Silenoz diz que alguns membros do Dimmu Borgir “não agiram com respeito”
Ao longo dos anos, os fãs do Dimmu Borgir acompanharam diversas mudanças em sua formação, assim como a própria banda mudou sua estética e sonoridade. A mais recente nessas mudanças foi a saída do guitarrista Galder em 2024.
Em conversa com o Rock Hard Greece, Sven “Silenoz” Kopperud falou sobre como essa mudanças impactaram na dinâmica da banda ao longo dos anos. Ele fala se a última baixa fez com que ele e o vocalista Stian “Shagrath” Thoresen sentissem uma aproximação com a “fase anos 90” da banda. Ele então responde:
“Acho que sim, em muitos aspectos, porque, claro, é mais fácil para mim e para o Shagrath chegarmos a conclusões sobre as músicas e praticamente tudo mais se houver menos gente envolvida. É assim que funciona. Em uma banda, e posso falar por muitos artistas e bandas por aí, existe democracia até certo ponto. E isso funciona bem, mas a partir daí, para tomar as decisões mais importantes e às vezes muito difíceis, não dá para ter democracia; não seria o melhor para todos os envolvidos. Então, com isso em mente, acho que podemos dizer que sempre fomos nós dois no comando e tomamos essas decisões. E as decisões fáceis são fáceis, obviamente. Quando se trata de coisas mais desafiadoras, como mudanças na formação e todas essas outras questões não musicais, acho que podemos dizer que nem sempre é tão fácil. Obviamente, toda banda quer evitar mudanças na formação, mas aqui estamos nós novamente. E acho que o que aconteceu desta vez foi para o bem da banda em muitos aspectos. Acho que isso nos ajudou, a mim e ao Shagrath, a nos aproximarmos um pouco mais, já que podemos fazer mais individualmente. Eu posso fazer mais da minha parte, ele da dele, e então nos reunimos e definimos o que precisamos. Basicamente, é menos complicado. Foi assim que funcionou desta vez, e estou muito feliz com o resultado.”
Silenoz então falou especificamente sobre a saída de Galder, e se isso foi uma espécie de “libertação” para ele e Shagrath em termos de criação, ou se foi mais sentida como “uma perda”:
“Antes de mais nada, como uma libertação, se você quiser usar essa palavra. Galder não estava tão envolvido no processo de composição do novo álbum. E especialmente nos últimos anos antes de sua saída, ele não estava muito envolvido. Então, obviamente, vocês vão ouvir algumas ideias que ele contribuiu no início do processo de composição. Mas muita coisa mudou, foi reescrita, reeditada. Sim, algumas dessas músicas datam de 2018, 2019. E mesmo naquela época, éramos principalmente eu e Shagrath que nos reuníamos e juntávamos as coisas. Então, podemos dizer que o motivo pelo qual este álbum soa mais básico em algumas músicas é justamente porque fomos nós que compusemos a maior parte dele. Simples assim.”
Questionado se ele e Shagrath se viram mais protetores com o Dimmu Borgir devido à conflitos com ex-membros da banda, Silenoz responde:
“Sim, tenho certeza que sim, porque, como você deve imaginar, no meu caso e no do Shagrath especificamente, estamos lá desde o primeiro dia e sempre tivemos a responsabilidade pela banda e pela marca. E ao longo dos anos, pessoas vieram e foram embora. E, naturalmente, elas não terão a mesma responsabilidade pela banda que nós tivemos desde o início. Isso é compreensível. Mas também sentimos que, ao longo dos anos — não vou mencionar nomes —, alguns dos membros anteriores talvez não tenham agido com o respeito que deveriam, levando em consideração a posição que ocupavam. E também sentimos que fomos explorados, no sentido de que algumas pessoas se aproveitaram do fato de estarmos na banda. E, sim, claro que você aproveita as oportunidades que surgem ao tocar em uma banda grande e famosa — é claro que você aproveita; todo mundo aproveitaria —, mas também é importante saber onde… Há… Às vezes, falta de respeito e desconhecimento sobre o que significa estar em uma banda, e essa responsabilidade sempre recaiu sobre meus ombros e os do Shagrath. Mas, ao mesmo tempo, não quero falar mal dos membros anteriores, porque todos os membros que estiveram na banda por um período considerável dedicaram seu nome, esforço e ideias ao grupo. Eles ajudaram a moldar as músicas e fizeram parte da banda desde o início. E, claro, isso é algo que apreciamos. Mostra que uma banda pode crescer, apesar das dificuldades, obstáculos e desafios. Mostra que ainda somos um pilar, por assim dizer. E, basicamente, superamos esses obstáculos.
O Dimmu Borgir retornará ao Brasil este ano, como uma das atrações do Liberation Festival e mais detalhes você encontra aqui.
