Roberta Medina fala sobre apelido “Pop in Rio”, mas ressalta: “primeiro dia que esgota é este”

A máxima do “Rock in Rio deveria se chamar Pop In Rio” é uma das mais pregadas na internet junto aos fãs do rock e metal, devido a sua versatilidade de estilo e que muitas vezes prioriza o pop em suas escalações de artistas.

Mas em entrevista ao G1, a vice-presidente do festival, Roberta Medina, rebateu de forma ácida essas críticas e foi direta no seu comentário ao falar sobre como o público que esgota os ingressos primeiro, sempre é o do pop. Ela diz, conforme transcrito pelo Confere Rock:

Essa conversa sempre acontece. Os roqueiros falam isso. O pessoal do pop não reclama, né? E é muito engraçado, porque os roqueiros são barulhentos. Então, quando não tem rock, eles fazem barulho, mas o primeiro dia que esgota é o pop. A vida é essa. Então, o que a gente percebe é que a gente ama o rock. Está na nossa essência, está na nossa atitude. Mas o que a gente precisa construir são dias que funcionem para essas milhares de pessoas. Em Portugal, não é qualquer artista de rock que consegue reunir um público dessa dimensão. No Brasil, idem. Então, você tem que… tem a disponibilidade dos artistas também. Se você tem alguns que dão conta do recado, a gente vai atrás deles. E, se eles estiverem disponíveis, a gente ama.

Em seguida, Roberta fala sobre o público do rock e metal:

É um público muito legal. O público do metal também é maravilhoso. É um público de que a gente gosta muito. Mas depois entra a questão de estar disponível ou não estar disponível. A gente segue atrás deles. Mas essa discussão sempre vem. “Isso é Pop in Rio, a gente quer rock.” É pop. E a gente aqui até adotou o “All in Rio”. A gente usa muito a marca do Rock in Rio para falar dos nossos valores, que são magia, alegria e amor. E a gente vive o “all”. É isso. Não é de hoje, sempre foi. Se a gente olhar para 1985, sempre foi sobre todos os estilos. Nunca foi só rock.

Roberta Medina ainda fala sobre como o The Town é uma espécie de expansão do Rock in Rio para São Paulo e como há toda uma logistíca por trás de evento desse porte:

A gente brinca que a expansão internacional que fizemos foi crescer para a cidade mais próxima do Rio de Janeiro, que foi São Paulo, com o The Town. Então, essa foi a expansão que a gente fez. O esforço para fazer uma edição em outro país é muito grande, porque é um modelo de negócio muito diferente. Com a oferta de infraestrutura que ele faz, trabalha muito com o mercado publicitário. O esforço é muito grande. Então, a nossa decisão, por enquanto, é fazer com que o mundo se encontre nesses dois polos que a gente tem. A gente está ampliando a estratégia internacional desses dois mercados para que o mundo venha até nós. E isso também traz à tona a ideia de uma tendência. Hoje, quando a gente olha todos os estudos da área de turismo, vê que cada vez mais pessoas viajam procurando uma programação cultural em que a música ao vivo seja o foco. Os festivais têm um grande destaque nisso. E o Rock in Rio tem uma grande vantagem: é um festival urbano. Não é um festival de campo, não é um festival tradicional em que as pessoas ficam acampadas três ou quatro dias. Então, o nosso público, em geral, vai uma vez e meia ao festival. No Brasil, a média é perto de dois dias por pessoa. Quando o turista chega à cidade, ele passa um dia com a gente e depois vai viver a cidade. Vai consumir, vai ao restaurante, vai viajar pelo entorno, vai conhecer outro estado. E isso é muito potente. Então, a gente está agora surfando essa tendência que está tão forte no mundo e dizendo assim: Não tem momento melhor para você ir ao Rio. Não tem momento melhor para você ir a Lisboa do que celebrar com o Rock in Rio.

O Rock in Rio deste ano contará com dois dias de rock, sendo:

4 de setembro (Quinta-feira)

  • Palco Mundo: Foo Fighters, Rise Against, The Hives, Nova Twins.
  • Palco Sunset: Capital Inicial convida Dado Villa-Lobos, Hot Milk, Detonautas convidam Biquíni, Di Ferrero.

5 de setembro (Sexta-feira)

  • Palco Mundo: Avenged Sevenfold, Bring Me the Horizon, Machine Gun Kelly, Sepultura.
  • Palco Sunset: Bad Omens, Poppy, Black Pantera convida Nervosa, Malvada convida Day Limns.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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