A opinião de Gastão Moreira sobre o atual jornalismo musical brasileiro
Para quem viveu a década de 90 no Brasil, sem Youtube e nem muito acesso a internet, sabe que os meios para conseguir informações da sua banda favorita eram revistas. Exemplares como a Rock Brigade e a Roadie Crew eram a grande referência e um dos primeiros a começarem essa história por aqui quando ainda tudo era mato.
Na TV, tínhamos a MTV, mais voltada ao rock/metal nesse período e alguns programas regionais, como era o caso do Alto Falante em Minas Gerais, que intercalava notícias com clipes e, claro, a Enciclopédia do Rock com o saudoso Adriano Falabella onde uma verdadeira aula era dada sobre alguma banda clássica.
Posteriormente, a internet trouxe o Whiplash aos olhos de todos, site onde mais se procuravam informações, resenhas de algum novo lançamento, e aos poucos, outros foram chegando ao longo do tempo como o Tenho Mais Discos Que Amigos que, apesar de não nichado, ainda tem boa parte focada no estilo. Com o avanço desse meio de comunicação, os canais no Youtube nascem do dia para a noite com diversas pessoas falando sobre o rock, e para alguns, o jornalismo musical acabou sendo banalizado nesse período, com muitos “caça-likes” falando de assuntos que nem sempre são conhecedores.
Gastão Moreira é um dos maiores nomes do jornalismo musical voltado ao rock/metal no Brasil, tendo entre muitos trabalhos estado à frente do Fúria Metal, clássico programa do gênero em tempos áureos da MTV. Recentemente, o apresentador esteve no programa Amplifica de Rafael Bittencourt e falou um pouco sobre o atual jornalismo e como ele enxerga esse momento. Ele foi questionado se acha que as coisas mudaram. Ele responde, conforme transcrito pelo Confere Rock:
Mudou, mudou bastante, cara. Porque hoje ele é praticado por quem não necessariamente teve um background em jornalismo, ou acompanhou bandas, ou tem experiência, ou conhecimento. Hoje é praticado por qualquer um. O cara quer criar um canal de jornalismo musical, ele simplesmente cria e dá suas opiniões — às vezes não muito embasadas, às vezes sem muito conhecimento.
Mas tudo bem, eu também não estou condenando ninguém. Só que o jornalismo musical começou lá nos anos 60, anos 70, com Lester Bangs e outros caras que realmente manjavam muito, acompanhavam a cena de perto. Então eu acho que tem que haver muita responsabilidade por parte de quem pratica o jornalismo musical.
Gastão então fala sobre como vê a responsabilidade quando alguém assume a alcunha de jornalista musical e quando fala sobre o assunto:
Acho que a pessoa precisa se esforçar um pouco mais para emitir sua opinião: prestigiar os shows, sacar o que está acontecendo, conhecer as bandas, estudar a história dessas bandas e, a partir daí, fazer seus comentários. Isso é sempre muito bem-vindo.
Em seguida, Rafael Bittencourt completa:
Agora, opiniões totalmente aleatórias, só porque a pessoa acha bonito ou quer ter view, pra mim é lamentável. Ao mesmo tempo, democratizou mais a opinião em geral, né? Hoje o cara publica um conteúdo jornalístico e ele é comentado pelo espectador na mesma hora. Isso aproximou mais do público.Por outro lado, também não existe muita curadoria. Qualquer um pode falar. Então as coisas acabam ficando menos embasadas, mais esvaziadas.
Gastão complementa:
Mas, ao mesmo tempo, tem muita gente legal e competente fazendo um bom trabalho. Então vamos dar o crédito também, porque tem uma molecada que começou do nada e tem competência, sim, para fazer isso. Então vá lá e mande pau no seu canal, cara.
A entrevista completa pode ser vista abaixo.

Valeu!!!!