Soulfly: 22 anos de “Prophecy”, o chamado “Bob Marley do Metal”

Há 22 anos, em 30 de março de 2004, o Soulfly lançava “Prophecy“, o quarto álbum da banda que Max Cavalera formou após a sua saída do Sepultura, e que é tema do nosso bate-papo desta segunda-feira, a última do mês.

Para o aniversariante do dia, Max Cavalera fez modificações no lineup da banda: o baterista Joe Nunes retornou ao Soulfly, substituindo mais uma vez Roy Mayorga. O guitarrista Marc Rizzo fazia a sua estreia e ficou até a pandemia. No baixo, Max usou o experiente David Ellefson e também Bobby Burns. O frontman explicou no site da Roadrunner que queria diversificar os músicos na banda. Aspas para ele:

“Essa é uma abordagem que eu queria adotar há algum tempo. Eu nunca quis que o Soulfly fosse uma banda como o Metallica , com os mesmos quatro caras. Em todos os álbuns do Soulfly, mudamos a formação e provavelmente continuará assim. Para fazer isso, eu tive que começar de dentro para fora e trazer pessoas que me chamaram a atenção, com quem eu nunca tinha tocado antes, e criar isso.”

Apesar da afirmação, Max fez exatamente o contrário e manteve praticamente toda a formação até o ano de 2010, quando Bobby Burns e Joe Nunes saíram logo após o lançamento do álbum “Omen“. A única exceção foi David Ellefson, que pouco tempo depois voltaria ao Megadeth, e hoje está no Metal Church.

A banda foi para a cidade de Mesa, no Arizona, onde se trancafiou no Saltmine Studio Oasis, durante o segundo semestre de 2003. A produção foi assinada por Max Cavalera. A mixagem aconteceu em Seattle, no Studio X, e a masterização aconteceu em Nova Iorque, no Sterling Sound Studios.

Max viajou para a Sérvia, onde incorporou influências da música local no novo disco do Soulfly. Como sempre, o frontman contou com uma imensa gama de convidados, incluindo uma banda servia chamada Eyesburn, além de incluir instrumentos medievais como gaita de fole e a já manjada percussão, que ele usava desde os tempos de Sepultura.

Hora de dar play na bolacha, e o Soulfly nos trouxe o Groove Metal característico, com muita percussão e as já citadas influências da música sérvia. Temos 12 músicas, sendo dez autorais e dois covers, “In the Meantime“, do Helmet e “Wings / Марш на Дрину“, do compositor sérvio Stanislav Binički. A versão japonesa do álbum traz algumas faixas ao vivo, gravadas na Suécia, quando a banda se apresentou no Hultsfred festival, em 2001.

Apesar de em vários momentos, o álbum parecer desconexo, com a inclusão até mesmo de Reggae, na música “Moses“, temos bons momentos, em faixas como “Living Sacrifice“, “Defeat U“, “Mars“, “Porrada“, que é cantada em português, além da faixa-título. Alguns irão dizer que é coisa pra gringo ver, mas Max mostrou audácia por mais uma vez.

O álbum recebeu críticas positivas da imprensa especializada, e é apontado como um dos favoritos da discografia pelos fãs. Por conta da diversidade musical inserida, “Prophecy” é por vezes chamado de “Bob Marley do Metal”. Max Cavalera dedicou o álbum à “Deus, o todo poderoso”. Uma diferença brutal dos tempos do início do Sepultura, quando Max compunha letras anticristãs.

Nosso homenageado apareceu em algumas paradas de sucesso pelo mundo: foi 15° na Áustria, 24° na Alemanha, 27° em Portugal, 38° na França, 39° na Suiça, 49° na Austrália, 51° nos Países Baixos, 53° na Bélgica,  82° na “Billboard 200“, e 103° no Reino Unido. O disco é o terceiro com mais músicas tocadas ao vivo: “Execution Style” e a faixa-título ainda são lembradas nos shows atuais.

O Soulfly caiu na estrada para divulgar seu novo álbum, quando tocou com o Black Sabbath e o Morbid Angel. No ano seguinte, a banda lançou o DVD “The Song Remains  Insane“, que traz a história da banda contada em imagens, e conta com todos os videoclipes lançados até aquele momento. No mesmo ano, Max se preparava para começar a escrever o sucessor de “Prophecy“, quando algumas tragédias aconteceram com pessoas próximas à ele, como o assassinato de Dimebag Darrell e a morte do neto do frontman, por problemas de saúde.

Hoje é dia de celebrar mais um aniversário deste álbum. Se parte dos fãs espera uma reunião de Max com o Sepultura, ele não parece disposto a tal função. O Soulfly está em plena atividade, tendo lançado “Chama“, no ano passado, além dos demais projetos de seu líder, como o Cavalera Conspiracy, o Nailbomb e o Go Ahead and Die.

Prophecy – Soulfly
Data de lançamento – 30/03/2004
Gravadora – Roadrunner

Faixas:
01 – Prophecy
02 – Living Sacrifice
03 – Execution Style
04 – Defeat U
05 – Mars
06 – I Believe
07 – Moses
08 – Born Again Anarchist
09 – Porrada
10 – In the Meantime
11 – Soulfly IV
12 – Wings / Марш на Дрину

Formação:

  • Max Cavalera – vocal/ guitarra/ violão de 4 cordas/ cítara/ berimbau
  • Marc Rizzo – guitarra/ guitarra flamenca
  • Bobby Burns – baixo/ percussão
  • Joe Nunes – bateria/ percussão

Participações especiais:

  • Meia Noite – percussão
  • Ljubomir Dimitrijević – kaval/ gemshorn/ zurla/ gajde/ dvojnice/ gaita de foles/ flautas em “Execution Style“, “Born Again Anarchist“, “Soulfly IV
  • Danny Marianino – vocal principal adicional em “Defeat U
  • Mark Pringle – backing vocal em “Defeat U
  • Asha Rabouin – vocal principal em “Wings“/ backing vocal em “I Believe
  • John Gray – teclados/ samples
  • David Ellefson – baixo em “Prophecy“, “Defeat U“, “Mars“, “I Believe“, “In the Meantime”

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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