Sepultura: há 39 anos, era lançado o EP “Bestial Devastation”
Há 39 anos, no primeiro dia de novembro do já distante ano de 1985, era lançado o play de estreia daquela que se tornaria a maior banda brasileira de Heavy Metal. Claro que estamos falando do Sepultura e o play em questão é o EP “Bestial Devastation“, tema do nosso bate-papo deste domingo.
Lançado como um split LP, do lado A, tínhamos o Overdose, banda conterrânea dos irmãos Cavalera. Eles traziam o EP chamado “Século XX“. Е do lado B, nosso homenageado do dia. O Sepultura era naquele momento uma banda formada por adolescentes. E dos integrantes que gravaram aquele play, nenhum deles está mais na banda. O leitor poderá argumentar que Paulo Xisto, à época, Paulo Junior estava na banda. Sim, ele estava, mas é de conhecimento de todos que o primeiro álbum que ele de fato gravou suas partes, foi “Chaos A.D.”.
Nos primórdios, o Sepultura fazia canções com letras em português. Mas a partir do momento em que decidiram gravar o aniversariante do dia, eles, acertadamente, tomaram a decisão de escrever em inglês, a língua universal. No entanto, nenhum dos membros tinha domínio sobre o idioma de Shakespeare. A solução foi pedir a ajuda de um amigo, Lino, que cuidou de fazer a tradução.
Outro problema era a falta de dinheiro dos integrantes. Eles não possuíam instrumentos próprios, o que fez com que eles pegassem alguns instrumentos emprestados para que pudessem gravar o álbum. Assim, em agosto de 1985, eles partiram para o JG Estúdios, na capital mineira. No estúdio, mais confusão, pois o técnico de som, que não estava acostumado com a sonoridade do Heavy Metal e sugeriu que na mixagem, o som ficasse limpo, ou seja, sem distorção alguma. Isso causou indignação nos membros e Igor Cavalera afirmou em uma entrevista que eles tiveram de levar um disco do Venom para que o rapaz escutasse e assim, pudesse compreender a ideia que aqueles jovens queriam deixar registrado.
O play é marcado por algumas participações: uma das lendas do Metal de Minas Gerais, Vladmir Korg, hoje no The Mist, mas que fez história pelo Chakal, participa cantando na faixa “Necromancer“, que aliás, é a primeira composição da história da banda. Um outro amigo da banda também participou, gravando o vocal na faixa “The Curse“, mas Igor Cavalera diz não se lembrar quem foi que deu a colaboração.
“Uma coisa que me lembro é que um de nossos amigos veio e fez a voz da introdução (‘The Curse’) porque ele fazia aquela voz sem efeitos ele estava meio que arrotando. Foi engraçado, então pedimos que ele viesse e fizesse isso no estúdio. Eu nem lembro o nome dele!”
Uma das composições, chamada “Antichrist” foi originalmente escrita por Wagner “Antichrist“, primeiro vocalista da banda, que saiu depois de desavenças e acabou montando o Sarcófago, banda que rivalizou não só com o Sepultura, mas também com o Ratos de Porão. Max manteve a letra intacta até o ano de 1993, quando depois de uma batida policial ao ônibus da banda, na Alemanha, onde os tiras procuravam por substâncias “proibidas”. Max Cavalera, então, revoltado com a postura policial, mudou a letra para “Anticop“.
Bolacha rolando, no lado A, temos o Overdose com três canções, na época em que a banda ainda investia no Heavy Metal puro e simples. Anos mais tarde, eles iriam incorporar elementos do Groove e até mesmo as batucadas brasileiras. No lado B, tínhamos o Sepultura trazendo um Death Metal cru, tosco, rápido e com muita rispidez. Soando como Venom e Possessed, as grandes inspirações do início da banda, o Sepultura trazia letras recheadas de blasfêmia. À exceção da intro, todas as faixas mostram uma banda com um certo poderio, muito provavelmente prejudicada pela falta de dinheiro e também de recursos tecnológicos para dar uma maior qualidade. Claro que as coisas iriam melhorar e muito com os lançamentos subsequentes.
O álbum gerou reações tanto positivas quanto negativas. A parte negativa ficou por parte dos fãs. Reza a lenda que os fãs do Sepultura riscavam o lado da capa que tinha o Overdose e os fãs do Overdose faziam o mesmo com o lado da capa que tinha o Sepultura. Uma rivalidade que foi alimentada por muitos, exceto pelos membros das bandas. Tal fato é comprovado pelo fato de Bozó, vocalista do Overdose, ter trabalhado como desenhista para o Sepultura.
Na década de 1990, o EP foi disponibilizado como bônus do primeiro full- lenght do Sepultura, “Morbid Visions“, lançado originalmente em 1986. Em 2023, os irmãos Cavalera regravaram ambos os plays, que foram lançados separadamente e finalmente, a tecnologia pôde mostrar o quão valioso as composições eram desde que foram originalmente criadas. Claro, há os que preferem a versão contida aqui. Hoje, a atual formação do Sepultura simplesmente ignora este play. Ainda que o atual guitarrista da banda, Andreas Kisser, tenha dado recentemente declarações não muito positivas sobre a atitude dos irmãos em regravar, e o pior, de ter falado sobre uma época que ele sequer pertencia à banda.
Seja como for, hoje é dia de celebrar esse play, a pedra fundamental do Sepultura, escutando-o no volume máximo. Há fãs que acreditam que a essência do Sepultura estava apenas neste “Bestial Devastation” e em “Morbid Visions“. É óbvio que é um exagero, pois a partir daqui a banda iria explorar os caminhos da música pesada, evoluir e mostraria ao mundo que o Brasil é muito mais do que sol, praia, futebol e bumbum de fora (N. do R: não se trata de machismo por parte deste redator que vos escreve e sim a forma como os estrangeiros vêem o Brasil). Era o início da caminhada de um dos nomes brasileiros mais celebrados pelo mundo. Hoje, não temos mais nenhum dos membros que gravaram o play e o Sepultura está fazendo sua turnê de despedida que parece não ter data para se encerrar.
Bestial Devastation – Sepultura
Data de lançamento – 01/12/1985
Gravadora – Cogumelo
Faixas:
01 – The Curse
02 – Bestial Devastation
03 – Antichrist
04 – Necromancer
05 – Warriors of Death
Formação:
Max Cavalera – guitarra/ vocal
Igor Cavalera – bateria
Jairo Guedz – guitarra/ baixo
Quando a maioria das bandas começam…começam com vontade de tocar e escrever, sem contar que sempre estavam ouvindo as bandas boas de antigamente como influência!!!! Com o tempo essas mesmas bandas…depois do sucesso, começam a não ouvir mais as bandas de antigamente e isso vai para o som!!!! Hoje em dia Max escuta New Metal, Andreas ouvindo sertanejo e Igor Cavalera com os seus eletrônicos…e assim vai com os outras bandas tipo Metallica elogiando o som da Lady Gaga e Justin Bieber, fala sério!!!! Antigamente não tinha Youtube, tudo era na raça e no boca a boca a divulgação de material sonoro…época boa aquela!!!! Sempre ouvia o som do Bestial mesmo em fitas cassetes, assim como os primeiros albuns do Slayer e Kreator…saudades daquela época em que vc rebobinava a fita com a caneta!!!! Grande clássico o Bestial, gostei da versão Remake que deu uma certa energia a mais, valeu!!!!