Kerry King fala sobre ter cogitado Phil Anselmo nos vocais de seu novo projeto e sobre uma possível participação dele em uma música futura
Texto: Tiago Silva
Fotos: Gustavo Diakov (Em cobertura ao Sonoridade Underground)
O guitarrista Kerry King, ex Slayer, e agora com sua própria participou de uma coletiva de imprensa com jornalistas em São Paulo nesta quinta-feira (03). A Sessão de perguntas foi parte de uma série de entrevistas que King faz neste mês para promover seu primeiro disco em projeto solo, “From Hell I Rise”, de maio de 2024, e para divulgar sua participação no festival Bangers Open Air, que acontecerá nos dias 02 (warm-up), 03 e 04 de maio no Memorial da América Latina, também na capital paulista, e no qual o guitarrista, junto com sua banda, será a penúltima apresentação do Ice Stage no último dia.
King deu respostas elaboradas a todos os jornalistas presentes, dentro dos temas propostos e sugeridos, assim como em outras questões musicais antigas e inspirações musicais, em uma conversa que durou pouco mais de uma hora. Além disso, em sua chegada ao local, deixou muito claro que estava muito feliz de poder receber os credenciados e que ama o Brasil.
Relação com Phil Anselmo e uma possível colaboração
Kerry King e Phil Anselmo têm uma relação de amizade longeva, que ocorre desde os primórdios de Slayer e Pantera, nos anos 1980. Tal fato levou a rumores de que King teria cogitado o vocalista do Pantera e do Down para os vocais deste projeto encabeçado pelo guitarrista, questão que foi apontada pelo músico, em uma entrevista de maio de 2024 ao programa Trunk Nation With Eddie Trunk, como algo que “nunca passou de uma conversa”. No fim das contas, o microfone ficou com Mark Osegueda (Death Angel).
Baseado neste contexto, King respondeu a uma pergunta feita pelo Confere Rock sobre uma possibilidade de Anselmo participar de alguma música de seu projeto em um possível segundo álbum de estúdio ou single avulso. King voltou a contextualizar o processo de escolha do vocalista e, junto a isso, deixou a possibilidade de uma participação do amigo, por mais que não busque arriscar uma tentativa:
“Bem… Phil e eu somos amigos desde antes de “Cowboys” ser lançado. Eu sei que conhecia Phil… eu não o conhecia quando ele tinha cabelo grande e eu… qualquer que seja o registro anterior (…) mas eu conhecia o Phil antes do “Cowboys” sair, então somos amigos há décadas. E na comunidade Metal, faz sentido que eu e Phil talvez consideremos fazer músicas juntos.
Eu sempre achei que ele não era o cara certo, porque sabia que o Mark era o cara certo.
Tivemos todas essas conversas e, claro, todos os ‘homens de terno’, todos os managers e agentes… todos queriam que eu ‘tocasse o filme’ porque seria uma banda de arena, instantaneamente… e poderíamos tocar as músicas do Pantera, do Slayer e do novo material. Então eu entendi o porquê que eles queriam que eu seguisse esse caminho. E como eu disse, somos amigos, então conversamos sobre isso e, honestamente, no final do dia, a coisa do Pantera surgiu e meio que parou nessa ideia, ficando distraído.
Então Mark Osegueda foi o único que desceu e fez demos comigo e Paul [Bostaph]. Eu sempre soube que ele era o cara, eu só tinha que fazer minha devida diligência e, você sabe… se certificar de que a outra opção, Phil, era melhor, semelhante ou pior ideia, seja o que for.
E seguindo em frente… eu estaria aberto em fazer uma música com Phil? Sim, pois somos amigos. Porém, isso não é algo que eu vou perseguir porque eu sinto que… neste ponto, a minha carreira está mais perto do começo do fim e eu acho que toda a minha música deve ser voltada para minha banda, meus amigos e fãs. Então podemos ficar por aqui, tocar por mais tempo na carreira e, você sabe, quando acabar, acabou. Mas nós vamos continuar o máximo que pudermos.”
Curiosidade sobre faixa e nome do álbum
Em resposta a uma pergunta da jornalista Bia Cardoso, da Rolling Stone, Kerry King trouxe uma curiosidade a respeito da faixa que leva o nome do primeiro álbum de seu projeto solo. Segundo o guitarrista, “From Hell I Rise”, inicialmente, era uma faixa para um último disco do Slayer que não foi feito, no final das contas:
“Algo que a maioria das pessoas não sabe (…) “From Hell I Rise” deveria ser uma música do último álbum do Slayer, mas eu não ligava para a performance, eu não ligava para como seria. Então eu a guardei, antecipando para o último álbum do Slayer que nunca aconteceu. Então eu a fiz com a minha banda.
