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A crítica de Rachel Sherazade a “rockeiros apolíticos”: “deveriam mudar estilo”

Em tempos de eleições, as discussões sobre política se tornam mais e mais acirradas. Muitos integrantes de bandas têm se posicionado e mostrado o lado que estão defendendo e a quem darão o seu voto. Em contrapartida, muitos optam por não se posicionarem e preferem não se envolverem nas discussões, o que é chamado de “apolítico”.

Diante desse posicionamento neutro, a jornalista Rachel Sheherazade criticou adeptos do estilo rock/metal que preferem se abster de opinar ou simplesmente dizem que qualquer lado é igual ao outro. Conforme transcrição do Confere Rock, ela comenta sobre o “não posicionamento” de James Hetfield, vocalista do Metallica, que afirmou não querer falar do tema em seus shows:

“Roqueiro apolítico, roqueiro neutro, roqueiro que não quer incomodar, roqueiro que não faz pensar, deveria trocar de estilo musical. Em meio aos protestos mundiais contra o governo Trump, o genocídio palestino e a volta do fascismo em países como a Argentina, Alemanha e Brasil, James Hetfield, vocalista e guitarrista do Metallica, afirmou que não gosta de política, criticou bandas que se posicionam e disse que a agenda do Metallica é amor, energia e música pesada.”

Ela então continua, citando U2 e Iron Maiden, que escreveram músicas de crítica social:

Ou ele não entende de política, ou não entende de rock. O rock nasceu da rebeldia, da contestação, da recusa em aceitar o mundo como ele é. O rock desafiou padrões morais, sistemas políticos, enfrentou o conservadorismo, denunciou guerras, racismo, desigualdades, abuso de poder. O rock transformou indignação em música e música em instrumento de resistência. Em Sunday Bloody Sunday, o U2 denunciou a violência política na Irlanda do Norte. O Rage Against the Machine usou a música deles para denunciar racismo estrutural, violência policial e a exploração dos mais pobres. Peter Gabriel homenageou Stephen Biko, assassinado pelo regime do apartheid na África do Sul. Em Two Minutes to Midnight, o Iron Maiden criticou a Guerra Fria e os interesses econômicos e políticos por trás da corrida armamentista nuclear. Essas bandas entenderam algo fundamental: a música não precisa resolver todos os problemas do mundo, mas o rock tem o dever de denunciá-los. No rock, assim como na política, não existe neutralidade, existe covardia e cumplicidade.

Nos últimos dias, o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, assim como o guitarrista do Rage Against the Machine e Audioslave, Tom Morello, o vocalista do Bring me the Horizon, Oliver Sykes e mais recentemente, o The Strokes, se manifestaram em seus perfis oficiais a favor do candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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