Resenha: Saxon – “Eagles Over Hellfest” (2025)

Ao longo de décadas na estrada, Saxon construiu uma reputação sólida como uma das bandas mais confiáveis do heavy metal quando o assunto é palco. Desde o final dos anos 70, quando começaram a dividir cartazes com nomes como Motörhead, o grupo liderado por Biff Byford sempre mostrou que seu verdadeiro habitat é diante do público. Essa tradição ganha mais um capítulo com “Eagles Over Hellfest”, registro ao vivo da apresentação da banda no famoso festival francês em 2024.

O álbum captura um momento interessante da trajetória do grupo. O guitarrista histórico Paul Quinn deixou a formação, dando lugar a Brian Tatler, conhecido por seu trabalho no Diamond Head. A entrada do músico já havia sido sentida no estúdio em “Hell, Fire and Damnation”, e no palco seu impacto fica evidente logo na abertura do show. A apresentação começa justamente com “Hell, Fire and Damnation”, executada com energia total antes de a banda engatar uma sequência poderosa que inclui “Motorcycle Man” e “Power and the Glory”, deixando claro que a dupla de guitarras formada por Brian Tatler e Doug Scarratt funciona com precisão cirúrgica.

Por se tratar de um grande festival, o repertório aposta em canções clássicas, mas ainda há espaço para material recente. Um bom exemplo é “Madame Guillotine”, faixa inspirada em episódios históricos da França, que ganha um significado especial diante da plateia local e mostra como o grupo ainda consegue criar refrões fortes e memoráveis.

A partir daí, “Eagles Over Hellfest” se transforma praticamente em uma coletânea ao vivo dos maiores momentos da carreira da banda. “Heavy Metal Thunder” chega como um verdadeiro ataque sonoro, seguida por “Dallas 1 PM”, que traz solos de guitarra marcantes e evidencia o entrosamento dos músicos.

O ritmo diminui brevemente em “The Eagle Has Landed”, que serve como respiro antes da reta final. Nesse momento, a cozinha formada por Nigel Glockler e Nibs Carter mostra por que é considerada uma das mais sólidas do metal tradicional, sustentando a base para o que vem a seguir.

A segunda metade do show é dominada por clássicos absolutos. “Strong Arm of the Law” abre essa sequência, seguida pela sempre emocionante “And the Bands Played On”, dedicada ao público do festival e carregada de simbolismo para a história dos grandes eventos de rock. O público então recebe uma trinca imbatível: “Denim and Leather”, “Wheels of Steel” e “747 (Strangers in the Night)”, todas conduzidas com maestria por Biff Byford, que continua demonstrando impressionante presença de palco.

Nos momentos finais, a banda ainda entrega “Crusader”, carregada de atmosfera épica, antes de encerrar o espetáculo com “Princess of the Night”, um desfecho explosivo que sintetiza perfeitamente a energia do show.

“Eagles Over Hellfest” mostra Saxon em plena forma, celebrando sua história sem soar acomodado. O disco é lançado pela parceria Silver Linning e Shinigami Records e funciona como um retrato fiel de uma banda veterana que continua tocando com intensidade e paixão genuína pelo heavy metal. Talvez alguns fãs sintam falta de mais músicas recentes no repertório, mas o resultado final comprova que o grupo ainda sabe exatamente como transformar um festival em uma celebração grandiosa de sua própria trajetória.

NOTA: 8

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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