Aquiles Priester revela bastidores da conversa para o Reunion do Angra e o acordo que propôs para aceitar convite

O Angra está prestes a se reunir com a formação “Nova Era” mais uma vez, durante o show especial que acontecerá no festival Bangers Open Air deste ano, onde a banda faz um show histórico que marcará além da reunião, a despedida de Fabio Lione e a chegada de Alirio Netto.

Em conversa com a Rolling Stone Brasil, Aquiles Priester revelou os bastidores da conversa com ele sobre participar desse show tão especial. Ele comenta ao dizer como foi tudo foi iniciado e relembra o recente almoço com outros três integrantes da formação:

Fomos almoçar pela primeira vez em 19 anos: eu, Rafael[Bittencourt, Felipe Andreoli, e Edu Falaschi. Faltou o Kiko Loureiro porque quando ele estava aqui, eu estava em Los Angeles e tinha um compromisso lecionando na Los Angeles College of Music. E o Kiko também não poderia ficar mais uma semana até eu chegar. Foi um desencontro. A última vez que eu havia me sentado com aqueles quatro caras foi quando teve uma votação e me tiraram da banda. E agora, quando sentei ali na mesa, não teve nada do passado que foi falado ou levantado. Estamos falando de coisas a partir de agora. Vou te contar como aconteceu: Márcio Sinzato — à época envolvido no comando do festival, proprietário da Consulado do Rock e meu parceiro de merchandising desde 2003 — trouxe o W.A.S.P. para a edição 2025 do Bangers Open Air. Fiquei mais alguns dias no Brasil após o show e quando estava voltando para os Estados Unidos, o Márcio pediu para passar na casa dele antes de ir ao aeroporto. Ele disse: “só para você saber, também convidei o Edu para essa reunião”. Já pensei: “aí tem coisa”. Quando cheguei, ele nos fez a proposta: “O que vocês acham de fazer um show com o Angra da formação Rebirth? Porque aquela foto que vocês postaram (ele se refere a foto de Aquiles com Edu e Felipe tirada na edição de 2025 do festival)… olha o que que essa foto fez, cara. Comoveu o público. A gente tem que fazer esse show”. A negociação partiu do Márcio. Edu e eu fizemos uma proposta parecida. Mas aí falei: “também quero que você aceite a proposta que te mandei para o Hangar tocar”. O Hangar entrou junto como parte do meu acordo de tocar com o Angra. Quando o Márcio levou para o Paulo Baron, que é empresário do Angra, a pergunta dele foi: “mas o Aquiles e o Edu aceitaram?”. Eles falaram: “com o Aquiles e o Edu já está tudo certo”. Ele se surpreendeu.

Na sequência, Aquiles afirma que a reunião só aconteceu porque as pessoas certas a fizeram acontecer:

Acho que a reunião só aconteceu pela forma como aconteceu. Como eu e o Edu sempre nos demos bem com o Márcio, foi mais fácil para ele nos convencer de fazer. E ele sempre se deu muito bem com o Paulo e o Angra. Nesse meio tempo, o Márcio se desligou do festival e quem assumiu a negociação e cumpriu todo o combinado foi a Damaris Hoffman — que já foi assessora de imprensa do Hangar, trabalhou mais de 10 anos com o Paulo Baron e se dá muito bem com o Edu. Foram as pessoas certas para aquele momento. Se você me perguntar assim: “acha que se fosse uma proposta do próprio Angra, ou se vocês levassem essa proposta para o Angra, acha que iria acontecer?” Não faço a menor ideia. Tivemos muitas coisas não resolvidas naquela época. Talvez fosse mais difícil. Mas atravessamos esse portal com pessoas muito amigas e que iriam cumprir o combinado.

Por fim, Aquiles garante ainda que não há mais nenhum problema entre ele e os membros do Angra, que todas as pendências foram resolvidas:

Meu problema com os integrantes da banda ficou naquela mesa de reunião em 2007. Falamos tudo que tinha que falar um para o outro, eles me tiraram da banda numa votação, apertei a mão de cada um, disse “adeus” e nunca mais olhei para trás. Se você me perguntar se tem alguma música do Angra que eu tenha gostado depois que eu saí, não vou poder falar, pois a única música que eu tive que ouvir — porque o Edu me convenceu a tocar — foi “Arising Thunder”, gravada pelo Ricardo Confessori. Não sei as músicas que o Bruno gravou, porque virei aquela página. Se no caminho que eu estava seguindo, por algum motivo, na internet ou no YouTube, aparecia alguma coisa do Angra, eu olhava para o outro lado. Foi isso que aconteceu na minha vida: eu apaguei o Angra. Não consigo falar nada sobre o que eles fizeram depois porque eu não sei de nada. Fechei aquela porta e segui minha vida. Passaram-se quase 20 anos. Eu mudei e, possivelmente, vou enxergar mudança neles quando começarmos a conviver e a tocar de novo. E até falei para eles: meu maior desejo é acabar o primeiro dia de ensaio e ficar feliz com tudo que aconteceu, incluindo as conversas.

O Angra Reunion sobe ao palco do Bangers Open Air no dia 26 de abril no último dia do festival, no domingo, encerrando a edição de 2026. Posteriormente, a banda ainda realiza um show especial no Espaço Unimed.

Foto: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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