Megadeth – “Megadeth” (2026)

O Megadeth anunciou este ano que chegará ao fim. Um dos principais nome do thrash metal mundial revelou que vai encerrar suas atividades, mas isso não seria feito sem um último registro de estúdio.

A banda lançou no começo de 2026, o seu disco homônimo, que pretende ser o canto do cisne do grupo liderado por Dave Mustaine. Além desse fator, o álbum marcou também o primeiro registrado a contar com Teemu Mäntysaari como guitarrista, substituindo Kiko Loureiro que deixou a banda em 2023.

Lançado pela BLKIIBLK/Frontiers e com distribuição no Brasil pela Shinigami Records, é uma homenagem a si mesmo, passando por diversos momentos de sua trajetória. A abertura fica por conta de “Tripping Point“, carregada de riffs, rápida e mostrando o que há de mais tradicional e original da banda. Logo na primeira música vemos que Teemu foi mesmo uma escolha acertada, com seus solos se encaixando perfeitamente por aqui, e uma cozinha impecável de James LoMenzo e Dirk Verbeuren. “I Don’t Care” traz uma pegada punk, que foi uma das bases para o thrash lá no início de tudo e a faixa é uma sacada diferente e muito bem colocada dentro do álbum. “Hey God?” traz momentos mais cadenciados, e que poderiam figurar em algum disco dos anos 90 da banda. É possível aqui notar alguns traços de “Symphony of Destruction” em sua estrutura.

O disco segue com a paulada “Let There Be Shred“, uma das melhores aqui. Rápida, sem rodeios e uma metralhadora de riffs, traz a banda afiada, pesada e o baixo de LoMenzo soando com o peso de um cabo de aço. Tudo que o fã do Megadeth espera ouvir e que com certeza irá abrir rodas insanas nos shows. Daqui em diante, o disco consegue dar uma boa “passeada” pela estrada da banda, em músicas que se diferenciam bastante entre si.

É o caso de “Puppet Parade“, que soa mais “alegre”, e com um andamento menos “destravado” que as demais, soando mais leve e direta. “Made To Kill” tem mais uma vez uma baita presença do baixo de James e mudanças em seus minutos que traz uma faixa bastante agressiva, com um poder de artilharia brutal.

Claro que um dos maiores pontos de curiosidade do álbum seria a releitura de “Ride the Lightning” do Metallica que o Megadeth gravaria. Como esperado, a gravação dividiu opiniões entre os fãs. Ainda que com grande produção do disco e tudo no seu devido lugar, as coisas pareceram não soar tão orgânica aqui como muitos esperavam, o que tirou impacto da faixa e a tornou de alguma forma, “robótica” e moderna demais, deixando sem aquele ar de agressividade de outrora e veja bem, aqui não estou me referindo a produções ou diferenças de épocas entre os registros, mas sim, aquela fúria jovial que uma música desse tamanho pede.

O fato é que em “Megadeth“, o fã não irá achar o melhor disco feito por eles, e isso nem era a proposta aqui. A ideia era trazer um brinde as décadas de dedicação de Mustaine ao thrash metal, com erros e acertos na discografia, mas com uma história imensurável e de importância para a música pesada. Nesse sentido, dê o play e só deixe a música rolar, pois o trabalho foi entregue de forma muito bem construída e executada.

NOTA: 7

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *