Andreas Kisser relembra quando quase tocou com o Metallica

Andreas Kisser foi o convidado do Flow Podcast e durante a conversa, o guitarrista do Sepultura relembrou quando quase tocou com o Metallica. A chance apareceu quando James Hetfield sofreu um acidente no palco onde queimou os braços nos fogos do palco e não pode tocar guitarra por um período.

Na conversa, quando questionado se ele prefere Megadeth ou Metallica, Kisser responde conforme transcrito pelo Confere Rock:

Não, eu conheço os caras (do Metallica), para mim é um privilégio. Falar, pô, sabe? Ser amigo, amigo, encontra os caras, da um abraço, né? Dou uns pega, enfim, troca uma ideia, né? E isso para mim, cara, não tem preço! O Rust in Peace, por exemplo, é uma obra-prima, cara. O Peace Sells eu gosto muito, porque a época de BH, quando eu tava lá com Sepultura, sabe, ouvindo isso, eu ouvi muito Peace Sells também, Chris Poland, na guitarra. Uma música espetacular.

Mas, cara, o Metallica para mim é como um Black Sabbath, sabe? Acho que o Metallica com Ride the Lightning, principalmente, mudou a história da música, mano.

Ele continua falando como o Sepultura se inspirou no Metallica muito além da música:

Cara, Fade to Black, Cliff Burton e Fight Fire with Fire, eh, For Whom the Bell Tolls, Call of Ktulu. O Sepultura seguiu muito essa estrutura de montar um álbum: música porrada, a música-tema, que é uma música mais groovada, que dá todo sentido ao disco tematicamente, que é Ride the Lightning. Aí você tem For Whom the Bell Tolls e The Call of Ktulu, lado A, né? Lado B você já abre, com uma música esquisita, que é Escape. E aí você fecha com uma música porrada. Enfim, Master of Puppets é meio assim. E o Arise é assim. O Arise a gente montou assim, tipo: Arise, Dead Embryonic Cells, Desperate Cry. Aquela coisa instrumental e tudo. Então você vê a influência que vai muito mais além do que o riff e a música em si. Como Metallica se apresenta, mano.

Em seguida, Andreas relembra do teste que fez para tocar com o Metallica durante o período do acidente de Hetfield:

O Metallica é uma aula. Eu trabalhei com Metallica, eu toquei com eles, eu fiz o teste lá quando o James queimou o braço e tudo. Uma experiência maravilhosa. Observar o Metallica fazendo é uma aula em todos os aspectos. O Sphere agora de Las Vegas, como eles estão anunciando, a desculpa que eles pediram da confusão de venda de ingresso, a preocupação em melhorar o processo para a próxima fase, cara.

E quando eu toquei com eles lá, quando o James queimou o braço, eles deram chance para guitarrista que tocava em banda cover do Metallica do Canadá e não sei aonde. Cara, olha onde os caras vão. E o Metallica tava no Black Album, fazendo turnê com Guns N’ Roses em estádios pelos Estados Unidos, estavam no momento mais alto e, mesmo assim, eles deram a chance para eles mesmos, sabe, de ouvir uma interpretação e tudo.

Eu vim do Brasil, cara. O Phil Rind, do Sacred Reich, que é muito amigo do Jason Newsted, baixista do Metallica na época, falou: “Pô, dá uma chance ao Andreas, ele curte muito Metallica, toca os negócios”. Falei: “Pô, vem aí, a gente vai estar em Denver, no Colorado, em tal data e não sei o quê”. Eu tava no Brasil. Em poucos dias comprei uma passagem, fui para lá, fui recebido com uma limousine no aeroporto, fui direto para a arena onde eles estavam ensaiando, e lá toquei dois dias com os caras. Fui para a final com outro guitarrista, acabei não pegando, fiquei em segundo lugar.

Foto: Gustavo Diakov

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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