Bruce Dickinson: há 27 anos, vocalista lançava o aclamado “Accident of Birth”

Há 27 anos, em 14 de maio de 1997, enquanto o Iron Maiden sofria com a rejeição dos fãs ao vocalista Blaze Bayley, Bruce Dickinson, que havia deixado a banda há meia década atrás, seguia firme em sua carreira solo e lançava “Accident of Birth“, o quarto álbum de sua discografia e que é assunto do nosso bate-papo hoje por aqui.

Considerado por alguns como o melhor álbum de Bruce, “Accident of Birth” marca o retorno da parceria com seu velho amigo, Roy Z, que trouxe sua banda, o Tribe of Gypses, para novamente acompanhar o vocalista. Bruce não estava satisfeito com os resultados alcançados com “Skunkworks“, o álbum anterior e dispensou os músicos que o acompanhavam, apostando na bola de segurança. Em time que está ganhando, não se mexe, não é mesmo, caro leitor? E o frontman sabia disso, correu para recuperar o tempo perdido.

Além de Roy Z e sua banda, outro reforço de peso voltava a trabalhar com Bruce: o guitarrista Adrian Smith, que também havia deixado o Iron Maiden antes de o vocalista sair, também retomava a parceria com o amigo. E o mais interessante é que desde então eles jamais se separaram, pois ambos retornaram ao Iron Maiden em 1999 e seguem por lá até hoje.

Bruce e Adrian, inclusive, trabalharam juntos na composição de duas canções para este play: “Road to Hell” e “Welcome to the Pit“. Bruce trabalhou sozinho na composição de “Man of Sorrows“, que aliás, é uma composição antiga e chegou a ser cogitada para entrar no álbum “Balls to Picasso”. Já as demais músicas são de autoria da dupla Bruce Dickinson e Roy Z.

Existem duas versões para a capa do aniversariante do dia. A versão da América tem o fundo vermelho e traz a imagem de um palhaço com um porrete cravado de pregos. Já a versão britânica traz o fundo azul e o mesmo palhaço, só que crucificado. O desenho é assinado por Derek Riga, o mesmo que desenhou por anos as capas do Iron Maiden e que criou a mascote Eddie. Esse palhaço, aliás, recebeu o nome de Edison (um trocadilho para a frase Eddie son – filho de Eddie, em livre tradução). As diferenças não param por aí, pois nas Américas, o play foi lançado pela CMC e no Reino Unido, pela Castle. Ambas as versões possuem praticamente a mesma ordem de músicas, a americana tem a faixa “The Ghost of Cain“.

O quinteto se reuniu em dois estúdios: o Silver Cloud Recordings, em Redondo Beach, Califórnia e também no Sound City Studios, em Los Angeles, tendo Roy Z na produção. A essa altura, Roy já se começava a se tornar um renomado produtor e assinaria outros diversos trabalhos, sobretudo o polemico “The Dark Ride“, do Helloween (2000). A mixagem ocorreu no Brooklyn Recording e a masterização, no Oasis Mastering.

Colocando a bolacha para rolar, temos “Freak” abre o álbum maravilhosamente bem, com seus riffs crus, pesados e Bruce arrebentando na performance. Sem dúvidas uma das melhores músicas de sua carreira solo. E o refrão que gruda na mente do ouvinte? Magistral. “Toltec 7 Arrival” é uma breve vinheta com menos de um minuto e é a ponte para a faixa posterior…

… A poderosa “Starchildren“, que navega entre o Hard e o Heavy. Pesada, densa e novamente a estrela brilha com sua voz potente. O disco começa muito bem, obrigado. “Taking the Queen” é repleta de melodia, uma música bem calma e Bruce mostra sua versatilidade no vocal. E sem intervalo, ela é engatada pela não menos que espetacular “Darkside of Aquarius”, com seus mais de seis minutos de riffs lindos, simples e crus, porém, eficientes ao extremo. Baita música.

Road to Hell” é uma das mais populares canções da carreira de Bruce e garante o nível do álbum acima da estratosfera. Duetos de guitarra que fazem uma breve alusão ao Iron Maiden, porém com mais peso e mais melodia. “Man of Sorrows” é uma linda canção onde Bruce é acompanhado por um piano tocado de maneira brilhante por Richard Baker. O solo também não fica muito atrás, cheio de feeling. Do ponto de vista harmônico, essa música é infinitivamente mais rica do que “Tears of the Dragon“, o grande hit de Dickinson.

