Especial Bangers Open Air: In Flames e a odisseia do Death Metal Melódico Sueco ao sucesso mundial

O In Flames é uma das bandas mais influentes da história do metal, reconhecida tanto por ser um dos pioneiros e manter a evolução do que ficou conhecido como o melodic death metal quanto pela capacidade de se reinventar sem perder relevância no cenário mundial, sem medo nenhum de se arriscar e se modificar completamente. Formada em 1990 na cidade de Gotemburgo, Suécia, a trajetória do grupo reflete a própria evolução do metal pesado nas últimas três décadas, onde lançaram discos que “passeiam” por diversos estilos diferentes, bebendo de fontes variadas para criar algo único, os colocando na prateleira de um dos grupos mais inovadores e que a todo momento consegue angariar novos fãs pelo mundo, e claro, incluindo o Brasil, onde uma legião de pessoas segue a banda há tantos anos e se prepara para os ver mais uma vez, agora, como uma das atrações do Bangers Open Air 2026.


Origens em Gotemburgo: as raízes do Gothenburg Sound

In Flames nasce em 1990, quando o guitarrista Jesper Strömblad começou um projeto paralelo à sua banda de death metal, o Ceremonial Oath, com a ambição de combinar a brutalidade do estilo com melodias inspiradas no heavy metal tradicional, já naquela época almejando criar algo maior e diferente do que vinha sendo feito dentro da música extrema. Gotemburgo, na Suécia, viria a se tornar um dos principais polos do melodic death metal, junto com bandas como Dark Tranquillity e At the Gates.

Nos primeiros anos, a formação ainda era instável, mas após a gravação de uma demo promocional em 1993, o grupo assinou contrato com a Wrong Again Records e, em 1994, lançou seu primeiro álbum, Lunar Strain. O disco combinava peso e agressividade com linhas melódicas e elementos menos comuns para a época, como violinos e trechos acústicos.

Entre o In Flames e o Dark Tranquility

O In Flames e o Dark Tranquility não se “esbarram” somente por serem do mesmo estilo e local, a história dos dois estão bastante cruzadas.

Quando Jesper fundou sua então nova banda, eles passaram pelo problema de não ter um vocalista, e então chamaram Mikael Stanne do Dark Tranquility para gravar algumas vozes do primeiro disco do In Flames. Curiosamente, do “outro lado”, Stanne havia assumido os vocais do DT quando Anders Fridén resolveu deixar o posto para se juntar ao… In Flames.

Mikael, então guitarrista, acabou se tornando o vocalista da banda, posto esse que continua à frente até os dias atuais da banda, e Anders Fridén também continua a sua saga à frente do In Flames, sendo ele um dos únicos membros dos primórdios da banda a permanecer até hoje.


Ascensão e Consagração (1996–2000)

Agora, com um vocalista fixo depois de apostar em vozes contratadas para o estúdio e com a chegada de Anders Fridén e do baterista Björn Gelotte para o segundo álbum marcou o início de uma fase criativa que definiria o som característico da banda e a escalada de discos começou a colocar o In Flames no holofote e no radar de interessados por novos sons e novas bandas.

The Jester Race (1996)

Lançado em 1996, este disco consolidou o estilo que hoje se chama Gothenburg Sound — riffs harmonizados, blast beats rápidos e melodias profundas. Faixas como “Moonshield” tornaram-se clássicos instantâneos, e o álbum é frequentemente citado entre os mais importantes do gênero.

Whoracle (1997)

Dois anos depois, Whoracle trouxe um conceito ainda mais ambicioso, explorando temas complexos e mostrava maturidade composicional. O álbum é amplamente respeitado pela crítica e pelos fãs, sendo apontado entre os melhores do ano de 1997 em rankings especializados. (leia resenha aqui)

Colony (1999) e Clayman (2000)

No fim da década, a banda lançou Colony e depois Clayman, cada um expandindo o alcance técnico e melódico do grupo. Esses discos ajudaram a banda a ganhar reconhecimento internacional e consolidaram sua posição como uma força dominante no metal melódico. (leia resenha aqui)


Evolução Sonora e Expansão Internacional (2002–2010)

No início dos anos 2000, In Flames começou a experimentar novos caminhos sonoros, combinando referências do melodic death metal com elementos do nu-metal e metalcore e assim como toda banda que se preze, por aqui começaram a ter algumas “torções de cara” de alguns de seus fãs mais tradicionais e que eram acostumados as influências vindas mais do death metal raiz.

