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Matt Sorum diz que “não sabia nada” sobre volta de Slash e Duff ao Guns N’ Roses

Em uma nova entrevista ao programa Meltdown, da rádio WRIF, de Detroit, Matt Sorum, ex-baterista do Guns N’ Roses, foi questionado se ficou surpreso quando o guitarrista Slash e o baixista Duff McKagan voltaram a trabalhar com o vocalista Axl Rose, dando início ao processo que culminou na reunião de parte da formação clássica da banda.

Segundo Sorum, o reencontro não chegou a ser uma grande surpresa, embora ele não soubesse que aquilo estava prestes a acontecer. O músico afirmou que acreditava que Slash e Duff eventualmente voltariam a tocar com Axl, mas revelou que ficou sabendo dos planos somente quando tudo já estava acontecendo.

“Na verdade, não. Acho que isso ia acontecer eventualmente. Mas, como eu disse, quando eles voltaram a tocar juntos, eu não sabia de nada, para ser sincero. Então, quando aconteceu, eles fizeram do jeito que queriam e seguiram em frente.”

Atualmente, Sorum afirma estar satisfeito com a liberdade para escolher os projetos nos quais deseja trabalhar. Aos 65 anos, o baterista também falou sobre as mudanças pessoais pelas quais passou, destacando a importância da família, da sobriedade e de manter uma vida saudável:

“Estou sendo criativo à minha maneira. Tenho muita coisa legal. Eu meio que vivo no meu próprio universo. Deixo meu poder superior me guiar. [Risos] E minha mãe costumava dizer: ‘A rejeição de Deus é a proteção de Deus’. É tipo: ‘Não lute contra isso. Apenas aceite’. E tenho feito isso muito mais na minha vida. Conforme envelheço, as coisas ficam um pouco mais claras. Então, tudo está ótimo na minha vida. Tenho uma filha de cinco anos que me vê bastante. Essa é provavelmente uma das coisas mais importantes. Você tem filhos. Você está lá para eles. Eles vão crescer. Eu quero estar por perto. Eu quero estar aqui. Eu quero viver. Estou cuidando bem de mim. Tenho 65 anos. Estou na melhor forma física da minha vida. Não bebo há 18 anos. Nada de drogas. Posso olhar para trás, para o ano 19, e não posso dizer que era a mesma coisa. Então, todas essas coisas são um presente e uma bênção, e isso se transforma nesta instituição de caridade e no que sou capaz de fazer conscientemente. Então, sou extremamente grato.”

Matt Sorum explica por que bandas gigantes enfrentam dificuldades

Durante a entrevista, Sorum também refletiu sobre os desafios enfrentados por bandas que alcançam um nível gigantesco de popularidade. Para o músico, o crescimento pode transformar completamente a dinâmica interna de um grupo, principalmente quando questões empresariais, financeiras e pessoais começam a interferir no processo criativo.

“Acho que quando você fica muito grande, isso pode ser um desafio. Quando o Guns N’ Roses estourou, quando lançamos ‘Use Your Illusion’ e tudo mais, foi depois disso que as coisas ficaram realmente difíceis. Você fica tão grande, o que fazer em seguida? Quando vejo essas bandas que estão em turnê e têm uma carreira que resiste ao teste do tempo — obviamente o Guns N’ Roses levou 25 anos para eles voltarem, mas o que estou dizendo é que pode ser um pouco assustador quando você é tão grande assim. O Metallica conseguiu porque eles são uma máquina. Eles entendem. E obviamente você viu o documentário [‘Some Kind Of Monster’] sobre o que eles passaram. Mas eles deram um jeito. E eu já disse para algumas pessoas: ‘Olha, eu poderia ser um conselheiro para a sua banda se vocês estiverem com problemas’. [Risos] Porque eu sei o que não fazer.”

Na visão de Sorum, a música costuma ser justamente a parte mais fácil de uma carreira coletiva. Os problemas realmente complicados aparecem quando a banda precisa administrar negócios, contratos, dinheiro e diferentes personalidades.

“A parte musical é a parte fácil. A parte comercial é a parte difícil. Navegar pelo mundo dos negócios, as coisas que se infiltram — os agentes, os empresários, a parte comercial, as editoras, as músicas, tudo isso é o que causa problemas nas bandas. E as bandas geralmente se separam por causa de dinheiro ou ego. Então, ego e dinheiro não combinam bem. [Risos] Então o Metallica, eles descobriram como manter a banda funcionando… E o Metallica é uma máquina. E o jeito como eles a administram e como lidam uns com os outros, eles pensam: ‘Olha, temos uma coisa boa aqui. Por que estragar tudo?’ E os Rolling Stones…”

Sorum também refletiu sobre a oportunidade que um músico tem de trabalhar ao lado de grandes artistas e sobre como sua percepção da própria carreira mudou com o passar dos anos.

