Resenha: Lamb of God – “Into Oblivion” (2026)

Saiu nesta sexta-feira, 13, “Into Oblivion“, o décimo álbum do Lamb of God, se desconsideramos o disco de estreia, e “Legion XX“, o álbum de covers, ambos lançados sob o antigo nome da banda, Burn the Priest

O play marca a estreia da banda pela Century Media, mas também foi lançado em alguns países pela Epic, além da nova logo estampada por eles, que, segundo Randy Blythe, a antiga fonte lembrava um cardápio de restaurante árabe, e encerra a espera dos fãs que durou pouco menos de 3 anos e meio desde o lançamento de “Omen” (leia resenha aqui). 

Apesar de ainda não haver previsão de lançamento do álbum no Brasil, o que dá saudades de quando a Century Media tinha uma sede em terras tupiniquins, o que facilitava muito o trabalho dos fãs, o álbum pode ser ouvido nas plataformas de streaming. Na gringa foi lançado em CD e vinil, que ficou absurdamente linda a bolachona de cor verde. 

Mantendo a mesma formação desde 2018, quando o baterista Art Cruz substituiu Chris Adler, o Lamb of God não inventou e manteve o produtor de longa data, Josh Wilbur. A novidade fica só pelo local de gravação, na verdade, locais: foram utilizados o estúdio caseiro de Mark Morton, o total Acess Studio, em Redondo Beach, Califórnia, além de estúdios em Richmond. 

No conteúdo lírico, “Into Oblivion” é mais um tapa na cara daqueles que ousam dizer o que o artista deve ou não fazer. Randy Blythe é um cara com visões políticas diferentes do roqueiro conservador e isso incomoda muita gente, mas ele não liga e recentemente mandou Trump e seus seguidores simplesmente se fo*er. Blythe se inspirou no atual cenário político, não só lá dos Estados Unidos, mas do mundo de uma maneira geral, pautada pelo conservadorismo de cristãos, e traz a verdade que alguns correm para esquecer. E olha que o vocalista começou a escrever as letras antes da invasão à Venezuela e do ataque ao Irã, que até o momento tem sido desastrosa. 

Bolacha rolando, temos 10 faixas em breves 39 minutos, o que faz de “Into Oblivion“, o segundo álbum mais curto da banda, perdendo apenas para “As the Palaces Burn“, que tem um minuto a menos. A banda mantém sua fúria em diversos momentos, com o Groove característico, além de alguns momentos mais atmosféricos, que podem causar estranheza, mas não fazem o álbum perder o brilho. 

Como destaques, podemos citar a faixa-título, que é um petardo e nasceu candidata a hino, além de músicas como “Sepsis“, que começa arrastada e cresce do meio para o final, “The Killing Floor” e seus riffs matadores, e “St. Catherine’s Wheel“, traz uma fúria que automaticamente nos remete às músicas do álbum “As the Palaces Burn“, que é de longe, o mais raivoso da banda. Nas letras, “Into Oblivion” não fica muito longe, na parte da raivaz pois traz temas atuais e obscuros. É certamente um disco que vai envelhecer bem. 

Em relação aos músicos, Willie Adler e Mark Morton continuam a ser a dupla de guitarristas mais letal da cena. John Campbell impressiona com sua capacidade de deixar as músicas ainda mais pesadas. Art Cruz não precisa provar mais nada à ninguém, mas foi a escolha perfeita para o lugar de Chris Adler, e Randy Blythe segue com seu vocal inconfundível. A produção foi mais uma vez impecável e dificilmente “Into Oblivion” ficará de fora de alguma lista de melhores discos do ano, mesmo com concorrentes de peso, como Megadeth e Kreator. Um petardo!

NOTA: 8.0

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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