais pesadas da atualidade. Seu mais recente trabalho, “I Feel The Everblack Festering Within Me“, lançado pela Century Media e distribuído no Brasil pela Shinigami Records.
Logo na abertura, “Prison of Flesh“, tudo que caracteriza a banda está lá. A bateria igual a metralhadora do Rambo disparando para todos os lados, breakdowns afiados e o vocal de Will Ramos indo a lugares que vão além do grotesco. “Oblivion” é carregada pela bateria de Austin Archey e seus blast beats caóticos e desenfreados ao longo dos seus mais de oito minutos, que tornam a faixa um verdadeiro pandemônio, aliado ao clima apocalíptico dos teclados ao fundo.
Dentro da cena deathcore, o Lorna Shore tem ganhado cada vez mais respeito e agraciado mais fãs ao redor do mundo e muito disso se deve as diversas vozes de Ramos nos registros. Aqui ele coloca isso a prova e tenta se provar ainda mais que no disco anterior “Pain Remains“, de 2022. “In Darkness” é uma das mais “comuns” do disco e mostra harmonias muito interessantes da guitarra, que deveriam ser mais aproveitadas nas composições da banda. “Gleenwood” é um épico em meio ao caos e tem uma entrega visceral de Ramos aqui, voltando ao que o começo desse parágrafo dizia e certamente será um dos momentos mais emblemáticos dos shows. O mesmo vale para “Death Can Take Me“, que começa novamente com o clima épico e é dona de vocais tão variantes como os caminhos de uma montanha russa, aliadas aos potentes riffs da dupla Andrew O’Connor e Adam DeMicco. O encerramento fica com “Forevermore” que conta quase 10 minutos e embala tudo que é o Lorna Shore em um pacotão e entrega na cara do ouvinte, sem pedir licença, quer você goste ou não.
O Lorna Shore galga seu caminho para deixar seu nome registrado no panteão das novas bandas da atual cena do metal. Ainda que para alguns nada ali seja de real agrado. Temos músicos competentes que sabem muito bem o que fazer, temos uma ótima produção que soa agressiva mesmo com o polimento que se dá ao trabalho, mas ao final, uma questão não deixa de martelar na minha cabeça ao terminar a audição. É mesmo tudo isso necessário? Dentro desse pacote de peso e urros grotescos, o próprio sentido da coisa não se perdeu e virou uma escalada para soar pesado?! O famoso “ganhar no grito”, com o perdão da irônia.
NOTA: 7
