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Jim Root diz que Slipknot nunca foi uma banda de nu metal e revela detalhes do novo álbum com Eloy Casagrande

O guitarrista Jim Root afirmou que o Slipknot nunca se enxergou como uma banda de nu metal, apesar de ter sido constantemente associado ao movimento durante o auge do gênero no fim dos anos 1990. Em entrevista ao podcast Ride Bynd, apresentado por Ben Giese, o músico também revelou detalhes do próximo álbum da banda, que está sendo desenvolvido de maneira completamente diferente dos trabalhos anteriores e tem contado com forte participação do baterista brasileiro Eloy Casagrande.

O assunto surgiu quando Root foi questionado sobre o ressurgimento do nu metal, impulsionado principalmente pelo TikTok e pelo interesse das novas gerações na estética e na música dos anos 2000. Para o guitarrista, esse retorno é apenas mais um ciclo natural da cultura pop, mas ele deixou claro que isso não influencia a direção que o Slipknot pretende seguir.

“Isso acontece, cara. É como a moda ou como o cinema. Tudo funciona em ciclos, as coisas entram e saem de evidência o tempo todo. O curioso é que o novo material que estamos escrevendo não soa assim nem um pouco. Não estamos voltando atrás nem evoluindo para aquele tipo de sonoridade. Claro que existem alguns elementos, porque escrevemos da maneira que sempre escrevemos e isso acaba fazendo parte da nossa identidade. Mas, sinceramente, as pessoas não vão ouvir um disco de nu metal vindo do Slipknot.”

“Sempre fomos apenas o Slipknot”

Jim também aproveitou para questionar o rótulo que acompanha a banda desde seu surgimento, dizendo que a associação ao nu metal aconteceu muito mais pelo momento histórico do que pela música em si.

“Eu nem sei se algum dia fomos realmente uma banda de nu metal. Acho que simplesmente aparecemos numa época em que o nu metal estava acontecendo e foi por isso que nos colocaram naquele grupo. Depois, quando surgiu a New Wave of American Heavy Metal, também nos colocaram lá. Eu fazia entrevistas para revistas de guitarra e pensava: ‘Espera aí… achei que éramos nu metal’. De repente estávamos dando entrevistas ao lado do Lamb of God e de bandas daquele movimento. No fim das contas, para mim, nós sempre fomos apenas o Slipknot. Não acho que exista uma caixa onde possamos ser colocados. Cada integrante da banda vem de uma origem musical completamente diferente, então acabamos misturando muitas influências.”

O guitarrista comparou o Slipknot a grupos que construíram uma identidade tão forte que deixaram de depender de um gênero específico.

“Existem bandas que criam uma identidade própria. Você ouve U2 e sabe imediatamente que é U2. O mesmo acontece com o Muse, embora eu consiga ouvir muita influência do Queen na forma como o Matt Bellamy escreve. Existem bandas que simplesmente deixam de ser categorizáveis. Não sei se essa é uma esperança ou uma certeza minha, talvez as duas coisas ao mesmo tempo, mas eu gostaria que o Slipknot fosse visto dessa forma. Inclusive, enquanto estamos trabalhando nas músicas novas com o nosso produtor, Matt Wallace, às vezes paramos para ouvir alguma ideia e pensamos: ‘Nossa, isso não parece com nada que já ouvimos antes, mas ao mesmo tempo soa familiar, como se estivéssemos ouvindo isso há a vida inteira’. É uma sensação muito orgânica. No fim das contas, é simplesmente música do Slipknot.”

Eloy Casagrande mudou completamente o processo criativo

Ao falar sobre o sucessor de “The End, So Far” (2022), Root destacou que a entrada de Eloy Casagrande trouxe uma nova dinâmica para a banda, aproximando o processo de composição da forma como o Slipknot criava músicas nos primeiros anos.

Segundo ele, em vez de construir canções individualmente no computador, os integrantes estão se reunindo para longas sessões de improvisação, deixando que as músicas surjam naturalmente.

