Especial Bangers Open Air: Jinjer retorna ao Brasil com versatilidade, inovação musical e criatividade em meio às superações de guerra
Foto: André Tedim
O cenário do Metal mundial passa por uma fase com bandas que englobam o denominado “Metal Moderno” e que se destacam pela mistura de subgêneros muitas vezes pautados em elementos do Metal Progressivo, Djent, Metalcore e até intromissões do Rap Metal, Nu Metal e afins, além das variações vocais presentes.
E não há como não exemplificar esta onda sem citar o poderio e a versatilidade sonora e vocal do Jinjer. O quarteto ucraniano, formado em 2008, é uma das atrações do primeiro dia da segunda edição do Bangers Open Air, no dia 25 de abril deste ano, sendo uma das bandas que representarão essa versatilidade sonora.
O Jinjer possui características enraizadas principalmente no Metal Progressivo, no Djent, no Groove Metal e no Metalcore, por mais que o baixista não goste que a banda seja rotulada com o último subgênero citado. Além disso, há elementos em determinadas músicas que levam a sonoridade ao Post-Metal e Death Metal Técnico. Outros trechos de música, mais limitados, até mesmo trouxeram momentos de Reggae – como no caso de “Who Is Gonna Be the One” – e Nu Metal.
Na composição atual estão Tatiana Shmayluk (vocal), Roman Ibramkhalilov (guitarra), Eugene Abdukhanov (baixo), Vladislav Ulasevich (bateria), sem mudanças desde 2016, com a entrada do baterista. Tatiana se destaca por conta de sua versatilidade e impacto com a voz, alternando e executando guturais e líricos precisamente ao longo das músicas. Já Roman, Eugene e Vladislav ditam a técnica sonora da banda, esbanjando a criatividade e versatilidade sonora construídas ao longo dos últimos anos.
O grupo de Donetsk, ao longo de quase 18 anos, lançou três EPs, dois álbuns ao vivo e cinco de estúdio, sendo “Duél” (leia resenha aqui), de fevereiro de 2025, o mais recente e que deve ser fator de divulgação na passagem da banda não só pelo Brasil, como nos outros quatro países que vão se apresentar pela América Latina – México, Colômbia, Chile e Argentina.
Essa será a quarta passagem do Jinjer pelo Brasil, sendo as anteriores em 2018, 2022 e 2024 (leia aqui a cobertura). Assim como nas duas últimas vindas, os quatro seguem como embaixadores ucranianos, espalhando mensagens pelo fim da guerra em seu país, arrecadando fundos para ajudar o povo de seu país e, com o reforço dos contextos de guerra presentes em “Duél”, conscientizando sobre o conflito.
Conheça um pouco da história da banda abaixo:
Formação inicial, mudanças e primeiros trabalhos
O Jinjer foi formado em 2008, em Horlivka, na região de Donetsk, como um quinteto de membros que já não estão mais na banda. Maksym “Max” Fatullaiev (vocal até 2009), Vyacheslav Okhrimenko (bateria até 2011), Dmitriy Oksen e Rostyslav Lobachov (guitarras, sendo o primeiro até 2015 e o segundo até 2010) e Oleksiy Svynar (baixo até 2011) lançaram “Objects in Mirror Are Closer Than They Appear” em 2009, com quatro faixas.
As primeiras mudanças na banda vieram já em 2009, com a saída de Max, que foi para os Estados Unidos, e a entrada de Tatiana Shmayluk nos vocais e de Roman Ibramkhalilov na guitarra. Os dois estão na banda até hoje. Tatiana veio na intenção de ajudar a banda temporariamente, no entanto se firmou na banda e segue no posto até hoje com o destaque tanto nos guturais, quanto no uso melódico dos vocais, ditando tanto a brutalidade, quanto a calmaria impostas nas faixas.
O segundo EP, “Inhale, Do Not Breathe”, foi lançado em 2012, tendo Eugene Abdukhanov (baixo) e Oleksandr Koziychuk (bateria) na formação, após as saídas de Rostyslav Lobachov e de Vyacheslav e Oleksiy. O trabalho, com sete faixas de estúdio, veio após vencerem uma competição da loja de equipamentos de áudio e som russa Muztorg.
