Type O Negative: há 33 anos, banda estreava com “Slow, Deep and Hard”

Há 33 anos, em 11 de junho de 1991, ο Type O Negative lançava “Slow, Deep and Hard”, o álbum de estreia desta que é sem sombra de dúvidas a maior banda de Gothic/ Doom Metal dos últimos 30 anos. Esta pérola vai ser o assunto desta terça-feira, véspera do dia dos namorados em terras brasileiras.

O Type foi formado no ano de 1989, nós precisamos voltar um pouco no tempo para compreender melhor o disco que apaga as velinhas hoje. O ano é 1984 e Peter Steele tinha uma banda chamada Carnivore, com a qual ele lançou dois álbuns. Muito da sonoridade de “Slow, Deep and Hard” é herança de sua banda angeroor. Ao formar a nova banda, ele se juntou ao amigo Josh Silver, que já havia trabalhado na produção do primeiro álbum do Carnivore e o embrião do Type O Negative já estava ali. Depois foi só achar o guitarrista Kenny Hickey e o baterista Sal Abruscato e no ano seguinte, a banda já estava com contrato assinado com a Roadracer, subsidiária da Roadrunner, que na época era uma das gigantes e que se dedicava às vertentes mais pesadas do Rock e do Metal.

Ainda antes de se chamar Type O Negative, a banda se chamou Repulsion e o álbum iria ser batizado de “None More Negative”. É tido como um disco autobiográfico, inspirado em um romance mal sucedido do vocalista/ baixista e idealizador do grupo, Peter Steele, só que recheado de humor negro. As faixas 1, 3, 4 e 7 tratam diretamente do assunto com esse viés. A capa do álbum também tem essa pitada de humor, pois é a imagem borrada do ato sexual. Até o próprio título é algo engraçado: “Lento, Fundo e Forte”, em livre tradução. Ou seja, era uma forma bem humorada que o líder da banda usou para lidar com a situação e tirar sarrro se si próprio.

Assim sendo, todos foram para o Systems Two, estúdio localizado no Brooklyn, Nova lorque, onde aconteceram as gravações. A própria banda atuou na produção do álbum. A mixagem aconteceu no mesmo estúdio, enquanto que a masterizacão se deu no estúdio Frankford/ Wayne, também em Nova Iorque.

Dando play no álbum, temos 58 minutos e sete canções, das quais, seis delas têm duração entre seis e doze minutos. Apenas a instrumental “The Misinterpretation of Silence and Its Disastrous Consequences” tem pouco mais de um minuto de duração. As influências vão desde as guitarras do Black Sabbath até o Punk/ Hardcore, passando pelo Doom/ Gothic. A banda abusou nos títulos das músicas, como a já citada instrumental, mas em outras músicas, eles simplesmente extrapolaram, como em “Unsuccessfully Coping with the Natural Beauty of Infidelit” ou “Gravitational Constant: G = 6.67 x 10⁻⁸ cm⁻³ gm⁻¹ sec⁻²“, inspirada na fórmula da constante gravitacional de Isaac Newton. Ou a “Der Untermensch“, que apesar do título em alemão, é cantada no idioma de Shakespeare.

Eles estreavam com muita ousadia e na vanguarda, um disco cuja complexidade foi bem compreendida pela crítica e público, fazendo a banda se tornar bem popular na cena. Ajudou também o fato deles terem saído em turnê no mesmo ano de lançamento do álbum, com o The Exploited e o Biohazard. No ano de 2009, a Roadrunner lançou uma nova versão do álbum, desta feita com uma versão muito bem humorada para “Hey Joe“, de Jimi Hendrix, que virou “Hey Pete“. No ano de 2021, a Roadrunner, juntamente com o selo Run Out Groove, relançou o álbum, em vinil, para comemorar o 30° aniversário. Ainda em 2021, o álbum figurou na 31ª posição nos charts germânicos.

Um belo disco, uma estreia magnífica, e era apenas o início, pois depois viriam outras pérolas como “Bloody Kisses“, “October Rust“, que deram a banda esse status de cult que ela carrega consigo, doze anos depois da morte de Peter Steele e, consequentemente, do seu final. Não temos mais a banda na ativa e nem faria sentido sem seu idealizador, que faz muita falta, diga-se de passagem. Vamos celebrar este discaço, porque recordar é viver e a banda merece toda e qualquer homenagem.

Slow, Deep and Hard – Type O Negative
Data de lançamento – 11/06/1991
Gravadora – Roadracer

Faixas:

01 – Unsuccessfully Coping with the Natural Beauty of Infidelity
02 – Der Untermensch
03 – Xero Tolerance
04 – Prelude to Agony
05 – Glass Walls of Limbo (Dance Mix)
06 – The Misinterpretation of Silence and Its Disastrous Consequences
07 – Gravitational Constant: G = 6.67 x 10⁻⁸ cm⁻³ gm⁻¹ sec⁻²

Formação:
Peter Steele – vocal/ baixo
Kenny Hickey – guitarra
Josh Silver – teclados
Sal Abruscato – bateria

Participação especial:
Bensonhoist Lesbian Choir vocais adicionais

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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