NewsNotícias

Geezer Butler relembra perrengues de trabalhar com Ozzy em “Never Say Die!”

O baixista do Black Sabbath, Geezer Butler, voltou a comentar sobre a transição entre Ozzy Osbourne e Ronnie James Dio, afirmando que a chegada do lendário vocalista em 1979 representou uma mudança drástica na banda. Durante participação no podcast “100 Songs That Define Heavy Metal”, apresentado por Brian Slagel, fundador e CEO da Metal Blade Records, o músico relembrou as dificuldades enfrentadas durante as gravações de “Never Say Die!” (1978), último álbum da formação clássica antes da saída de Ozzy.

Responsável pelas letras da banda desde sua fundação, Butler afirmou que, naquela época, Ozzy já não demonstrava interesse em gravar o material que lhe era apresentado.

“Fiquei muito aliviado porque o último álbum com Ozzy nos anos 70, o ‘Never Say Die!’. No último álbum, foi como arrancar dentes para conseguir que o Ozzy cantasse as letras. Eu costumava escrever letras para ele, e ele nem sequer as lia. Ele simplesmente as descartava antes mesmo de lê-las. Nesse último álbum, o Bill Ward teve que cantar uma das músicas porque o Ozzy simplesmente foi embora. Ele não estava interessado em cantar nelas. Uma das músicas teve que se tornar instrumental porque o Ozzy se recusou a cantar. Foi nessa época que ou nos separávamos ou tínhamos que fazer algo drástico e contratar um vocalista diferente, e foi isso que aconteceu.”

Geezer Butler destaca diferença entre Ozzy e Ronnie James Dio

Segundo Butler, a chegada de Ronnie James Dio trouxe uma dinâmica completamente diferente para o processo criativo do Black Sabbath.

Ao contrário de Ozzy, Dio também contribuía musicalmente durante a composição, utilizando o violão para apresentar ideias diretamente a Tony Iommi.

“Foi ótimo porque, mesmo que… Ozzy não soubesse tocar nenhum instrumento, Ronnie, para conseguir expressar alguns dos refrões e outras coisas, pegava um violão e tocava para Tony, tipo, ‘É assim que eu vejo o refrão’. E ele tocava os acordes, então todos nós sabíamos o que fazer.”

“Heaven and Hell” surpreendeu até a própria banda

Butler também comentou o sucesso inesperado de “Heaven and Hell”, faixa-título do primeiro álbum gravado com Ronnie James Dio. Apesar da duração de quase sete minutos, a música conquistou espaço nas rádios norte-americanas, algo que nem mesmo a banda esperava.

Segundo o baixista, muitos acreditavam que o Black Sabbath havia acabado após a saída de Ozzy, o que tornou a recepção positiva ainda mais surpreendente.

“Tudo isso nos surpreendeu, porque acreditávamos na música, mas convencer todo mundo a acreditar nela é outra história. Você pode achar que escreveu a melhor música do mundo, e ninguém mais vai pensar assim. Mas tivemos sorte, porque as pessoas gostaram tanto quanto nós. E, sim, ela foi bem aceita. As pessoas simplesmente pensavam: ‘Bom, o Sabbath acabou. Vamos ver como vai ser esse álbum horrível’, e depois ficavam completamente surpresas.”

O legado de Geezer Butler como principal letrista do Black Sabbath

Além de baixista e membro fundador do Black Sabbath, Geezer Butler foi responsável pelas letras de alguns dos maiores clássicos da história do heavy metal, incluindo “War Pigs”, “Iron Man”, “Paranoid”, “Children of the Grave”, entre muitas outras composições que ajudaram a definir a identidade da banda.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *