O motivo que impede Edu Falaschi de retomar o Almah, segundo Marcelo Barbosa
Durante uma nova participação no podcast Ibagenscast, Marcelo Barbosa falou sobre alguns antigos projetos. Entre eles, o guitarrista foi questionado se existe alguma ideia de trazer o Calice de volta à ativa durante o hiato do Angra. Ele então responde conforme transcrito pelo Confere Rock:
Super existe. Eu acho que seria mais como um projeto do que, de fato, como uma banda propriamente dita. Porque agora o Alirio também está no Angra, eu também estou, e, ao mesmo tempo, ele mora na Espanha. Mesmo assim, a gente tem se falado sempre, trocado ideias musicais. Ele tem me mandado muita coisa de lá, e eu também já tenho uma pré-produção de uma música. Então, a gente pretende, em breve, lançar alguma coisa — em termos de EP, talvez quatro ou cinco músicas.
Estamos conversando bastante com o Milton Mendonça, que se interessou em empresariar a banda. Nosso grande amigo Milton, que também é o cara por trás do Frog Power.
É uma banda pela qual a gente tem um carinho imenso, conhece o potencial e que, sim, nesse momento em que o Angra desacelerou e está parado — ainda não está claro por quanto tempo —, a gente quer usar esse espaço de tempo para produzir algo com o Calice. Mesmo que seja de forma despretensiosa. E quando eu falo “despretensiosa”, não é que não tenha importância; é que, como é uma volta, a gente quer sentir como é tocar essas músicas de novo, ver a resposta do público.
Eu quero tratar isso com certa leveza. Tanto eu quanto o Netto queremos tratar com leveza e sentir para onde os caminhos apontam depois disso.
Na sequência, Marcelo é questionado sobre o Almah, banda da qual fazia parte ao lado de Edu Falaschi e que há anos foi posta em um hiato sem fim anunciado e sem previsão nenhuma de retorno. Ele responde se algo foi conversado entre ele e o vocalista para o retorno:
Cheguei a conversar, sim, e essa segunda conversa foi mais desanimadora, de certa forma. Eu acho que o Edu está em outro momento. Acredito — e isso sou eu falando, posso estar errado — que, com a carreira solo dele, tocando músicas que gravou com o Angra e também músicas novas que compôs, ele conseguiu um resultado muito bom, melhor do que a gente jamais conseguiu com o Almah.
Acho que ele tem receio de que isso possa ferir a imagem dele de alguma forma. Ele fala coisas como: “Ah, mas será que a gente faz um show ou dois? Só São Paulo? Será que vai dar público?”. Eu sou um cara que ama música — não que ele não ame —, mas falando da minha perspectiva.
Voltando um pouco, foi inspirador demais aquele show que eu e o Felipe vimos no Blue Note. Era um lugar para talvez 120 pessoas, mas aquelas 120 pessoas estavam conectadas com a música de um jeito difícil de explicar. E a banda também.
Eu tenho um pub aqui em Brasília e, por prazer mesmo, sempre que estou na cidade, eu toco lá às sextas-feiras. O pub comporta 300 pessoas. Isso não é um problema para mim. Claro, existem questões financeiras, contas para pagar, uma série de coisas, mas isso, para mim, seria o de menos. Eu gosto das músicas. Aquela fase da vida foi muito boa, e reviver um pouco disso seria muito legal.
Ele continua:
Então, eu acredito que é possível transitar nesses dois mundos sem precisar ser algo grandioso o tempo todo. E se alguém falar bobagem — porque sempre falam —, às vezes nem sabe que o pub é meu. Pode comentar o que quiser. O que importa é a gente estar satisfeito, realizado e fazendo o que gosta e o que tem vontade de fazer. Eu penso dessa forma.
Não estou dizendo que não vai acontecer. Se for rolar, eu não acho que seria este ano, porque agora existe essa reunião do Angra no Bangers. Não há nenhuma previsão além disso. Mas eu não descarto que, em algum momento, isso possa acontecer de novo. Por enquanto, existem outras coisas maiores acontecendo, e acho que isso acaba saindo naturalmente do radar — se é que algum dia esteve.
A entrevista completa pode ser vista abaixo.
Foto: André Tedim
