Resenha: Before the Dawn – “Cold Flare Eternal”

Com Cold Flare Eternal, lançado pela Reaper Entertainment, o Before The Dawn retorna com força e convicção — entregando um registro que mistura peso, melodia e atmosfera com precisão. O disco reafirma o lugar da banda entre os nomes mais sólidos do melodic death metal atual, ao mesmo tempo em que expande seus contornos com variações dinâmicas e uma pegada moderna bem acertada.

A introdução com “Initium” cria uma ambientação sombria e expectante — um prelúdio gelado que anuncia o contraste entre luz e sombra que marcará todo o álbum. Em seguida, “Fatal Design” coloca a banda de volta nos trilhos do death melódico intenso: guitarras cortantes, bateria firme, e vocais de gutural grave misturados a melodias mais melancólicas — um dos momentos mais emblemáticos desta fase.

Mas o álbum não se prende a uma fórmula única. Faixas como “As Above, So Below” e “Stellar Effect” alternam passagens pesadas com momentos atmosféricos e melódicos, revelando habilidade da banda em equilibrar agressividade e emoção. A voz de Paavo Laapotti — que ora rasga em gutural, ora flutua em limpos melódicos — dá corpo a esse contraste, tornando cada faixa vibrante e imprevisível.

O que se destaca em Cold Flare Eternal é a coesão: mesmo com variação de clima e ritmo, há um fio condutor que mantém o álbum inteiro como um bloco único, com identidade própria. Músicas como “Stronghold” e “Shock Wave” mostram o lado mais brutal da banda, com riffs densos, bateria implacável e guturais viscerais — mas o contraste com os momentos melódicos não soa deslocado, e sim parte de uma construção orgânica.

No fim, a faixa de encerramento — “Ad Infinitum” — traz um respiro: com melodia mais contemplativa, serve como um desfecho atmosférico e emocional, encerrando o disco com elegância e peso intimista.

Cold Flare Eternal não inventa o melodeath — e tampouco tenta. O que ele faz, com competência rara, é reafirmar a identidade do Before The Dawn, adicionar camadas de refinamento, e mostrar que a banda continua viva, relevante e capaz de emocionar tanto quem busca agressividade quanto quem procura melodia e profundidade. Para quem acompanha o death melódico contemporâneo, este álbum é um forte candidato a destaque de 2025.

NOTA: 8

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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