Chegamos a faixa título que é bem pesada e fazem as coisas voltarem a trilhar o caminho do Hard ‘n’ Heavy. Impressionante o timbre que a dupla de guitarristas escolheu para esse play, em algumas músicas como esta aqui, fica absurdamente perfeito. Em “The Magician“, parece que estamos ouvindo o Iron Maiden, só que com a ausência de Steve Harris no baixo. O clima é idêntico ao das músicas da donzela e talvez por isso ela seja a minha faixa favorita deste play. O refrão te faz cantar junto com Bruce. “Welcome to the Pit” tem o mesmo clima mais denso do álbum anterior. Se não se tratasse de uma das composições de Bruce e Adrian, poderíamos imaginar que se tratava de alguma sobra de gravações de “Skunkworks“.

The Ghost of the Cain” é a faixa da vez, estamos com a versão estadunidense e temos um Hard Rock que tem a mesma pegada da época do badalado “Balls to Picasso“, que aliás, também apaga as velinhas hoje e iremos falar dele aqui no próximo domingo, 5. Voltando a música em questão, temos muita melodia e bons riffs de guitarra. “Omega“, é a segunda faixa mais longa do disco e esta é mais progressiva, com toques melancólicos, sem deixar de ter momentos de peso. E “Arc of Space” é uma bela música onde Bruce Dickinson é acompanhado por violões e cello, com belas harmonias. Uma música bem calma, diferente de tudo que ouvimos no play até então, sendo assim o ato final.

Em 57 minutos, temos um álbum bem consistente, pesado, ao mesmo tempo sombrio em alguns momentos. Em uma década que o Rock e o Metal andavam em crise de identidade, Bruce Dickinson surfou na crista da onda lançando discos de alta qualidade. “Accident of Birth” é só mais um grandioso momento no qual o vocalista mostrou que poderia viver sem o Iron Maiden enquanto o Iron não vivia sem ele.

A receptividade ao álbum foi excelente, tanto de crítica quanto de público. Recebeu a nota máxima na revista Metal Storm, enquanto que na Rock Hard ficou com um 9,5. Nos charts, o álbum ocupou o 13° na Finlândia; na Hungria chegou ao 38° posto; na Suécia, ficou em 46°; 52 foi a posição na Alemanha, 53° no Reino Unido e 93° na Holanda. O single “Man of Sorrows” chegou ao 54° lugar na categoria de singles das paradas britânicas. E em nossos corações, o álbum está em primeiríssimo lugar.

É um álbum que envelhece muito bem e que é obrigatória em uma coleção de qualquer headbanger que se preze. Hoje é dia de celebrar essa lindeza no volume máximo. Para nossa felicidade, Bruce acabou de passar por terras brasileiras, se apresentou ao vivo, andou de moto e até concedeu entrevista para Pedro Bial, na Rede Globo. Ele acabou de lançar seu novo play solo “The Mandrake Project” e esperamos que ele siga conciliando sua carreira solo junto com a sua função no Iron Maiden.

Accident of Birth – Bruce Dickinson
Data de lançamento – 14/05/1997
Gravadoras – CMC (EUA) / Castle (ING)

Faixas:
01 – Freak
02 – Toltec 7 Arrival
03 – Starchildren
04 – Taking the Queen
05 – Darkside of Aquarius
06 – The Road to Hell
07 – Man of Sorrows
08 – Accident of Birth
09 – The Magician
10 – Welcome to the Pit
11 – The Ghost of the Cain
12 – Omega
13 – Arc of Space

Formação:
Bruxe Dickinson – vocal
Adrian Smith – guitarra
Roy Z – guitarra
Eddie Casillas – baixo
Dave Inghram – bateria

One thought on “Bruce Dickinson: há 27 anos, vocalista lançava o aclamado “Accident of Birth”

  • maio 21, 2024 em 9:35 pm
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    Ouvindo esse album algora enquanto digito!!!! Particularmente sou fã desse disco, só tenho boas lembranças da época!!!! Legal a história que existe por trás desse album, valeu!!!!

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