Powerwolf – “Wildlive (Live At Olympiahalle)”
Poucas bandas de metal atuais possuem um catálogo de registros ao vivo tão extenso quanto o Powerwolf. A impressão é que praticamente todo novo álbum de estúdio acaba acompanhado por pelo menos um lançamento ao vivo, evidenciando não apenas o crescimento internacional do grupo, mas também a percepção de que sua verdadeira força está nos palcos.
O mais recente registro, “Wildlive (Live At Olympiahalle)“, lançado pela Napalm Records e trazido ao Brasil pela Shinigami Records, é um pacote com dois discos gravado durante um show realizado em Munique, em 2024, na turnê de divulgação de “Wake Up The Wicked”. O repertório reúne 19 faixas, incluindo cinco músicas do novo álbum — curiosamente, sem a presença da faixa-título. Como consequência, boa parte das interações do vocalista Attila Dorn com o público permanece em alemão.
A abertura fica por conta da intro tradicional antes de “Bless ‘Em With The Blade”, que estabelece imediatamente o ritmo acelerado do espetáculo. Poucas bandas teriam confiança suficiente para iniciar uma apresentação com uma música recém-lançada, mas o Powerwolf demonstra total segurança tanto em seu material quanto na posição que ocupa diante do público alemão.
Logo depois, a banda presta homenagem aos fãs de longa data com “Incense & Iron” e “Army Of The Night”, em uma sequência que relembra suas raízes. A comparação entre as composições mais antigas e as novas deixa evidente a evolução do grupo: enquanto os primeiros trabalhos apostavam em um heavy metal mais tradicional, músicas recentes como “1589”, “Demons Are A Girl’s Best Friend” e “Dancing With The Dead” apresentam uma abordagem mais acessível e voltada para grandes públicos.
Mesmo com essa mudança de direção, o Powerwolf continua preservando clássicos carregados de humor e teatralidade — marcas registradas da banda. A única ausência realmente sentida é “Resurrection By Erection”, frequentemente um dos momentos mais divertidos dos shows.
Entre os destaques está a poderosa “Sinners Of The Seven Seas”, seguida pela agressiva “Amen & Attack”, ambas impulsionadas pela intensa participação do público.
Um dos momentos mais marcantes continua sendo “Armata Strigoi”, cuja tradicional divisão entre vozes masculinas e femininas da plateia permanece como uma das experiências mais memoráveis dos grandes festivais europeus, ao lado de clássicos como “The Bard’s Song”, do Blind Guardian, ou da famosa remada coletiva durante “Put Your Back Into The Oar”, do Amon Amarth.
Outros destaques incluem “Fire And Forgive”, enriquecida por uma breve introdução orquestral, e “We Don’t Wanna Be No Saints”, que ganha ainda mais impacto com a inclusão de um coro infantil durante o refrão.
Apesar do excelente início, a reta final da apresentação perde um pouco do fôlego. A balada “Alive Or Undead”, acompanhada por piano, é seguida por “Heretic Hunters”, que ainda não possui o mesmo peso emocional das músicas mais antigas. Na sequência aparecem “Sainted By The Storm” e “Blood For Blood (Faoladh)”, encerrando o set principal de forma menos empolgante.
O bis, entretanto, recupera rapidamente a energia da apresentação com três dos maiores clássicos da carreira da banda: “Sanctified With Dynamite”, “We Drink Your Blood” e “Werewolves Of Armenia”, fechando o show em alta.
Além da edição padrão, algumas versões especiais incluem um segundo show completo, gravado em Oberhausen, em 2022, com repertório diferente, tornando o lançamento ainda mais atrativo para os fãs mais dedicados.
O novo álbum ao vivo reforça aquilo que muitos já sabem: o Powerwolf continua sendo uma das experiências mais consistentes e grandiosas do heavy metal contemporâneo.
NOTA: 8