Eu nunca deixei Mark ouvir a versão original porque eu queria que ele fizesse da forma como quisesse. E depois ele cantou, eu toquei [os acordes musicais] para ele e disse: ‘eu esqueci o quão ruim essa música era’. No novo álbum é muito melhor do que como o Slayer gravou. Eu não tive muito tempo para moldá-la e fazê-la boa como poderia ter sido.
Em outro momento da entrevista, Kerry falou que seu álbum de estreia teria um nome que considerou criativo, mas que descartou após uma pesquisa, mas a tornou o nome da sexta faixa:
“(;;;) mas quando eu estava pensando em um nome de álbum, foi ‘Crucifixation’ por muito tempo. E eu achei que tivesse inventado essa palavra, assim como inventei ‘Repentless’ [último álbum de estúdio lançado pelo Slayer, em 2015]. Eu pensei: ‘Crucifixation! Isso é muito legal!’.
Então eu fiz o meu dever de casa e olhei na internet. Acontece que outras cinco ou seis bandas usaram e eu não sabia. Então eu disse: ‘Eu não quero chamar o álbum assim, mas gosto da música e gosto dela ser chamada Crucifixation’. Então eu mantive a música assim e nomeei o álbum de ‘From Hell I Rise’, o que meio que funciona, de qualquer forma já que eu, recentemente, estando aposentado do Slayer e tendo minha coisa nova, ‘From Hell I Rise’ havia mais… mais ponto, por assim dizer.”
Poucas mudanças no estilo musical
Em pergunta realizada por Luhana Botinelly, do Wikimetal, sobre possíveis mudanças em seu estilo musical da adolescência até os dias atuais, Kerry afirmou que pouca coisa mudou nesse tempo:
“Sabe, não mudou muita coisa. Eu definitivamente sou 40 anos mais sábio. Meus pensamentos sobre o mundo, política e religião não mudaram muito. Acho que nem um pouco, na verdade. Eu só fiquei mais velho, mais consciente das coisas que acontecem na nossa sociedade, especialmente com a pandemia. Eu assisti mais televisão do que em qualquer outro momento da minha vida. Então eu sou muito mais atualizado das notícias do dia-a-dia.
Mas as minhas inspirações são as mesmas. Judas Priest ainda é a minha banda favorita, eu amo Black Sabbath. passei por uma grande fase ouvindo Ritchie Blackmore novamente, recentemente, amo Deep Purple, amo a fase do Dio no Rainbow. Sou o mesmo cara. Ainda uso camisetas de banda de Rock, sabe? As mesmas músicas que me empolgaram aos 18 ainda me empolgam.”
Músicas do Slayer em apresentação do Bangers Open Air
Felipe Moriarty, do Metal no Papel, perguntou a respeito das possíveis músicas do Slayer no setlist da apresentação do Bangers Open Air. King respondeu que podem vir algumas para o setlist, porém não muitas, devido ao tempo de apresentação e o foco em tocas as faixas do álbum de estreia de seu projeto.
Kerry também complementou, em resposta a outra pergunta realizada dentro do tema durante a coletiva, que quer tocar as faixas de sua antiga banda, tanto neste momento quanto futuramente, num possível crescimento de músicas compostas para essa nova fase. Isso porque, apesar da reunião recente, “o Slayer acabou”. Agora, sendo “o hoje e o amanhã”, tanto as gerações mais antigas de fãs do Slayer, quanto as novas, vão se encontrar nos shows e “é preciso viver e reviver esses bons momentos”.
Sobre Kerry King e sobre “From Hell I Rise”
Kerry Ray King tem 60 anos atualmente. Ele foi um dos fundadores do Slayer junto com Jeff Hanneman (1964-2013) e esteve na banda do início até o seu fim, em 2019, assim como está nos shows de reunião da banda que ocorrem desde 2024.
Em 17 maio de 2024, King lançou seu disco de estreia em carreira solo, intitulado “From Hell I Rise”, sob produção executiva dele mesmo e produção do disco encabeçada por Josh Wilbur, além dos engenheiros de som Kyle McAulay e Mark Aguilar e a arte desenhada pelo brasileiro Marcelo Vasco.
Kerry King conta com o também baterista do Slayer Paul Bostaph (ex-Exodus, ex-Forbidden, e ex-Testament), o guitarrista do Category 7 Phil Demmel (ex-Machine Head e ex-Vio-Lence), o baixista Kyle Sanders (ex-Hellyeah e Ex-Bloodsimple) e o vocalista do Death Angel Mark Osegueda. Todos participaram da gravação do álbum e são integrantes da banda em apresentações ao vivo.
O grupo se apresentará como penúltima atração do Ice Stage, entre as 16h25 e 17h25, após a apresentação da banda I Prevail e antes da apresentação do Blind Guardian, ambas no palco vizinho, o Hot Stage; além de ser antes da finalização do palco Ice, que ocorrerá com o W.A.S.P..