Kiko Loureiro diz que houve “muitos motivos” para sua saída do Megadeth

Kiko Loureiro falou com o Sixty Scales And The Truth, onde ele voltou a mencionar sua saída do Megadeth em 2023 e explica que houveram “muitos motivos” para sua decisão. Ele diz:

“Durante o Megadeth, foi ótimo, então não tenho do que reclamar. Mas foram oito anos, quase nove anos, e eu ficava em turnê talvez — não sei — cinco meses, talvez às vezes seis meses por ano, então é muita coisa. É muito diferente de fazer 25 dias como tenho feito na minha turnê solo.”

Ele continua:

“Havia muitos motivos que contribuíram para isso; nunca há apenas um motivo quando você toma uma grande decisão na vida. Então, um dos motivos foi a família. Esse foi o motivo mais importante. Depois da turnê, houve outra turnê de três meses, e aí foi tipo, ‘Ah, talvez isso seja demais.'” Mas eu vinha lutando com esses pensamentos desde que entrei no Megadeth, basicamente. Minha filha tinha uns cinco anos quando entrei na banda, e aí um ano depois, o ano em que lançamos o álbum ‘Dystopia’, vencedor do Grammy e tudo mais, eu tive gêmeos. Então, todos aqueles anos no Megadeth foram difíceis, viajando e tendo gêmeos recém-nascidos em casa, e depois viajando de novo. Isso te faz pensar muito, porque era o que eu sempre quis, estar em turnê, etc., e tocar guitarra. E aí também ter os filhos, e sua mentalidade, sua perspectiva, muda muito. E aí veio a pandemia, e depois fazer outro álbum, etc. E aí, em algum momento, eu disse: ‘Acho que oito, nove anos já são suficientes.’ E aí eu pensei: “Ok”. E também senti que as crianças precisavam mais de mim do que antes. Havia alguns outros problemas acontecendo. E tinha uma turnê de três meses pela frente, então eu disse: “Olha, posso ajudar a encontrar um substituto. Se vocês puderem esperar, ótimo. Se não quiserem esperar, tudo bem também.”

Kiko continua:

“Gravamos o álbum ‘The Sick… nesse meio tempo. E compor também é algo que eu gosto. Acho que em algum momento, [você começa a pensar em ter] liberdade de agenda. Tenho pais idosos no Brasil, então eu queria passar um tempo lá, e nunca havia tempo para viajar e ficar — sei lá — 10 dias.

É algo comum, um pensamento comum entre músicos em turnê, acredito, dependendo da idade, claro. E a maioria dos lugares onde toquei — tocamos em lugares incríveis, mas também já faço isso há muito tempo. Então você pensa: ‘Já fiz isso muitas vezes, e para onde posso ir a partir daqui?’ E também tem isso. Às vezes você pensa: ‘Eu adoraria fazer algo diferente’, ou: ‘Devo tocar outros tipos de música, compor de forma diferente ou ser mais aberto a novas experiências?’ Mas isso é constante. A mente criativa, digamos assim, nunca está satisfeita.”

Sobre se tinha liberdade dentro do Megadeth para criar, Kiko responde:

“No Megadeth, eu podia ser criativo porque gravamos dois álbuns. Eu podia dizer o que quisesse sobre o show, ou ideias para a iluminação, ou performance de palco, ou o que fosse. Dave era muito aberto às minhas sugestões. Acho que tivemos ótimas conversas sobre tudo na vida, e também sobre os negócios do Megadeth. E é por isso que acho que fiquei tanto tempo lá, e acabei compondo umas 13 ou 15 músicas com o Dave, o que é bastante. Mas acho que sempre tem um prazo de validade, digamos assim. Chega um momento em que você pensa: ‘É, talvez seja hora de ir para outro lugar’.”Então, essas forças reais meio que te impulsionam — talvez a família, talvez algumas coisas que estavam acontecendo dentro da banda também, talvez algo sobre, como eu disse, eu adoraria decidir quando quero visitar meus pais ou não. Porque quando você tem filhos, você não pode simplesmente viajar. Eu viajava muito, e quando você volta para casa, você só quer ficar em casa.”

Kiko Loureiro atualmente irá trabalhar em alguns shows com o Angra, um deles no Bangers Open Air, que acontece no dia 25 e 26 de abril, com a banda encerrando a edição deste ano.

Foto: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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