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Regis Tadeu sai em defesa de Roger Waters por “não conhecer o Rush”

Esta semana, uma declaração feita por Roger Waters (mais uma delas) deixou a internet em polvorosa. Durante uma entrevista, o ex-Pink Floyd afirmou que não conhecia o Rush e chegou a classificá-los como “inúteis”.

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Diante da repercussão do assunto, o crítico musical Regis Tadeu saiu em defesa de Waters e do seu direito de não conhecer outro artista. Dizendo que “doa a quem doer”, ele comenta sobre os comentários que surgiram na internet com o ocorrido. Ele diz, conforme transcrito pelo Confere Rock:

(A fala de Waters) foi o suficiente para instaurar um caos cibernético. Com fãs da banda praticamente rasgando as próprias roupas de desespero. Teve gente que pensou em jogar fora os discos do Roger Waters e do Pink Floyd ali no lixo. E essa turminha sensível também começou a twittar desaforos. Como se o Roger Waters tivesse cometido um crime contra a humanidade. E pior: se o Roger Waters fosse ler em português essas questões… O que eu quero que você saiba, meu amigo, nesse vídeo aqui, o que eu desejo é trazer aqui, mais do que a minha opinião a respeito dessa ignorância conveniente e do direito de você não saber. Eu quero que você saiba que eu trato esse fato com uma certa seriedade e com a franqueza que esse assunto exige. Eu não vou ficar passando pano para marmanjos chorões.

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Ele continua:

Saiba, na minha opinião, que não há absolutamente problema algum nisso, do Roger Waters não saber e de ele ignorar completamente o Rush. Não tem problema nenhum. Primeiro, é óbvio que existe uma probabilidade estatisticamente próxima de zero de que o Roger Waters, que é um músico profissional com mais de 50 anos de carreira na estrada, não tenha ouvido uma única canção do Rush. Ele provavelmente já ouviu, ele já esbarrou em alguma música aí, sei lá, no rádio, ou ele dividiu alguma conversa de backstage com outros músicos e outros artistas. Só que a grande questão é: e daí exigir que um artista com o porte, a história e a bagagem do Roger Waters tenha a obrigação moral de conhecer e, pior, de gostar de quem quer que seja? É uma estupidez típica de quem integra o infame tribunal da internet. É a manifestação suprema de uma infantilidade crônica, sabe? É uma babaquice patética em que as pessoas esperam que o mundo gire em torno dos seus próprios umbigos e preferências musicais. Só babaquice.

Regis então continua a conversa e fala sobre seu argumento:

E outra coisa: por que essa galerinha chiliquenta se espanta tanto? Porque o Roger Waters é um cara que, historicamente, ele nunca escondeu a empáfia dele, o gênio dificílimo que ele tem, e a profunda indiferença por quase tudo o que não orbita o próprio umbigo criativo dele.

Com esse gancho, Regis comenta outro caso passado de Waters, quando ele falou sobre Ozzy Osbourne e o legado do Black Sabbath:

Vale lembrar o que aconteceu recentemente em relação ao Ozzy Osbourne. Lembra? É, eu mesmo fiz um vídeo aqui no canal e ele se referiu ao Ozzy com o mesmo desdém e a mesma arrogância fria que ele está demonstrando. Inclusive, ele demonstrou um total desprezo pelo legado do Black Sabbath e pela persona do Ozzy. E você quer saber, cara? Ele fez isso e está tudo bem.

Por fim, Regis conclui o seu raciocínio dizendo:

O Roger Waters, ele tem, sim, o sagrado direito de não ouvir quem quer que seja, muito menos se aprofundar na obra de bandas que passaram totalmente despercebidas pelo filtro estético do Roger, do próprio Roger Waters. Ao longo de décadas, as pessoas precisam urgentemente parar de se ofender com bobagens ditas por artistas como Roger Waters, que ele não, repito, ele não tem obrigação alguma de validar o som favorito desses canceladores, cara. Seja o Rush, seja a banda do seu cunhado. O Roger Waters é um dinossaurão, sabe? Ranzinza, focado nas próprias obsessões artísticas e políticas dele, cara. E ele está assim, absolutamente cagando solenemente para o que pensam dele ou nos fóruns de internet. Para usar um termo comum hoje entre essa gente babaca das redes sociais, cara, eu digo para vocês: aceitem que dói menos.

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Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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