Blaze Bayley: 24 anos de “Silicon Messiah”

O que você faria se fosse demitido de uma banda como o Iron Maiden depois de dois álbuns, sem tanta repercussão e de enfrentar uma resistência enorme dos fãs que não aceitavam outra pessoa que não fosse Bruce Dickinson no vocal? Provavelmente você entraria em depressão, não é mesmo? Não foi o caso de Blaze Bayley, que levantou, sacodiu a poeira e deu a volta por cima lançando “Silicon Messiah“, seu primeiro álbum solo, que veio ao mundo em 22 de maio de 2000 e é tema do nosso bate-papo nesta quarta-feira.

O vocalista começou então a buscar por músicos para sua nova empreitada. Recebeu material de instrumentistas de várias partes do mundo, mas acabou optando por formar um time 100% britânico. Os guitarristas Steve Wray e John Slater, o baixista Rob Naylor e o baterista Jeff Singer foram os afortunados e assim, o frontman batizou a banda com um nome bem simples, o seu, é claro. Então passaram a ser conhecidos como Blaze.

Blaze recrutou o melhor produtor da época, Andy Sneap. Eles utilizaram três estúdios para registrar o vindouro álbum, todos no Reino Unido: Backstage Studios, em Ripley, Parr Street Studios, em Liverpool e o Trident Studios, na capital Londres. A mixagem aconteceu no Parr Street Studios e a masterização aconteceu no The Sound Masters, em Londres. Todo o processo aconteceu durante os primeiros meses do ano 2000.

Embora não seja necessariamente um álbum conceitual, “Silicon Messiah” trata em diversos momentos sobre a inteligência artificial e o mundo do silício (N. do R: em inglês, silicon), a faixa de abertura faz referencia aos dois temas. Blaze se inspirou no livro de ficção científica “Do Androids Dream of Electric Sheep?“, do autor Phillip K. Dick, para escrever a música “Identity“. Outra fonte de inspiração também foi o filme filme de ficção científica “Gattaca“, de 1997, que rendeu duas músicas: “Reach for the Horizon” e “The Launch“. Outras duas músicas tratam sobre seu período no Iron Maiden: “The Day I Fell to Earth“, trata de sua demissão da donzela e “Motherfuckers R Us“, que fala sobre uma apresentação do Iron Maiden nos Estados Unidos durante a turnê do álbum “Virtual XI“. Ambas as faixas foram lançadas somente como bônus nas edições do Japão e América do Sul.

A edição sul-americana do álbum ainda incluiu mais uma faixa bônus, totalizando três. A música em questão é um cover ao vivo para a música “Steel“, do Wolfsbane, banda que Blaze era o vocalista antes de assumir o posto no Iron Maiden. Ainda foi incluída nessa versão uma faixa interativa, onde o fã poderia colocar o disco no tocador de CD do computador e ter acesso a conteúdo exclusivo. Em 2015, quando do aniversário de 15 anos do play, todas essas faixas foram acrescidas em uma edição especial.

A música “Born as a Stranger” foi escrita por Blaze e a ideia inicial era para entrar em um hipotético terceiro álbum dele com o Iron Maiden, o que acabou não acontecendo, pois como sabemos, Bruce Dickinson acabou acertando seu retorno para a Donzela. Então Blaze a colocou aqui no aniversariante do dia. A música que é um dos grandes destaques do play, ficaria ainda melhor se tivesse sido gravada pela banda de Steve Harris.

Colocando a bolacha para rolar, temos 10 faixas divididas em 52 minutos e surpreende o peso que o álbum tem, sobretudo nas três primeiras faixas, “Ghost in the Machine” (disparadamente o maior destaque do play), “Evolution” e a faixa-título. O álbum também nos brinda com canções Heavy como a já citada “Born as a Stranger” e “The Brave“, além da densa e pesada “The Hunger” e da cadenciada “Identity” . Só aí já se foi mais da metade do álbum, não que as outras três músicas restantes não sejam boas, são, mas essa primeira parte serviu como um murro nas bocas daqueles que falavam mal do cantor, por sua performance no Iron. O álbum é sem sombra de dúvidas um dos melhores lançados naquele ano de 2000. E olha que a concorrência naquele ano era grande.

Era só o começo de uma exitosa carreira solo, que teve seus percalços no meio do caminho, mas Blaze começava aqui a ter o respeito do público, respeito esse que deveria ser seu por direito, desde sempre, mas principalmente quando ele foi corajoso o suficiente para ocupar o lugar que foi de Bruce Dickinson. Mas ele não guarda mágoas, quem o viu ao vivo, pôde testemunhar o quão grato ele é com o público, mesmo que alguns tenham vaiado o vocalista alguns anos antes. Assim, ele provou que, sim, há vida pós-Iron Maiden.

Hoje é dia de celebrar esse álbum, colocando-o para tocar no volume máximo. A bolacha envelhece bem, obrigado. O vocalista sofreu um infarto no dia 25 de março do ano passado, quando estava em sua casa e precisou sofrer quatro inserções de ponte de safena. Ele se recuprou muitíssimo bem e inclusive já lançou um álbum esse ano, o excelente “Circle of Stone“, para nossa alegria. Hoje é dia de celebrar não só mais um aniversário deste maravilhoso play, como também celebrar a vida deste guerreiro, que ele siga bem de saúde para poder nos brindar com muito mais albuns. Blaze merece demais.

Silicon Messiah – Blaze
Data de lançamento – 22/05/2000
Gravadora – SPV

Faixas:
01 – Ghost in the Machine
02 – Evolution
03 – Silicon Messiah
04 – Born as a Stranger
05 – The Hunger
06 – The Brave
07 – Identity
08 – Reach for the Horizon
09 – The Launch
10 – Stare at the Sun

Formação:
Blaze Bayley – vocal
Steve Wray – guitarra
John Slater – guitarra
Rob Naylor – baixo
Jeff Singer – bateria

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