Marilyn Manson enfrentará julgamento por acusações de abuso sexual feitas por ex-assistente
O músico Marilyn Manson, nome artístico de Brian Warner, enfrentará um julgamento civil movido por sua ex-assistente pessoal Ashley Walters, que o acusa de agressão sexual, além de abuso físico e emocional durante o período em que trabalhou para ele.
A decisão foi tomada na quarta-feira, 12 de agosto, por um juiz do Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, que marcou o julgamento com júri para 15 de novembro de 2027. A data foi considerada relativamente rápida para os padrões do condado, onde novos julgamentos estão sendo agendados regularmente para meados de 2028.
Apesar da definição da data, o processo ainda poderá ser interrompido antes de chegar ao júri. Howard King, advogado de Manson, afirmou que a defesa pretende apresentar uma nova moção para julgamento sumário e está confiante de que o caso não chegará à fase de julgamento.
“Estamos confiantes de que o caso nunca chegará a julgamento depois que o tribunal analisar nossa próxima moção para julgamento sumário.”
Processo teve uma longa batalha judicial
A ação de Ashley Walters contra Manson foi originalmente apresentada em 2021 e passou por uma série de reviravoltas judiciais. Em maio de 2022, outro juiz havia encerrado o processo por considerar que as alegações foram apresentadas fora do prazo previsto pela legislação.
Posteriormente, um tribunal de apelação reabriu o caso e permitiu que Walters tentasse demonstrar que uma suposta supressão de memória provocada pelo trauma teria atrasado sua decisão de entrar com a ação.
Em dezembro de 2025, porém, o juiz Steve Cochran voltou a arquivar o processo depois de concluir que Walters não havia conseguido demonstrar essa questão. A situação mudou novamente após a entrada em vigor da AB 250, uma lei da Califórnia que criou uma janela temporária de dois anos para determinadas acusações de agressão sexual que anteriormente estavam impedidas pelo prazo de prescrição.
Em janeiro deste ano, Cochran reverteu sua própria decisão e concluiu que a nova legislação poderia reativar a reivindicação de Walters. Em junho, o magistrado também rejeitou uma nova tentativa da defesa de Manson de encerrar ou restringir a ação.
Na ocasião, os advogados de Manson argumentaram que as alegações de Walters não se enquadrariam nos critérios necessários para serem reativadas pela AB 250. A defesa questionou especificamente se teria existido restrição física durante o suposto abuso sexual.
O juiz, entretanto, considerou que a questão dependia de fatos que precisariam ser analisados durante o andamento do processo e decidiu permitir que a ação continuasse.
“Com alegações como essas, você acha que vou ficar discutindo se isso é agressão sexual ou não na fase inicial do processo? Eu teria problemas para dormir.”
O que Ashley Walters acusa Marilyn Manson de ter feito?
De acordo com a ação judicial, Walters afirma que foi sexualmente agredida por Manson em maio de 2010, antes de começar oficialmente a trabalhar para o músico.
Segundo seu relato, ela teria sido empurrada para uma cama na casa-estúdio de Manson, em West Hollywood, teve os braços presos e foi alvo de uma tentativa de beijo. Quando tentou se afastar, Walters afirma que Manson teria se colocado atrás dela, mordido sua orelha e segurado sua mão, colocando-a dentro de sua roupa íntima.
Walters afirma que posteriormente aceitou trabalhar como assistente de Manson depois que ele sugeriu uma possível colaboração profissional relacionada à fotografia.
Ela alega que, durante o período de trabalho, teria sido submetida a diversos episódios de abuso físico e emocional. Entre as acusações estão agressões com um chicote, objetos arremessados, obrigá-la a permanecer em pé sobre uma cadeira durante longos períodos e tê-la arremessado contra uma parede durante episódios que ela descreveu como acessos de raiva associados ao uso de drogas.
A ex-assistente também afirma ter presenciado outros episódios envolvendo Manson. Em sua ação, Walters alega que o músico teria arremessado um crânio usado como objeto de cena contra sua então noiva, a atriz Evan Rachel Wood, deixando uma marca elevada em seu abdômen.
Ela também afirma que, em determinados momentos, teria levado comida e bebidas escondidas para mulheres que, segundo seu relato, estariam escondidas e em situação de sofrimento dentro da residência de Manson.
Marilyn Manson nega as acusações.
Manson já tentou processar Walters
A disputa entre os dois também chegou ao campo das acusações de difamação. Manson havia entrado com uma ação contra Walters, mas posteriormente abandonou o processo e concordou em pagar os honorários advocatícios dela, em um valor de aproximadamente US$ 327 mil.
O processo envolvendo Walters surgiu em meio a uma série de acusações públicas contra Manson em 2021. Naquele período, várias mulheres, incluindo Evan Rachel Wood, apresentaram alegações de abuso físico e emocional contra o músico.
Manson posteriormente chegou a acordos extrajudiciais com duas acusadoras, entre elas a atriz Esmé Bianco. Ele também abandonou anteriormente processos por difamação e assédio contra Evan Rachel Wood.
Julgamento está marcado para 2027
Com a decisão tomada em 12 de agosto, o processo de Ashley Walters agora tem uma data oficial para chegar diante de um júri: 15 de novembro de 2027.
Isso, entretanto, não significa que o julgamento necessariamente acontecerá. A defesa de Manson pretende apresentar uma moção de julgamento sumário, que poderá tentar encerrar o processo antes que as alegações sejam apresentadas a um júri.
Por enquanto, contudo, a ação permanece ativa e avançará para a próxima etapa da disputa judicial.
“É uma clara convocação para uma moção de julgamento sumário. O juiz deixou explícito que ainda não estamos no estágio adequado do processo.”
A declaração foi feita pelo advogado Howard King após a decisão de junho que manteve a ação de Walters em andamento.
Nesta sexta-feira (14), Marilyn Manson lança seu novo disco, “One Assassination Under God – Chapter 2“.