Reroute to Remain (2002)

Lançado em 2002, esse álbum representou uma mudança de direção importante, aproximando a banda de um som mais acessível e moderno. Embora tenha dividido opiniões entre fãs tradicionais, Reroute to Remain ampliou significativamente o público da banda, especialmente nos Estados Unidos, com hits como “Trigger” e “Cloud Connected”. (leia resenha aqui)

Soundtrack to Your Escape (2004) e Come Clarity (2006)

Os lançamentos subsequentes continuaram essa exploração estilística, com produção moderna e músicas que equilibravam agressividade e melodias mais limpas.

Em “Soundtrack to Your Escape“, talvez tenha sido onde mais o In Flames tenha flertado sem medo nenhum e onde mais se distanciaram do que um dia foram. Ainda que no disco anterior, alguns passos do que vemos aqui já tivessem sido dados, neste álbum a banda explora a fundo a vertente do nu-metal e do metal alternativo, com uso gritante de teclados e sons mais groovados, dando menos destaques a solos e com linhas vocais mais melódicas, mais sussuradas em diversos momentos, além de grandes momentos onde a melancólia toma conta, como na clássica “My Sweet Shadow“. “The Quiet Place” soa vindo de uma mistura entre Deftones e Korn, com pitadas da identidade do In Flames, que ainda tenha feito com que muitos seguidores mais xiitas não conseguissem gostar da música, ela se trata de um belo exemplar de peso e dinâmica.

Come Clarity”, em particular, é frequentemente citado como um dos pontos altos dessa fase. Aqui a banda não chega a tantos experimentos como anteriormente, buscando dosar mais o que era em início, fazendo os saudosistas se sentirem um pouco mais confortáveis com o que se tinha aqui para se servir, buscando um “meio termo” entre o velho e novo, como pode ser visto na raivosa “Take This Life“.

Durante esse período, In Flames ganhou vários prêmios Grammis, o equivalente sueco ao Grammy, e foi reconhecida tanto no cenário mainstream quanto no metal especializado.


Mudanças na Formação e Novos Caminhos (2010–2020)

Em 2010, o cofundador Jesper Strömblad deixou a banda para focar em sua saúde pessoal. Embora sua saída marcasse o fim de uma era, ela não diminuiu a capacidade do grupo de criar e se reinventar.

Os álbuns lançados depois, como Sounds of a Playground Fading (2011), Siren Charms (2014) e Battles (2016), mostraram uma banda confortável em misturar tecnologia, produção polida e diferentes influências, mantendo relevância em festivais e turnês internacionais.

I, The Mask (2019) e Foregone

O álbum I, The Mask, lançado em 2019, foi eleito entre os melhores discos de metal do ano por portais especializados, reforçando a longevidade e a capacidade da banda de evoluir sem perder sua identidade.

Em 2022, o In Flames lançou o até então, seu último registro de estúdio, o disco “Foregone“. Neste álbum, o In Flames faz um grande apanhado de sua trajetória e cria um dos discos mais maduros de toda a sua carreira, carregado de peso e groove, e linhas melódicas que marcam o ouvinte na primeira audição. Ao mesmo tempo, o álbum consegue agradar tanto velhos como novos fãs, sendo um material que acertou em cheio tanto com a crítica como com o público. (leia a resenha aqui).


Legado e Influência Cultural

Com mais de 30 anos de carreira, milhões de discos vendidos mundialmente e contratos com grandes gravadoras como a Nuclear Blast, In Flames não é apenas uma banda de metal — é um ícone que ajudou a moldar um gênero inteiro e o espalhou por todo o globo!

A influência do grupo pode ser sentida em inúmeras bandas que vieram depois, tanto na Europa quanto nas Américas. Seu impacto vai além das vendas: o som criado em Gotemburgo redefiniu o que o metal melódico poderia ser, abrindo portas para novas gerações de músicos e fãs.

No Brasil, como dito anteriormente, o In Flames tem uma verdadeira legião de seguidores, que puderam se encontrar com seus ídolos pela última vez em 2023, quando fizeram um show único em São Paulo e colocaram o seu nome a prova para um público insano (leia a cobertura completa aqui).


Em 2026, os fãs do In Flames já têm data marcada para se reencontrarem com os gigantes do death metal melódico. A banda sobe ao palco do Bangers Open Air no dia 25 de abril, ao lado de outras várias atrações, incluindo o Twisted Sister como headliner da noite.

Confira também o especial sobre o Jinjer neste link

O Bangers Open Air 2026 acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina em São Paulo. Os ingressos podem ser adquiridos no link abaixo, lembrando que 70% deles já foram vendidos.

https://www.clubedoingresso.com/evento/bangersopenairbrasil2026

Fotos: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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