“É o Slipknot, então sempre teremos a nossa identidade sonora, mas, ao mesmo tempo, ter o Eloy na banda… Cara, é uma honra poder tocar com aquele cara. A maneira como estamos trabalhando agora é completamente diferente. Claro que eu poderia ficar sentado em frente ao computador, colocar alguns loops de bateria, criar riffs, montar camadas e depois enviar isso para a banda. Isso funciona e tem seu lugar. Mas agora estamos fazendo praticamente como fazíamos no começo. Vamos para uma igreja, montamos o equipamento, colocamos o Eloy para tocar, eu ligo meu amplificador e simplesmente improvisamos durante cerca de duas horas. Enquanto isso, o Clown fica ouvindo tudo com fones de ouvido. Às vezes ele entra para tocar junto, outras apenas observa. Quando ele levanta o braço ou acende uma luz, aquilo é um sinal para o produtor de que encontramos uma parte importante da música. Na cabeça dele aquilo já pode ser um refrão, uma introdução, um verso ou uma ponte. Depois ele simplesmente diz para continuarmos naquela ideia ou para seguirmos outro caminho. Terminamos a sessão, fazemos uma pausa e voltamos para organizar tudo o que surgiu espontaneamente. É um processo extremamente orgânico, honesto e completamente aberto.”

Peso, melodia e experimentação

Embora ainda não saiba exatamente qual será o resultado final do novo disco, Jim garantiu que o material já produzido passeia por diferentes atmosferas.

“Eu não conseguiria dizer qual será exatamente a direção desse álbum. Sei apenas que estou escrevendo alguns dos riffs mais rápidos que já fiz, mas também riffs extremamente melódicos, pesados e com uma atmosfera mais sombria. Há muitos interlúdios limpos, muito bonitos, que estão encontrando espaço nessas músicas, além de momentos bastante experimentais. Não quero dizer exatamente Pink Floyd, mas talvez exista alguma coisa naquela vizinhança.”

“É a maneira mais honesta que conheço de escrever música”

Root acredita que esse novo método permite que todos os integrantes tenham liberdade para contribuir sem que as músicas sejam moldadas por estruturas pré-definidas.

“Essa é a forma mais honesta que consigo imaginar para escrever música. Quando estou sentado em frente ao computador tentando compor, tudo acaba sendo muito planejado, porque eu já sei exatamente o que estou ali para fazer. Nas improvisações ninguém sabe o que vai acontecer. Podemos começar uma jam e, sem perceber, terminar com uma música completa do início ao fim. Ou podemos tocar durante duas horas e encontrar apenas duas ideias que servirão para outra composição. Isso deixa uma banda com nove integrantes completamente livre. Mesmo que o Mick não participe de uma dessas sessões, ele pode ouvir o arranjo depois e pensar: ‘Já sei exatamente o que quero fazer aqui’, criando algo totalmente diferente do que eu toquei, e as duas ideias convivem perfeitamente. Não existe aquela obrigação de tocar tudo em uníssono ou seguir uma fórmula. Estamos deixando as músicas evoluírem de maneira completamente natural, como elas deveriam.”

O guitarrista revelou ainda que o Slipknot já possui uma enorme quantidade de material em desenvolvimento e que a estratégia é deixar cada composição amadurecer antes de decidir quais farão parte do próximo álbum.

“Temos muito, muito material. Provavelmente pelo menos cinquenta arranjos diferentes. Não estou dizendo que sejam cinquenta músicas prontas, porque todas ainda precisam de trabalho. Estamos usando um método parecido com o de ‘We Are Not Your Kind’: começamos uma ideia, levamos até certo ponto, deixamos ela descansar, iniciamos outra, depois voltamos para a primeira e a elevamos a um novo nível. Vamos alternando entre todas elas para que cada música possa evoluir naturalmente. É parecido com o que muitos diretores de cinema dizem: eles nunca terminam um filme de verdade, apenas abandonam o projeto quando percebem que chegou o momento certo. Acho que estamos fazendo exatamente isso com este disco.”


Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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