“Sendo músico, quando você tem a oportunidade de tocar com outros grandes músicos e a colaboração funciona e, de repente, você faz sucesso, é o momento em que… Acho que eu não conhecia a palavra ‘gratidão’ até ficar mais velho, e especialmente sóbrio. [Risos] Foi uma jornada selvagem. Foi como estar na ‘Aventura Selvagem do Sr. Sapo’. É confuso. E você é um cara jovem, e misturar álcool e coisas assim, tudo fica nebuloso e estranho. Então, estou em um momento muito bom.”

“A comunicação é fundamental”, afirma Sorum

Outro ponto abordado pelo baterista foi a importância da comunicação dentro de uma banda. Sorum acredita que ressentimentos acumulados podem ser extremamente prejudiciais e que muitos conflitos poderiam ser evitados se os integrantes simplesmente conversassem de maneira aberta.

“Eu diria — e esta é uma ótima expressão do que eu diria: a comunicação é fundamental. E o ressentimento é devastador. Se você guarda ressentimento por algo, você o mantém dentro de si, carrega esse peso, e isso é muito doloroso. Então, se você não consegue comunicar esse sentimento ou conversar com alguém sobre isso, especialmente com a pessoa com quem você guarda ressentimento, que tal ligar e dizer: ‘Me desculpe. Peço desculpas.’ Essa é uma ótima maneira de desabafar e perceber que talvez não seja tão difícil assim, mas enquanto você fica pensando que é, você fica imaginando o que a outra pessoa está pensando sobre você: ‘Ah, ele me odeia’. A comunicação é fundamental em tudo — inclusive nos relacionamentos. E estar em uma banda é como estar em um relacionamento. É como um casamento multiplicado por cinco.”

Na sequência, Sorum relembrou uma situação envolvendo o produtor Rick Rubin e o Velvet Revolver, banda que formou ao lado de Slash, Duff McKagan, Dave Kushner e do vocalista Scott Weiland.

“Então, se você não conversa e diz: ‘Ei, cara, eu tenho…’, eu me lembro de uma vez em que trabalhei com o [lendário produtor] Rick Rubin. Ele chegou com o Velvet Revolver e perguntou a todos nós — a primeira coisa que ele perguntou foi como estávamos nos dando. Scott Weiland disse: ‘Eu e o Matt não estamos nos dando bem’. Eu disse: ‘O quê, Scott? Não te vejo há seis meses’. Então ele achou que eu e ele tínhamos algum problema. E eu disse: ‘Scott, eu não tenho nenhum problema com você, cara. Você é um ótimo vocalista. Vamos fazer música’. E é desse tipo de coisa que estou falando.”

Depois de décadas trabalhando em grandes bandas, Sorum afirmou que atualmente aprecia especialmente a possibilidade de atuar como artista solo, sem precisar lidar constantemente com as complexidades de uma estrutura coletiva.

“Acho que, para mim, ser um artista solo e fazer meu trabalho sozinho é muito bom porque já toquei em muitas bandas. A maioria delas não foi fácil. [Risos]”

Matt Sorum soube da reunião do Guns N’ Roses por rumores

A participação de Sorum na história do Guns N’ Roses também voltou a ser lembrada por causa dos acontecimentos de 2016, quando Slash e Duff McKagan retornaram oficialmente à banda ao lado de Axl Rose.

Em seu livro “Double Talkin’ Jive: True Rock ‘N’ Roll Stories”, Sorum revelou que descobriu a reunião parcial da formação clássica por meio de rumores. O detalhe curioso é que, naquele momento, ele estava em turnê pela América do Sul justamente ao lado de Slash e Duff.

Depois de confrontar Duff sobre os rumores que circulavam na internet, Sorum recebeu uma resposta que confirmou que ele não faria parte da nova formação. Segundo o baterista, Duff explicou que Axl pretendia continuar trabalhando com Frank Ferrer, que já ocupava a posição desde 2006.

“Axl quer usar o baterista dele [Frank Ferrer].”

Sorum então teria respondido de maneira direta ao baixista:

“Vá até o Axl e diga que você me quer na bateria. Ponto final. Agora é a hora.”

Duff, entretanto, revelou que a decisão já havia sido tomada e que seu contrato com a nova formação estava assinado.

“Ah, cara. Eu já assinei o contrato.”

Apesar de ter participado de um dos períodos mais importantes da história do Guns N’ Roses, Sorum acabou ficando de fora da reunião que colocou Axl Rose, Slash e Duff McKagan novamente juntos nos palcos.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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