A dura opinião de Regis Tadeu sobre o novo documentário do Iron Maiden
No mês passado, o Iron Maiden ganhou um novo documentário, intitulado “Burning Ambition“, que seria algo para comemorar os 50 anos da banda. Regis Tadeu falou sobre o filme em um vídeo de seu canal, e não rendeu boas falas ao longa.
Conforme transcrito pelo Confere Rock, ele comenta como tudo não passou de um “produto enlatado” da produtora Universal e que não traz muito além do “beabá” sobre a banda e não acrescenta em nada, além de ignorar fatos e integrante importantes:
A realidade é uma só: esse documentário não foi idealizado, não foi gerido e não foi controlado pela banda. Por quê? Porque a ideia partiu inteiramente do estúdio da Universal. O estúdio abordou quem realmente manda na banda, Steve Harris e o empresário Rod Smallwood, com uma belíssima proposta financeira, uma proposta comercial de celebrar os 50 anos do Iron Maiden. E a Universal adquiriu o controle absoluto da produção. E a Universal sabe exatamente como transformar nostalgia em produto premium para consumo rápido. Tanto que o fã do Iron Maiden continua disposto a aceitar qualquer coisa que venha embrulhada com o Eddie estampado na capa, desde que ele possa berrar “Fear of the Dark” ao lado de outros marmanjos bobalhões emocionados, inclusive dentro de uma sala escura de cinema. Os executivos da Universal vieram com um conceito fechado que eles queriam desenvolver. Só que, ao longo do processo, esse conceito mudou drasticamente em relação à ideia original e acabou virando um emaranhado de clichês para agradar o espectador médio. Ou seja, o fã bobalhão.Aliás, “fã bobalhão” é uma redundância no caso do Iron Maiden. – Completa Regis.
Ele continua:
Porque quem conhece o Iron Maiden sabe perfeitamente que Steve Harris e Rod Smallwood são maníacos por controle. Eles supervisionam até a cor do cadarço das botas do Eddie. Então, se Steve Harris não apareceu, foi o sinal mais claro e evidente de que ele constatou que a banda virou mera coadjuvante no próprio documentário. Os integrantes simplesmente fizeram o que a corporação queria que eles fizessem. Ou seja, viraram funcionários de luxo de um projeto de estúdio. E o resultado foi realmente uma história totalmente pasteurizada, sem o verniz, sem o critério histórico que um documentário oficial do Iron Maiden normalmente teria.
Regis também critica a forma como Blaze Bayley foi apresentado no longa e por ignorar membros importantes do início da carreira da banda:
O roteiro, inclusive, é uma confusão. Uma colcha de retalhos absolutamente vergonhosa, repleta de furos e de um revisionismo histórico que beira a má-fé. Vide a heresia que o filme faz com o início da banda, que praticamente ignora a existência do guitarrista Dennis Stratton e, pior ainda, do genial e saudoso baterista Clive Burr. Clive Burr, inclusive, nunca foi um coadjuvante. Nunca foi. Ele foi, sim, a espinha dorsal rítmica dos três primeiros álbuns do Iron Maiden. Então, reduzir esses dois a uma nota de rodapé, com a desculpa esfarrapada de que “o documentário foi feito para os fãs”, é absolutamente ridículo. Que tipo de fã? O bobalhão que só conheceu a banda a partir do The Number of the Beast? Um documentário sério honra quem construiu os alicerces e não apaga esses personagens da história. Um dos pontos mais baixos desse documentário para mim — e inclusive um dos momentos mais ultrajantes desse roteiro — foi a maneira como trataram Blaze Bayley. Como se ele fosse um intruso incompetente. Como se fosse um sujeito que caiu ali de paraquedas e que foi o único culpado pelo declínio comercial do Iron Maiden nos anos 90. Isso é de uma injustiça absurda. Porque ele foi um cara extremamente profissional, muito digno, que assumiu o microfone na fase mais difícil do mercado fonográfico para o heavy metal. Só que o documentário prefere ridicularizar a performance dele e colocar nele a culpa pelo que aconteceu. Coloca a culpa nas limitações técnicas dele pela crise que a banda toda teve, tirando totalmente a responsabilidade do verdadeiro responsável por aquele fracasso daqueles tempos, que foi Steve Harris, com aquelas músicas horríveis do Virtual XI e aqueles shows perninhas que o Iron Maiden estava fazendo.
Regis Tadeu ainda critica como o filme não se apega aos 50 anos da banda em momento algum, contando somente um recorte de sua história em 2 horas, ignorando fatos importantes e arranjando “desculpas” para momentos “duvidosos” de sua jornada, além de não trazer nenhum fato importante ou diferente, e o resume:
Então, no fim das contas, esse documentário da Universal — não da banda — serve para quê? Serve para hordas de fãs nostálgicos e bobalhões passarem o tempo juntos, trancados numa salinha de cinema, no meio da semana, batendo cabeça e cantando refrão manjado enquanto consomem pipoca caríssima.
