Com nova vocalista, Arch Enemy tem escolha duvidosa de setlist e som estridente no Bangers Open Air

Foto: André Tedim

O Arch Enemy fez a estreia da sua nova vocalista no Brasil. Lauren Hart, anunciada há alguns meses atrás como a nova cantora da banda pisou em solo brasileiro pela primeira vez e teve uma recepção, um tanto calorosa, literalmente falando, pois como de costume no festival, era um dia um tanto calorento, e a casa estava abarratoda esperando o grande momento da noite.

Substituindo o Twisted Sister, que acabou cancelando sua vinda devido a saúde de Dee Snider. Com uma bandeira gigantesca a frente do palco com o dizeres “pure fucking metal”, com horário cravados os primeiros acordes e luzes piscando davam início a um show extremamente barulhento, como se alguém tivesse colocado todos os botões da mesa de som no máximo e um pouco mais, o que com o caminhar do show, começou a deixar um ar massante. E eu sei que você pode pensar, “ah mas é um show de death metal e deve ser alto”. Sim, de fato um show desse gênero é alto, mas também sabemos que há um limite para que a qualidade da apresentação não seja testada com um volume errado, nem tão para cima, nem tão para baixo.

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Daniel Erlandsson é um verdadeiro monstro das baquetas, um dos grandes nomes do estilo, com técnica e precisão absurdas e quem não sabia, descobriu querendo ou não, com o volume de sua bateria por cima de todos os demais instrumentos, e o mesmo valeu para a voz de Lauren.

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Falando da cantora, ela tem a difícil tarefa de substituir duas antecessoras de mais experiência. Angela Gossow, que virou uma grande referência dentro do metal extremo como uma das principais vocalistas, e Alissa White-Gluz, que antes do Arch Enemy, adquiriu uma boa bagagem no The Agonist. Lauren por sua vez veio do Once Human, uma banda de não tão grande expressão e que agora assume a grande responsabilidade de estar a frente de uma banda tão icônica.

Longe de não ser capaz, Hart tem uma voz muito potente, mas parece ainda não ter se achado completamente no Arch Enemy, tamanho a difícil tarefa que tem e os poucos shows que realizou com a banda até aqui. Em diversos momentos ela parece demonstrar um esforço além para conseguir executar algumas notas e estar com um pouco fora do timing, visto que ao longo do show, a sua voz foi perdendo um pouco da força, que era um tanto estridente no início, por conta do som alto.

Ainda tímida, Lauren falava em “gutural” com a plateia em sua primeira comunicação, foi abraçada pelos brasileiros que ovacionaram seu nome, o que acabou “desarmando” a cantora, que mostrou uma mescla de timidez e emoção, e falou já ter ouvido falar dos fãs daqui e como eles são dedicados, e como é emocionante estar no país pela primeira com sua banda favorita, agradecendo a todos pela recepção.

O repertório conseguiu passar pelas eras diferentes do Arch Enemy, contemplando os períodos de Johan Oliva, Gossow e Alissa. O novo single, “To the Last Breath“, primeiro com Hart nos vocais, também deu as caras e teve uma boa recepção dos presentes e parece ser uma boa música para shows. Contemplando discos como “Doomsday Machine“, “Black Earth” e “Khaos Legion“, o set tem acertos interessantes como “Ravenous“, “My Apocalypse” e “Bury Me an Angel“, para citar algumas. Mas por outro lado, faz perguntar como Michael Amott “sucateia” um disco como “Anthems of Rebellion“, não buscando absolutamente nada dele, como a tão cheia de presença “We Will Rise“, que caberia perfeitamente nesse show, “Dead Eyes See No Future“, com seu riff inicial tão agressivo ou “Silent Wars“.

Com o problema técnico do som alto e algumas questões de setlist, o Arch Enemy deixou um ponto de interrogação sobre o que aconteceu ali durante sua presença no palco, principalmente após acompanhar o impecável show do In Flames antes. Pode ser algo de ajustes de uma nova reformulação, um erro da equipe e algumas más decisões de Amott nas suas escolhas musicais, mas ao fim, sobrou um gostinho de “podia ter sido melhor”.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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