Pink Floyd: 51 anos da obra suprema, chamada “The Dark Side of the Moon”

Há 51 anos, no primeiro dia de março do ano de 1973, o Pink Floyd, banda que o roqueiro Bolsominion apoiador de Golpe de Estado deveria estudar, lançava um de seus maiores clássicos, se não o maior. Estamos falando de “The Dark Side of the Moon“, que é tema do nosso bate-papo por aqui.

Estamos diante do álbum de número oito na carreira da banda e este é marcado por ter músicas mais curtas em relação aos anteriores, além das letras que abordavam temas mais pessoais, como cobiça, envelhecimento e doenças mentais, esse último, tem relação direta com a saída de Syd Barrett, que saiu da banda cinco anos antes devido a piora de sua saúde mental, resultado de seu abuso das drogas. Ele nos deixou em 2006, vítima de câncer no pâncreas. Syd era diabético.

Eles ainda estavam em turnê, divulgando o álbum “Meddle” (1971), quando começaram a desenvolver o conceito do vindouro álbum. Muitas das músicas presentes no aniversariante do dia foram apresentadas ao público durante os shows, ou seja, quando o play saiu, muitos já conheciam algumas das faixas. Importante salientar que entre “Maddle” e “The Dark Side of the Moon“, temos o álbum “Obscures by Clouds“, lançado em 1972, quando eles já trabalhavam no disco homenageado do dia.

Se eles reduziram a extensão das músicas, por outro lado, eles incluíram elementos bastante diferentes de uma banda de Rock, como gravação do barulho de muitos relógios simultâneos ou de alguém correndo em volta de um microfone. A capa, que traz um feixe de luz, transformando-se em um arco-íris ao ultrapassar um triângulo, representa essa complexidade que o quarteto abordou por aqui.

O quarteto se reuniu no icônico Abbey Road, em Londres. O estúdio, que ficou famoso por ter sido o local da gravação dos álbuns do The Beatles e também pela foto icônica de Lennon, McCartney, Ringo e George Harrison, foto que todos que visitam as cercanias do estúdio querem tirar e este que vos escreve também tem o mesmo desejo. O produtor Alan Parsons assinou a obra e é dele grande parte dos elementos mais exóticos que a banda colocou em prática por aqui. O produtor já era famoso por ter assinado o já citado álbum “Abbey Road“. Antes mesmo de gravar as canções, eles ensaiaram as novas composições e as apresentaram durante um concerto no Teatro Rainbow, em 17 de fevereiro de 1972, tendo na platéia apenas jornalistas e críticos musicais.

O álbum sofreu alterações quanto ao título. De início, ele se chamaria “The Dark Side of the Moon“, mas a banda descobriu que uma banda chamada Medicine Head já havia gravado um álbum com o mesmo nome, e então mudaram o título para “Eclipse“. No entanto, eles constataram que o álbum lançado pelo Medicine Head tinha sido um fracasso nas vendas e resolveram retomar o título pelo qual nós o conhecemos. Antes mesmo de as gravações serem concluídas, a banda iniciou a turnê de divulgação do vindouro álbum, o que serviu para que eles aprimorassem as ideias e mudanças aconteceram entre o material escrito originalmente e o que nós escutamos no álbum. Eles imtercalavam shows com sessões em Abbey Road. Eles interrompiam as gravações por diversas razões, algumas até banais, como por exemplo, Roger Waters saía do estúdio para assistir aos jogos do Arsenal, seu clube de coração.

Us and Them” foi a primeira canção a ser gravada, seguida por “Money“, “Time” e “The Great Gig in the Sky“, todas essas gravadas no ano de 1972. As canções restantes foram registradas a partir de janeiro de 1973.

Em 42 minutos, temos um álbum que se tornou um clássico imediato, eleito um dos maiores discos da história do Rock. Canções como “Time” e “Money” são algumas das mais conhecidas do Pink Floyd. Até hoje o álbum vendeu mais de 50 milhões de cópias no mundo, o que o coloca entre os mais vendidos de todos os tempos, mais precisamente na quarta posição. Se separarmos por estilos musicais, o álbum só não vendeu mais do que “Back in Black“, lançado pelo AC/DC sete anos mais tarde, e que tinha um apelo muito grande, era o primeiro álbum após a trágica morte do vocalista Bon Scott e a estreia de Brian Johnson. E nosso aniversariante do dia liderou as vendas até que os australianos vieram e tomaram-lhes a hegemonia.