Oleksandr acabou por deixar a banda no ano seguinte, por motivos familiares, levando os membros do Jinjer a trazerem Yevhen Mantulin (ou Eugene Mantulin) para o posto. Ele participou do desenvolvimento do primeiro álbum de estúdio da banda, “Cloud Factory”, lançado em abril de 2014. O álbum foi uma consolidação da proposta do Jinjer, que compunha elementos de Metalcore, Groove Metal, Metal Progressivo e Djent, além de trechos mais raros dentro de Post-Metal. Yevhen, no entanto, teve que sair da banda em setembro do mesmo ano, por conta de uma grave lesão na coluna após uma queda de uma janela que o impossibilitou de continuar como baterista. A banda chegou a fazer shows para arrecadar fundos para sua cirurgia e Dmitriy Kim assumiu o posto.
O Jinjer se tornou um quarteto a partir de 2015, com a saída de Dmitry Oksen e o insucesso na busca por outro guitarrista. E foi desta forma que a banda seguiu para a produção de “King of Everything”, seu segundo LP, desenvolvido em meio à pressão da gravadora, certas brigas entre os membros e uma fase de depressão por parte de Tatiana, fatores que levaram a músicas mais profundas, dentre as 10 faixas, ao sucesso “Pisces” que, segundo Tatiana, foi a música que levou o grupo ao estrelato.
A última mudança na banda veio com a saída de Dmitriy Kim, meses após o lançamento do segundo álbum. Vladislav “Vladi” Ulasevich assumiu o posto e consolidou a formação que dura até hoje.
Consolidação da formação e novos álbuns
Tatiana, Roman, Abdukhanov e Vladislav fizeram shows pela Europa e uma série de apresentações pelos Estados Unidos e debutes pela Ásia e América Latina, contando com a primeira passagem pelo Brasil com três datas, em 2018.
O EP “Micro” veio em janeiro de 2019, com cinco faixas, sendo a instrumental “Micro” mais distoante das poderosas “Ape”, “Dreadful Moments”, “Teacher, Teacher!” e “Perennial”. Em dezembro do mesmo ano, o quarteto lançou o quarto álbum, “Macro”, com nove músicas, pequenos trechos de Jazz, Reggae e Death Metal Técnico em algumas músicas, junto aos característicos Djent, Metal Progressivo e Metalcore, dentre as quais se destacam “On The Top”, “Judgement (& Punishment)” e “Home Back”.
Consistência mesmo com pandemia e guerra
Os membros do Jinjer passaram por duas situações que “frearam” suas turnês pelo mundo, mas que não os impediram de lançar novos conteúdos musicais. A primeira se deu com a pandemia de COVID-19 que, na impossibilidade de fazer shows entre 2020 e boa parte de 2021, levou a banda a lançar “Alive in Melbourne”, em novembro de 2020, com a gravação de um show na capital australiana; e “Wallflowers”, quinto LP da carreira, com mais “pancadas” da banda como “Vortex”, “Call Me a Symbol”, “Colossus” e “Wallflower”.
O segundo caso veio em março de 2022, com a invasão russa na Ucrânia. A banda optou por dar uma pequena pausa na carreira, focada em fornecer ajuda ao seu país. A volta só se deu em junho do mesmo ano, com a liberação por parte do Ministério da Cultura ucraniano a sair do país e se apresentar mundo afora como embaixadores do país, algo que ocorre desde então e que, por exemplo, levou Tatiana a se mudar para os Estados Unidos e os demais membros para países europeus próximos da terra de origem.
“Duél”, aclamado sexto álbum do Jinjer, foi lançado em fevereiro de 2025, com maior brutalidade sonora e abordando temas como a história da Ucrânia, as experiências dos membros da banda com a mais recente guerra no país e outros pontos sentimentais e reflexivos acerca dos temas. Faixas como “Rogue”, “Someone’s Daughter”, “Green Serpent” “Kafka” e “Duél” se destacam e já eram parte dos setlists de shows no ano anterior ao lançamento, quando a banda chegou a abrir para o Sepultura na primeira fase europeia da turnê de despedida dos brasileiros, e quando voltou para a América Latina.
Recomendações de músicas para conhecer a banda:
– Pisces
– The Prophecy
– Judgement (& Punishment)
– Who Is Gonna Be The One
– Perennial
– Teacher, Teacher!
– Just Another
– I Speak Astronomy
– No Hoard of Value
– Colossus
– Vórtex
– Wallflower
– Rogue
– Green Serpent
– Kafka
– Someone’s Daughter
– Duél
Sobre o festival
O Bangers Open Air 2026 acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina em São Paulo. Os ingressos podem ser adquiridos no link abaixo, lembrando que 70% deles já foram vendidos. Acesse https://www.clubedoingresso.com/evento/bangersopenairbrasil2026 para garantir seu acesso ao festival.

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