Ricardo Confessori fala sobre o “erro” da tour de despedida do Sepultura
As turnês de despedida tem se tornado um dos pontos chaves para diversas bandas. Ao longos dos últimos anos, diversos grupos tem anunciado que irão se aposentar dos palcos e esta será a última chance do fã os ver se apresentando.
Em paralelo, as reuniões e celebrações de discos, pegando onda na questão de nostalgia, também tem feito a graça por aí, e foi sobre esse tema que Ricardo Confessori falou em entrevista ao Ibagenscast, em sua recente passagem por lá, onde ele citou que um contratante gostaria que ele tocasse o “Holy Land” na íntegra, comemorando os seus 30 anos. Ele então fala sobre uma brincadeira de primeiro de abril que fez com o tema, conforme transcrito pelo Confere Rock:
É, eu dei uma trollada assim, uma cutucada de leve, porque acho assim: tem muita gente fazendo isso. Eu já falei isso aqui no seu programa, não é novidade, né? Enfim, tem muita gente fazendo, e o revival virou uma coisa gigante, repetitiva, né?
Então, agora vem o disco Holy Land, pô… no mínimo três turnês aí de Holy Land. Eu tô vendo aí que vai ter. E, cara, você acredita que teve pessoas que me perguntaram: “Você vai vir fazer workshop? Contratante que eu marquei workshop, mas você vai vir tocar o Holy Land?”
Eu falei: “Não, eu vou tocar uma ou outra do Holy Land, só, porque já tá… normalmente eu tô tocando Silence and Distance atualmente.” “Ah, mas não dá pra você colocar mais umas?” Falei: “Posso colocar mais uma, né? Mas tudo bem.” Também mais que isso não dá, né? Porque eu não tô comemorando nada. Já teve a comemoração de 20 anos, né? Já fiz essa comemoração.
Na sequência, Ricardo fala sobre as diversas comemorações que são feitas e refeitas ao longo dos anos de um mesmo disco e também as turnês de despedida:
E eu acho que, cara, sei lá… pensar pra frente, pensar no novo, deixar essa comemoração. Daqui a pouco vai ter a de 35 anos, de 40 anos… acho que já deu, né? Isso aí você faz uma turnê, lembra ali, faz um show: “Pô, que legal, estamos comemorando.” Um show, de repente. Tá ótimo. Parabéns, o disco merece.
Mas já virou um pouco de… como é que se fala? Muleta, né? Muleta pra ter assunto e tal. Hoje, por exemplo, é igual quando você fala de turnê de despedida. Você usa esse argumento. Hoje eu vi que o Sepultura falou que existe a possibilidade da banda continuar depois da farewell tour, né?
Então assim, pô, os fãs também não são idiotas, né, cara? Ficar falando “farewell tour” e depois não cumprir… tem que ter um mínimo de coerência, cara. É só isso que eu falo.
Em seguida, Confessori fala sobre a falta de novidade no mercado, e isso está fazendo um cenário ruim:
E o brasileiro tá nessa indústria, né? Você vê os caras falando aí… o Lobão falou, não sei quem mais falou: “Por que você vai lá e só toca coisa velha?” Ele falou: “Não, porque se eu for lá e tocar coisa nova, os caras me xingam, os caras reclamam.”
A gente precisa mudar essa mentalidade. Porque, na verdade, não é que eles não querem escutar coisa nova — eles não querem escutar coisa nova de você. Eles querem novidade, mas não de você.
E, cara, tem vários exemplos aí. O Rage Against the Machine acabou e os caras fizeram o Audioslave, que é outra coisa e tão bom quanto. O Soundgarden acabou e também gerou outros projetos relevantes. E o público americano aceitou — ninguém ficou falando: “Ah, volta com Rage, vai tocar Rage Against the Machine.”
Então a galera tem que entender. É a nostalgia falando alto. E eu aproveitei pra dar essa trollada no primeiro de abril… mas não, não vai ter não. Fica tranquilo.
Atualmente, o Angra irá celebrar o “Holy Land“, com um show especial na França, enquanto o Shamangra, de Luis Mariutti, fará uma turnê por diversas cidades do Brasil tocando o disco.