The Dark Side of the Moon” detém um recorde, que é o de maior tempo de permanência na “Billboard 200“: o álbum ficou nada menos do que 777 semanas consecutivas na lista, isso entre os anos de 1973 e 1988, e estreou de cara na primeira posição do principal chart. Em 2009, a “Billboard” mudou os critérios para elaborar sua lista semanal e o nosso cinquentão retornou à lista, figurando nela por mais de 900 semanas, o que corresponde a mais de 18 anos. Nos demais países, o álbum alcançou o topo também na Áustria e no Canadá, 2° lugar na Austrália, Noruega e Reino Unido, 3° na Alemanha, Finlândia e Espanha. Há registros de inclusão do álbum em charts de 2022.

O álbum foi tão premiado que nós reservamos um parágrafo apenas para registrar as conquistas desta obra prima: Disco de Ouro na Bélgica, Grécia, Alemanha, República Tcheca, Canadá e Itália, neste último, a certificação depois tornou-se 6 vezes platina; Platina na França, Portugal, Polônia e Rússia; Duplo Platina na Argentina por duas oportunidades, em 1991 e 1994, Duplo Platina também na Áustria, Alemanha e Polônia, 5 vezes Platina no Canadá e que depois virou um Duplo Diamante. 14 vezes Platina na Austrália, 15 vezes platinado nos Estados Unidos e Reino Unido e 16 vezes Platina na Nova Zelândia. São números impressionantes.

O álbum figura em diversas listas compiladas ao longo dos anos. A “Rolling Stone“, no ano de 1987, colocou o álbum na 37ª posição em uma lista dos “Melhores álbuns dos 20 anos anteriores”. A mesma revista classificou o play na 43ª posição nos anos de 2003 e 2012, quando compilou sua lista dos 500 “Maiores Álbuns de Todos Os Tempos“. Na sua lista mais recente, no ano de 2020, o disco caiu algumas posições, figurando na 55ª posição. Tanto a “Rolling Stone“, quanto revista “Q“, elegeram “The Dark Side of the Moon” como o melhor disco de Rock Progressivo de todos os tempos.

O aniversariante do dia trouxe fama, dinheiro e aplausos para o Pink Floyd. O tecladista Richard Wright certa vez falou sobre como o sucesso comercial mudou a vida de todos na banda. Aspas para ele:

“Isso me mudou de várias maneiras, porque trouxe muito dinheiro, e a gente se sente muito seguro quando pode vender um álbum por dois anos. Mas isso não mudou minha atitude em relação à música. Apesar de ter feito tanto sucesso, foi feito da mesma forma que todos os nossos outros álbuns, e o único critério que temos para lançar música é se gostamos ou não. Não foi uma tentativa deliberada de fazer um álbum comercial. Simplesmente aconteceu assim. Sabíamos que tinha muito mais melodia do que os álbuns anteriores do Floyd, e havia um conceito que o percorria. A música era mais fácil de absorver e ter garotas cantando adicionava um toque comercial que nenhum de nossos discos tinha”.

Em 2023, Roger Waters anunciou que irá regravar o álbum. É sabido que ele foi o único letrista do play e em recente entrevista para o jornal britânico Daily Telegraph, ele afirmou que “É meu projeto, fui eu quem o escrevi. Vamos parar com essa besteira de nós“. Waters lançou a sua versão solo de “The Dark Side of the Moon” no ano passado, quando o álbum completou 50 anos.

Um baita play, merecidamente aclamado como um dos melhores, é de fundamental importância para o Rock e hoje é dia de escutar essa belezura no volume máximo. O álbum e a banda fazem parte da aula inicial do Rock, onde o fã deve ser ensinado que não se pode curtir o estilo subversivo e ser conservador, não se pode ser roqueiro e ser cheio de preconceitos. Nem todos conseguiram entender a mensagem deste quatro lords britânicos. Mas o legado deles está aí e nossa missão é mantê-lo vivo. E viva o Pink Floyd.

The Dark Side of the Moon – Pink Floyd

Data de lançamento – 01/03/1973

Gravadoras – Harvest Records/ CBS/ Capitol

Faixas:

01 – Speak to me

02 – Breathe

03 – On the Run

04 – Time

05 – The Great Gig in the Sky

06 – Money

07 – Us and Them

08 – Any Colour You Like

09 – Brain Damage

10 – Eclipse

Formação:

Roger Waters – baixo/ vocal/ guitarra/ sintetizadores

David Gilmour – guitarra/ teclado/ baixo/ vocal

Nick Mason – bateria/ percussão

Richard Wright – teclado/ vocal/ sintetizadores

Participações especiais:

Dick Parry – saxofone

Lesley Duncan – backing vocal

Doris Troy – backing vocal

Barry St. John – backing vocal

Liza Strike – backing vocal

Clare Torry – vocal em “Great Gig in the Sky”

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